<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914</id><updated>2012-02-02T01:20:30.443-02:00</updated><category term='orgulho'/><category term='religião'/><category term='lila'/><category term='eduardo galeano'/><category term='palavrão'/><category term='roupa nova'/><category term='jornalismo'/><category term='budismo'/><category term='ana carolina'/><category term='linguística'/><category term='locutor'/><category term='BR 101'/><category term='muçulmano'/><category term='cinza vulcânica'/><category term='pobre'/><category term='dilma'/><category term='imposto de renda'/><category term='dia especial'/><category term='velho'/><category term='conjunto'/><category term='Tulku Rinpoche'/><category term='tolerância'/><category term='galo'/><category term='futebol'/><category term='palavras grandes'/><category term='khadro ling'/><category term='Lula'/><category term='juremir machado da silva'/><category term='córtex pré-frontal'/><category term='claviculário'/><category term='ditadura'/><category term='ashura'/><category term='rico'/><category term='Arruda'/><category term='banda'/><category term='olimpíada'/><category term='comercial'/><category term='porto alegre'/><category term='infrator'/><category term='receita federal'/><category term='chaveiro'/><category term='wanda'/><category term='COB'/><category term='jogos olímpicos'/><category term='santa catarina'/><category term='placebo'/><category term='o dia seguinte'/><category term='narrador'/><category term='fisioterapia'/><category term='TV'/><category term='gabeira'/><category term='coerência'/><category term='ano novo'/><category term='gata'/><category term='umbanda'/><category term='leão'/><category term='The Old Stones'/><category term='norte'/><category term='leste'/><category term='um sonho a dois'/><category term='paranóia'/><category term='casamento'/><category term='certificado'/><category term='islã'/><category term='chaves'/><category term='Serra'/><category term='chaleira'/><category term='comunicador'/><category term='meia-boca'/><category term='bombinhas'/><category term='varejo'/><category term='diploma'/><category term='supermercado'/><category term='vaidade'/><category term='três coroas'/><category term='Uniban'/><category term='Geysa'/><category term='despacho'/><category term='vulcão'/><category term='jornalista'/><category term='olímpico'/><category term='gato'/><category term='samba'/><category term='animal de estimação'/><category term='COI'/><category term='dedução'/><category term='rádio'/><category term='advérbio'/><category term='1966'/><category term='EPTC'/><category term='ato médico'/><category term='café'/><category term='merda. Lula'/><category term='Gabriel Lavoura'/><category term='dda'/><category term='meio ânus'/><title type='text'>Coisas do Aldo</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>112</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-7149494482365514688</id><published>2012-01-28T12:23:00.001-02:00</published><updated>2012-01-28T12:23:02.616-02:00</updated><title type='text'>Petição</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Tenho recebido emails pedindo que eu assine petições para acabar com o Big Brother Brasil. Petição, como todo mundo sabe, é um pedido a uma autoridade, mais comumente a um funcionário governamental ou entidade pública. No sentido coloquial, uma petição é um documento oficial assinado por vários indivíduos. Uma petição pode ser oral, escrita, e, agora, também através da Internet. A petição nesses termos também é conhecida como abaixo-assinado, documento coletivo, de caráter público ou restrito, que torna manifesta a opinião de grupo e/ou comunidade, ou representa os interesses dos que o assinam. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Resolvi dar uma olhada em dois sites que disponibilizam o serviço de petições online. Comecei olhando só as que querem o fim do BBB e, até onde tive paciência, encontrei seis abaixo-assinados. Somando as assinaturas dessas seis petições até às dez e meia do dia 28 de janeiro de 2012, encontrei o fantástico número de 30.069! Puxa vida: seja lá pra quem for — Rede Globo, Ministério Público, etc. —, os destinatários, com certeza, ficarão muito sensibilizados com tamanha quantidade de assinaturas. Vão comparar esse número de indignados assinantes com o número de ávidos votantes dos paredões, que chega a muitos milhões e dar risadas. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os argumentos para a retirada do programa do ar são, em geral, os mesmos. Pelos textos dos cabeçalhos das petições tem-se uma ideia do nível do autor. Escolhi um deles, cujos signatários asseveram que o Reality Show Big Brother Brasil, DEVE SER RETIRADO DO AR, pois, o mesmo:  &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;&lt;em&gt;1. Divulga e promove desde de (SIC) suas etapas de pré-seleção de seus candidatos e durante sua programação, a ética da exclusão; &lt;br&gt;2. Promove e privilegia a mulher-objeto, fazendo com que suas participantes femininas sirvam tão somente de objetos de voyeurismo sexual de suas audiências; &lt;br&gt;3. Incita e dar (SIC) a entender que “pelo jogo” vale tudo, atentando contra todo tipo de ética estabelecida para as boas relações, no que diz respeito as (SIC) conquistas de oponentes; &lt;br&gt;4. Ajuda a alimentar a alienação da população com a sedução da ilusória participação telefônica; &lt;br&gt;5. Não ajuda na formação de um povo consciente e cidadão de bons costumes e de boa índole.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt;Ética da exclusão? Qualquer dia vão querer acabar com os torneios de futebol estilo mata-mata, com o vestibular, com o Exame da OAB (este seria ótimo se acabasse). Mulher-objeto? Ah, então foi o BBB que inventou isso? Quanto aos itens 3, 4 e 5, sem comentários. O pessoal da TFP&lt;a href="#_edn1" name="_ednref1"&gt;[1]&lt;/a&gt; (Tradição, Família e Propriedade) deve ter adorado. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ora, abaixo-assinado pra acabar com um programa da Rede Globo. As pessoas gostam de perder tempo, paciência e pagar mico. Eu tenho uma solução pra acabar com o BBB. Preste atenção: se você estiver assistindo à Globo, assim que terminar a novela das 21 h&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/-6CeOefh3-yg/TyQEw6Pu15I/AAAAAAAAAiQ/m75KIClNqsw/s1600-h/clip_image002%25255B7%25255D.jpg"&gt;&lt;img title="clip_image002" border="0" hspace="12" alt="clip_image002" align="right" src="http://lh5.ggpht.com/-IMtGyR3tCwI/TyQExQjHYxI/AAAAAAAAAiY/iV5j5wWrK0E/clip_image002_thumb%25255B4%25255D.jpg?imgmax=800" width="150" height="190"&gt;&lt;/a&gt;oras estique-se um pouco, pegue o controle remoto que está sobre a mesa de centro da sala e escolha outro canal de televisão qualquer. Se for assinante de alguma TV a cabo ou satélite — ou seja lá o que for —, você terá dezenas de canais pra escolher. Na pior das hipóteses, você terá a Record, a Rede TV, o SBT, a Educativa (Cultura) e a Band pra assistir, pelo menos pela próxima hora. Se quiser ser mais radical, no entanto, desligue o aparelho de TV e vá fazer amor com seu parceiro ou parceira. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quanto aos abaixo-assinados em geral, achei umas pérolas nos sites que oferecem o serviço de petições online. Veja alguns.  &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Quero RETIRAR minha assinatura do Projeto do Bem-estar Animal do Deputado Tripoli &lt;/i&gt;&lt;/b&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;Eu abaixo assinado quero RETIRAR o meu apoio e assinatura anteriormente conferidos, por engano e inadvertidamente, ao projeto do “bem-estar” animal do Deputado Tripoli. &lt;br&gt;NÃO concordo com as cláusulas que permitem a eutanásia de animais e o não-tratamento de animais considerados “muitos doentes”. &lt;br&gt;Considero que caí numa armadilha. &lt;br&gt;Feito o contato com a WSPA, que recolhe as assinaturas da referida pétição, fui informado de que a entidade não sabe como devo proceder. &lt;br&gt;Sendo assim, EXIJO, através da atual petição, que seja considerada NULA e RETIRADA a assinatura anteriormente dada ao referido projeto.&lt;/i&gt; &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt;118 pessoas assinaram isso.  &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;O serviço de transporte já está melhorando (Será???)&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;Bem, na minha opinião, os preços das passagens do transporte público em PE são absurdamente altos. Essa constatação só aumenta quando correlacionamos esses preços a qualidade dos serviços prestados pelas empresas. &lt;br&gt;Ontem - 1° dia da prática dos novos preços - já percebi a diferença na prestação do serviço (Será????): &lt;br&gt;1 - O ônibus da linha Igarassu / Sítio Histórico, que peguei pra ir ao trabalho, quebrou duas paradas após eu ter subido nele. &lt;br&gt;Resultado: tivemos (eu e todos os demais passageiros) que esperar na chuva para entrar num Igarassu / BR 101 lotado. (23/01/12 às 13:50) &lt;br&gt;2 - No ônibus Paulista / Lot. Bonfim, que saiu do Pelópidas Silveira às 22:40, que peguei na volta para casa, não tinha o sinalizador de parada. &lt;br&gt;Resultado: o motorista queimou minha parada, mesmo eu tendo sinalizado, e ainda fica soltando piada junto com o motorista. (23/01/12 às 23:00) &lt;br&gt;Isso é que é Brasil! Isso é Pernambuco!&lt;/i&gt; &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt;As duas pessoas que assinaram isso nem estão pedindo, estão perguntando.  &lt;p&gt;E outros:  &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Suspenssão &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;(SIC)&lt;b&gt;&lt;i&gt; do trio elétrico no horario &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;(SIC)&lt;b&gt;&lt;i&gt; da missa aos Domingos&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Conscientização dos motoristas contra o desrepeito&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; (SIC)&lt;b&gt;&lt;i&gt; ao pedestre e ciclista em Belo Horizonte.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Queremos A Banda Mais Bonita da Cidade no Programa Altas Horas&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Contra o visto da Mercenária Cubana Yoni Sanchez no Brasil&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Resumindo: as coisas estão ficando muito vulgares. No campo das petições, por exemplo, vê-se de tudo. Vou ter que tomar uma atitude e fazer uma petição pra acabar com as petições. Você assinaria? &lt;br&gt;&lt;br&gt; &lt;hr align="left" size="1" width="33%"&gt; &lt;a href="#_ednref1" name="_edn1"&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 120%; font-size: 12px"&gt;[1]&lt;/a&gt; Tradição, Família e Propriedade (TFP) ou Sociedade brasileira de defesa da tradição, família e propriedade (1960), é uma organização católica tradicionalista e conservadora brasileira.&lt;br&gt;Foi fundada em 1960 por Plínio Correia de Oliveira, deputado federal Constituinte em 1934 e jornalista católico, pautada nos princípios de sua devoção à Santíssima Virgem(...). A nova sociedade baseava-se em sua obra Revolução e contra revolução (1959) e propõe uma vigorosa reação com base no amor à ordem cristã e na aversão à desordem.  &lt;p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-7149494482365514688?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/7149494482365514688/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=7149494482365514688&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/7149494482365514688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/7149494482365514688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2012/01/peticao.html' title='Petição'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh5.ggpht.com/-IMtGyR3tCwI/TyQExQjHYxI/AAAAAAAAAiY/iV5j5wWrK0E/s72-c/clip_image002_thumb%25255B4%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-9052876750588616796</id><published>2012-01-17T16:15:00.001-02:00</published><updated>2012-01-17T16:15:47.633-02:00</updated><title type='text'>Simplesmente Manu</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Era junho de 1979. Há pouco mais de dois anos eu havia saído de um casamento insosso que durara quatro anos, não dera frutos nem produzira lucros. Fazia pouco menos de um ano e meio que já estava noutro e, naquele mês, surgia uma menina na minha vida que a mudaria pra sempre. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Praticamente recém-casado pela segunda vez e já entrava outra mulher na minha história. E muito mais moça do que eu. Sabia que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde. É da natureza. O que fazer? Assumir, claro, com desenfreada paixão. Não resisti àqueles grandes e expressivos olhos, àquela boquinha bem desenhada, àquele narizinho empinado — no bom sentido — e àquela simpatia que contagiava a todos, especialmente a mim. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eu havia mudado de cidade. Trabalhava em Porto Alegre, mas estava morando em São Leopoldo. Conhecia-a no fim da tarde de um dos dias mais frios daquele inverno. Justamente num dia em que não tinha ido trabalhar, pois estava no hospital, onde minha mulher havia baixado no dia anterior. Vi-a passar no corredor, com uma enfermeira. O que me chamou a atenção foram os gemidos baixinhos que ela emitia e que me deixaram apreensivo. O que teria acontecido? Curioso, fui atrás, perguntei aqui e ali e descobri que não era nada e, também, que aquela era a Manuela que, a partir desse dia, passou a fazer parte da minha vida. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Como só trabalhava à tarde, passávamos as manhãs juntos. No começo, por causa do frio, apenas fazia companhia a ela na sua própria casa. Com o fim do inverno, passeávamos por quase toda Independência — ou Rua Grande, como é conhecida —, a rua principal de São Leopoldo. Íamos até a Praça Imigrante, na margem do Rio dos Sinos, e voltávamos. Às vezes parávamos em alguma lancheria para tomar um refrigerante, pois eram quentes aquelas manhãs ensolaradas. Algumas pessoas que cruzavam conosco nas movimentadas manhãs da Rua Grande paravam para elogiar a beleza daquela garota, que nada dizia, apenas sorria. Noutros dias, estendíamos um pano na grama, em frente à casa dela, e ficávamos à sombra, lanchando e vendo o movimento da rua. Quando voltava do trabalho, no fim da tarde, ela me recebia cheia de gracejos e sorrisos, que eu retribuía com muitos abraços e carinhos. Era um sonho. O melhor de tudo é que o surgimento daquela paixão melhorou ainda mais meu casamento, que já era bom.  &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;.:: o ::.&lt;/b&gt;  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Viemos morar em Porto Alegre. O tempo passou rápido, como sempre. A distância entre nossas idades não aumentara, mas dava a impressão de crescer numa razão logarítmica: enquanto ela amadurecia, eu envelhecia. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Chegou o dia em que ela passou a preferir divertir-se junto a suas muitas amigas, sair com elas à noite. Claro que eu não fazia parte desse plano. Entendi, conformei-me e, ainda por cima, levava-as e buscava-as nas festas que frequentavam. Lembro-me do despertador me chamando às cinco da madrugada, inclusive no inverno. Eu nem guardava o carro na garagem pra não ter que abri-la. Lá ia eu, todo encasacado, cheio de lã, de boné e tudo, pra Dom Pedro II, pra Goethe, pra Plínio ou pra onde houvesse festa. Entre seis e seis e meia aquele bando invadia meu carro, cada uma a sua vez dizia “oi, tio” e passavam a tagarelar todas ao mesmo tempo. Manuela ia quieta ao meu lado. Eu nem perguntava se ela tinha gostado. Sabia que no fim de semana seguinte a cena se repetiria, portanto, sinal que era bom.  &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;.:: o ::.&lt;/b&gt;  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Hoje, 32 anos se passaram desde aquele junho de 1979 em que Manuela entrou na minha vida pra despertar em mim um amor diferente, que eu nunca sentira antes. E 32 anos é exatamente a idade de Manuela, ou simplesmente Manu, que nasceu no fim de tarde daquele dia frio, que passou gemendo nos braços da enfermeira desde a sala de cirurgia até a maternidade do hospital, cena que eu, casualmente, presenciei da porta do quarto. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em janeiro de 1980, há 32 anos, todo orgulhoso, eu exibia minha filha, Manu, pra quem passasse pela Rua Grande.  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/-9-4Q5tlWDNY/TxW6z1WSZ5I/AAAAAAAAAiA/_v5K7UOxaSQ/s1600-h/clip_image002%25255B5%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-top: 0px; margin-right: auto; border-right: 0px" title="clip_image002" border="0" alt="clip_image002" src="http://lh6.ggpht.com/-jN5oON8rV7Y/TxW60oTWWtI/AAAAAAAAAiI/Pv1BvJR8J-8/clip_image002_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="500" height="325"&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Hoje, 32 anos depois, não passeamos mais pela Rua Grande nem a levo e busco da balada, mas meu orgulho continua.  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-9052876750588616796?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/9052876750588616796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=9052876750588616796&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/9052876750588616796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/9052876750588616796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2012/01/simplesmente-manu.html' title='Simplesmente Manu'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/-jN5oON8rV7Y/TxW60oTWWtI/AAAAAAAAAiI/Pv1BvJR8J-8/s72-c/clip_image002_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-654141840620837244</id><published>2012-01-13T20:07:00.001-02:00</published><updated>2012-01-13T20:07:38.449-02:00</updated><title type='text'>Guri bom de bola</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não. Não vou falar sobre o torneio promovido por uma empresa de comunicação do estado. Apenas aproveitei o título. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Recebi um email contando a história do incrível Lionel Messi, craque do Barcelona, eleito três vezes melhor jogador do mundo. Eu já a conhecia. Para quem não conhece, um resumo. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Lionel Andrés Messi nasceu em Rosário, na Argentina (ninguém é perfeito), em 24 de junho de 1987. Aos oito anos era considerado autista e, aos 13, media 1,10m. Os médicos diziam que ele chegaria no máximo a 1,50m quando adulto. O tratamento contra o nanismo era caríssimo, inviável para os pais do garoto. Eram necessários quatro meses de salário da família pra pagar um mês do tratamento. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Aos 10 anos, o baixinho despontava no Newell's Old Boys, clube que negou pedido do pai de Lionel para bancar o tratamento. A família foi, então, bater à porta do famoso River Plate, que também negou ajuda. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Com o amparo de uma tia, a família Messi foi para Lérida, na Catalunha, Espanha, em 2000. Pouco antes de completar 13 anos, Lionel fazia teste no Barcelona. Nem é preciso dizer que foi imediatamente contratado. A proposta era bancar-lhe um tratamento à base de hormônios. 42 meses depois de tomar injeções diárias, Messi alcançou o tamanho que tem hoje: 1,69m. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em 2004, com 17 anos, contratado como profissional, entrou para a equipe B do Barcelona. Depois de cinco jogos, contudo, começou a jogar na equipe principal. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O resto da história todos conhecem.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pois eu, sem falsa modéstia, poderia ter tido um Messi na vida, claro que sem as características do autismo e do nanismo. Vou contar a história. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Já escrevi aqui que para o futebol sempre fui um perna de pau (&lt;a href="http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/06/jogos-de-bola.html"&gt;Jogos de bola&lt;/a&gt;). Torcia, claro, para um time de Porto Alegre, mas sem fanatismo, como torce a média das pessoas. Não era de ir ao estádio e nem de ficar ouvindo jogos no rádio ou vendo na TV, salvo quando fosse um grande jogo: Grenal, Copa do Mundo, Libertadores, final de brasileiro ou gauchão, etc. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um dia, como acontece naturalmente com muita gente que se multiplica, tive filhos. O segundo a nascer foi um menino. É de praxe que meninos brinquem de carrinho e de bola, e o meu não fugiu à regra. Na segunda série do ensino fundamental percebi alguma coisa estranha naquele menino: era o craque da turma nos recreios da escola. O que fazer? Incentivar, é claro! Sempre que possível, batia bola com ele. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Na terceira série foi para um colégio grande e continuou jogando bola o tempo todo. Um dia, não sei exatamente quando, chegávamos em casa voltando da praia, o guri vestia uma camiseta do Grêmio, aproximou-se um senhor e disse que tinha uma escolinha de futebol e que, se o garoto gostasse, poderia participar. Deu as dicas e no primeiro sábado de tarde lá nos fomos. Os treinos eram num campo onde hoje é a Praça Sport Club Internacional, no miolo entre as ruas General Lima e Silva, Érico Veríssimo, Ipiranga e Dr. Sebastião Leão. Logo em seguida a área foi isolada para urbanização e a gurizada se transferiu para uns campos que havia atrás da Secretaria da Receita Federal, o chocolatão. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O tal senhor que instruía a garotada se chamava Amarante e fora jogador de futebol. A parte que acreditei do que ele disse foi de ter jogado no Guarani de Bagé e no Flamengo de Caxias; quando falou que jogou no Santos, ao lado de Pelé, só fingi ter acreditado. Mas era gente fina. Na época ele tinha um irmão que jogava no Grêmio como zagueiro e um sobrinho no Inter, também zagueiro. Não me lembro o nome deles, mas eram conhecidos. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pois o Amarante, que era zelador de um prédio próximo ao que eu morava, me perguntou um dia se eu queria vaga para meu filho na escolinha do Grêmio, onde uma das equipes precisava de um quarto zagueiro. Dito e feito. Numa tarde de sábado do segundo semestre de 1992 nos apresentou ao Rubem, também um ex-jogador que treinava uma das equipes daquela escolinha e, a partir de então, o garoto, apesar de ter talento pra atacante, ficou guardando um dos lados da entrada da grande área. Naquele ano nunca foi driblado e sua equipe chegou ao quarto lugar da categoria 79/80 no campeonato da escolinha do Grêmio.  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-3mdl2n5JNhQ/TxCrHrDuJDI/AAAAAAAAAhQ/oLabW9yKdbA/s1600-h/clip_image002%25255B5%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="clip_image002" border="0" alt="clip_image002" src="http://lh3.ggpht.com/-tT7MKQyfTIY/TxCrINteKWI/AAAAAAAAAhY/5MHHVJsvMZg/clip_image002_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="500" height="367"&gt;&lt;/a&gt;&lt;i&gt;O time de 1992&lt;/i&gt;  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A escolinha tinha aulas no estádio Olímpico, num dia da semana. Nesses treinos, os meninos faziam exercícios físicos e aprendiam os fundamentos do futebol. Sábados à tarde havia torneio entre as equipes daquela categoria nos campos do Cristal. Para o guri continuar participando em 1993 tive que me associar ao clube. Até que foi bom, porque me obrigou a começar a ir aos jogos do Grêmio.&lt;i&gt;&lt;/i&gt; &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Termina ano, começa ano e, em relação a esse assunto, o que mudou foi o dia dos jogos: como trocou de categoria, em vez de sábados à tarde os jogos passaram para os domingos pela manhã. Imagine no inverno, acordar domingo lá pelas seis e meia para estar no Cristal às oito... Mas lá estávamos: eu, de fora das quatro linhas, todo entrouxado, esfregando as mãos e batendo queixo; o garoto, de calção e camiseta, correndo pela ponta direita, entortando zagueiros e cruzando para a área. Nesse ano, porém, o time para o qual foi sorteado não conseguiu boa classificação, mas pelo menos o guri já estava jogando no ataque.  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/-zQYz76BUsKc/TxCrIhJkU_I/AAAAAAAAAhg/DnIoFYvh36g/s1600-h/clip_image004%25255B5%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="clip_image004" border="0" alt="clip_image004" src="http://lh3.ggpht.com/-KahAeKbUyQE/TxCrJKJaNaI/AAAAAAAAAho/e6wGLrMdOA4/clip_image004_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="500" height="360"&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;i&gt;A equipe de 1993&lt;/i&gt;  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em 1994 sim, começou num time que não tinha pra ninguém. Depois das primeiras goleadas nos adversários — inclusive com vários gols do meu garoto—, os “cartolas” se reuniram e resolveram misturar aqueles atletas nas outras equipes para equilibrar as coisas. Não adiantou. O time para o qual o meu craque foi ficou forte, sagrando-se campeão ao final do ano. Valeram aquelas manhãs frias de domingo na torcida.  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/-w-NiLZPRkM4/TxCrJjs3C4I/AAAAAAAAAhw/J_il40XVGcE/s1600-h/clip_image006%25255B5%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="clip_image006" border="0" alt="clip_image006" src="http://lh3.ggpht.com/-6p7kTC_3vx4/TxCrKe2JobI/AAAAAAAAAh4/JpITsDmovI8/clip_image006_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="500" height="302"&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;i&gt;O time campeão de 1994&lt;/i&gt;  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No ano seguinte, Marcos já não tinha idade pra escolinha. Se quisesse ser jogador de futebol tinha que fazer teste pra categoria sub-15 e, logo em seguida, pra juvenil. E os testes são fortes. Se o sujeito coloca aquilo como um ideal de vida e não é classificado, a frustração é grande e pode ser sentida o resto da vida. Felizmente, ele não quis. Enveredou pro futebol de salão, mas só por diversão, sem objetivo de profissionalizar-se.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Já houve um Garrincha, um Pelé, um Maradona e um Ronaldo (o Fenômeno, porque o outro não conta); agora tem um Messi. Confesso que não troco nenhum deles por aquele que vai continuar sendo o meu craque pelo resto dos meus dias, mesmo sem ter ganho 33 milhões de euros por ano.  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-654141840620837244?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/654141840620837244/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=654141840620837244&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/654141840620837244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/654141840620837244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2012/01/guri-bom-de-bola.html' title='Guri bom de bola'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/-tT7MKQyfTIY/TxCrINteKWI/AAAAAAAAAhY/5MHHVJsvMZg/s72-c/clip_image002_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-7515149199660890077</id><published>2011-12-31T17:23:00.001-02:00</published><updated>2011-12-31T17:23:46.622-02:00</updated><title type='text'>O dia que não precisava existir</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O relógio do computador marcava pouco mais de 10 e meia quando comecei a escrever este texto. Chovia muito na manhã deste 31 de dezembro, o dia que, por mim, não precisava existir. Eu ia começar a falar sobre amargura quando, pela terceira vez neste mês, faltou energia (não estou falando da minha, mas da elétrica). &lt;/p&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;.:: o ::.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Cinco horas se passaram, a energia (a elétrica, não a minha) voltou e posso, finalmente continuar. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eu dizia que, por mim, este 31 de dezembro não precisava existir. Como não posso evitar, e é um dia importante para outras pessoas, pensei em voltar pra cama (isso naquela hora que faltou energia), dormir e só acordar quando fosse o primeiro dia útil do ano que vem. Nem me importaria de não apreciar os fogos, ouvir os foguetes que fazem todos os cachorros do mundo latir desesperadamente e assistir ao show brega da Globo. Se não fosse dormir pra acordar na segunda-feira, outra opção seria ver a meia noite passar como motorista de ônibus, recepcionista de motel, repórter, médico, enfermeiro, faroleiro ou qualquer profissional plantonista, pra passar alheio. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Desde ontem estou amargurado. Não sei por quê. Talvez porque tenha olhado fotos de réveillons passados, das décadas de 80 e 90. Nelas revi meus filhos crescendo ano após ano naquelas festas de família numerosa, cheia de tios, primos, cunhados e cunhadas, concunhados e concunhadas. São vários álbuns de fotos de um tempo que — é óbvio — nunca mais vai voltar. Nenhum tempo volta, mas, quando se fala assim, fala-se de uma circunstância. E essa circunstância — eu com filhos pequenos, depois adolescentes, em festas de fim de ano cheia de parentes, roupas novas, espumantes, salgadinhos, picanhas, costelas, vazios e cervejas, sorrisos, abraços, poses e flashes — não vai mais acontecer. Os filhos das fotos já são gente grande. Hoje, por exemplo, uma está no Rio; o outro, nem tenho ideia, pois não atende ao telefone, não me liga e nem responde o torpedo de Feliz 2012 que mandei de manhã; eu e a mãe desses filhos havíamos nos separado há alguns anos e, neste ano, ela nos deixou; os parentes numerosos eram família dela, não mais faço parte dela... &lt;br&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/-wcALJoYTPkM/Tv9hP0xAcsI/AAAAAAAAAgw/d3fQlBrhSuw/s1600-h/reveillon%25255B4%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="reveillon" border="0" alt="reveillon" src="http://lh6.ggpht.com/-DqY9n9ZWKXg/Tv9hQcY1rUI/AAAAAAAAAg4/58HsOC1F40Y/reveillon_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="500" height="350"&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Enfim, hoje, sem uma grande família, ninguém me convida pra essas festas de ano novo. Depois que inventaram as máquinas fotográficas digitais, qualquer um, ou melhor, procurando ser politicamente correto, todos são capazes de tirar fotos. Minha velha Pentax não é mais necessária. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; 31 de dezembro de 2011 e ficarei restrito a minha mulher e ao filho dela. O réveillon vai ser entre cinco: nós três mais a cachorrinha Lila e a gata Wanda. Sim, vamos comer lentilha e porco, tomar espumante e cerveja e nos abraçarmos à meia noite. Não vou tirar, no entanto, muitas fotos para a posteridade. Vou armar o tripé da câmera na sacada da frente e tentar fotografar os fogos de artifício. Mas até eles têm sido mixurucas nos últimos anos. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não sou disso, mas aqui vai um plano pra 2012: será o último fim de um ano e começo de outro que passo em casa. A partir do próximo, se ninguém me convidar pra algo melhor, adeus, tia Chica, pego a Clarinha e nos vamos mundo afora. Dias como hoje não vão mais existir.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-7515149199660890077?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/7515149199660890077/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=7515149199660890077&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/7515149199660890077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/7515149199660890077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/12/o-dia-que-nao-precisava-existir.html' title='O dia que não precisava existir'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/-DqY9n9ZWKXg/Tv9hQcY1rUI/AAAAAAAAAg4/58HsOC1F40Y/s72-c/reveillon_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-4328472009329730599</id><published>2011-12-18T14:51:00.001-02:00</published><updated>2011-12-18T14:51:05.356-02:00</updated><title type='text'>Nem tanto ao mar, nem tanto à terra</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Algo sobre o recente caso da enfermeira que maltratou um Yorkshire. &lt;br&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Todos devem ter visto na internet o vídeo da mulher — uma enfermeira — maltratando um indefeso cãozinho da raça Yorkshire, jogando-o no chão e dando-lhe chutes. E, ainda por cima, na frente de uma criança. O revoltante caso virou o principal assunto no Facebook, motivando tanto irascíveis protestos como piadas de gosto duvidoso. Cheguei a ler postagens que poderiam ser classificadas como incitação à violência, instigação ao crime.&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A expressão do título — nem tanto ao mar, nem tanto à terra — significa “nem uma coisa nem outra; sem exageros; com equilíbrio”. E é assim que eu procuro manter minhas relações com animais: sem exageros. De jeito nenhum concordo com maus tratos, mas também não admito que eles sejam tratados como filhos ou qualquer membro da família. Abominável o que a enfermeira fez com o Yorkshire; inaceitável, porém, fazer dela a única bandida do mundo, esquecendo-se que há crimes muito piores sendo cometidos sem que alguém se digne, por exemplo, a “fazer ou assinar uma petição” para que o óbvio aconteça. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não consigo entender como alguns têm tanta comiseração com animais, mas não são capazes de se compadecerem com a miséria humana: desde a infância abandonada até a velhice desamparada. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eu tenho dois animais de estimação: uma cadela Poodle — a Lila — e uma gata Himalaia — a Wanda. Também convivo, ocasionalmente, com o Chico, um Yorkshire do meu filho. Pego-os no colo, dou carinho, alimento-os, trato-os quando doentes, mas não os beijo... &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="500"&gt; &lt;tbody&gt; &lt;tr&gt; &lt;td valign="top" width="250"&gt; &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-S5iSrH-pbuU/Tu4Z6je0OUI/AAAAAAAAAf4/kWzGQAgP8Rw/s1600-h/clip_image002%25255B6%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px" title="clip_image002" border="0" alt="clip_image002" src="http://lh6.ggpht.com/-8i-iNuuHNO8/Tu4Z6yMIGUI/AAAAAAAAAgA/XExHke7__ME/clip_image002_thumb%25255B3%25255D.jpg?imgmax=800" width="240" height="273"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt; &lt;td valign="top" width="250"&gt; &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/-xFKkf_y4s7Q/Tu4Z7fQOneI/AAAAAAAAAgI/Vw3f2Oa9NZo/s1600-h/clip_image004%25255B6%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px" title="clip_image004" border="0" alt="clip_image004" src="http://lh3.ggpht.com/-coWRYxSazdQ/Tu4Z74HNKAI/AAAAAAAAAgQ/wJKs14vBN_A/clip_image004_thumb%25255B3%25255D.jpg?imgmax=800" width="240" height="273"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt; &lt;table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0"&gt; &lt;tbody&gt; &lt;tr&gt; &lt;td valign="top" width="288"&gt; &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-S5iSrH-pbuU/Tu4Z6je0OUI/AAAAAAAAAgY/pkyVKDnIN6Q/s1600-h/clip_image002%25255B4%25255D.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt; &lt;td valign="top" width="288"&gt; &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/-xFKkf_y4s7Q/Tu4Z7fQOneI/AAAAAAAAAgc/BsC6htxldC4/s1600-h/clip_image004%25255B4%25255D.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td valign="top" width="576"&gt; &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/-QfE55Wrtg1o/Tu4Z9qRWU2I/AAAAAAAAAgg/SG5Wy1MER44/s1600-h/clip_image006%25255B5%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: 0px; border-left-width: 0px; margin-right: 0px" title="clip_image006" border="0" alt="clip_image006" align="left" src="http://lh4.ggpht.com/-qBvPrGnBmng/Tu4Z-B1VwiI/AAAAAAAAAgo/b3PlZZXZqSE/clip_image006_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="500" height="375"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Recolhi na internet algumas opiniões de especialistas sobre o que considero exagero na relação de humanos com animais. Pra isso, pratiquei saudáveis CtrlCs de alguns sites e apliquei CrtrlVs neste texto. Tudo o que está abaixo saiu da cabeça de outros e, pelo que entendi, assim como maus tratos, apego demais também é problema psicológico. &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: center; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;b&gt;.::o::.&lt;/b&gt;  &lt;p style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ter um animal de estimação em casa pode realmente ser uma ótima ideia. Eles trazem alegria para o lar, são ótimas companhias e, além de tudo, as crianças aprendem com eles a responsabilidade de cuidar de alguém e o valor da amizade. Mas, e quando o amor destinado a esses animais passa dos limites? De acordo com especialistas, é muito comum que as pessoas depositem uma quantidade enorme de amor nos bichos de estimação, e em casos mais extremos, vivam exclusivamente para cuidar destes animais. “Pessoas que apresentam um grau de depressão ou de carência muito elevado estão mais suscetíveis ao apego em excesso pelos seus bichos”, diz o psicólogo Paulo Tessarioli. “Muitas vezes, essas pessoas vivem em função do seu animalzinho, esquecendo-se, muitas vezes, de sua vida social, por exemplo”, diz.&lt;/i&gt;  &lt;p style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Para o psicólogo Hélio Guilhardi, mestre em psicologia experimental pela Universidade de São Paulo, “a convivência prioritária com o animal produz pessoas alienadas do mundo que as cerca”. Ele reconhece que ter um animal é saudável, mas diz que o bicho não deve ser fonte única de carinho. “Relações com animais podem envolver afetos genuínos, mas isso não basta. O afeto entre humanos tem uma riqueza superior e não pode ser dispensado. Excessos afetivos com animais não indicam sensibilidade privilegiada. Pessoas autoritárias, egoístas e metódicas tendem a ter mais facilidade em dirigir seu tônus afetivo para bichos. Conviver com animais torna a vida mais fácil, embora mais fácil não signifique melhor”.&lt;/i&gt;  &lt;p style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De acordo com Paulo Tessarioli, a primeira atitude é se convencer de que o exagero pode ser prejudicial. “Analisar sua postura com seu animal de estimação é o primeiro passo. Se o problema for com outra pessoa, vale tentar conversar, mas sem forçar a barra”. A ideia é mostrar que existem outras coisas na vida além daquele bicho. Mas, alguns casos pedem ajuda profissional. “Quando a pessoa não consegue se desligar do animal, seja por qualquer motivo, o melhor a fazer é procurar um especialista, já que problemas como depressão, desapego à realidade e solidão podem estar envolvidos”.&lt;/i&gt;  &lt;p style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os especialistas explicam que quando as pessoas tratam os animais como se fossem filhos ou quando o elo se torna muito forte entre eles deve-se tomar certos cuidados. “É preciso fazer a distinção entre as espécies, para que possam aprender a cuidar da forma correta. Senão pode até adoecer um animal, por querer que ele seja uma espécie que não é”, ressalta a psicóloga Madalena Cabral Rehder.&lt;/i&gt;  &lt;p style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Além disso, ela explica que o apego excessivo ao animal pode trazer problemas como qualquer outro na vida da pessoa. “Ciúmes, agressão, exagero no cuidado, estresse pelos cuidados excessivos. Se a pessoa age assim, o animal não busca pelas ações livremente e acaba por não desenvolver os hábitos próprios.” &lt;/i&gt; &lt;p style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O veterinário Milton Kolber complementa que as consequências desse apego vão além. “É aquela frase que diz que tudo que é demais não serve. Isto se aplica também ao animal, porque carinho excessivo resulta em mimo e desobediência”. &lt;/i&gt; &lt;p style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Para César Ades, psicólogo especialista em comportamento animal e professor da USP, não há nada de errado em ter todo esse apego aos animais, desde que eles sejam tratados como tal e não como crianças ou gente.&lt;/i&gt;  &lt;p style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Segundo a psicóloga Regina Reis Joana Ribeiro, do ponto de vista clínico, o bicho de estimação é saudável até certo ponto. Quando este ponto é ultrapassado, há uma “humanização” do cachorro. Em contra-partida, justifica que “a partir do momento que um animal selvagem por natureza passa por um processo de urbanização para viver dentro de um domicílio, já estamos humanizando-o”.&lt;/i&gt;  &lt;p style="text-align: center; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;b&gt;.::o::.&lt;/b&gt;  &lt;p style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Agora sou eu de novo. Os textos acima se referem às relações de humanos com seus próprios animais de estimação. Há, ainda, aquelas pessoas que se envolvem demasiadamente com quaisquer animais, exagerando na comiseração, esquecendo-se de que podem haver outras causas envolvendo a raça humana que mereçam mais atenção. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Com esse caso da enfermeira que maltratou o cãozinho, o Facebook tornou-se o muro das lamentações dos hiper defensores dos animais, tanto dos abandonados como dos maltratados. Eu não gosto da palavra que vou usar, porque seu emprego é pejorativo, resultante de antiga tradição antissemita de origem européia, mas tem muita judiação não vista e não atacada pelos mesmos usuários do Facebook ou de outra rede social qualquer.  &lt;p style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;b&gt;Enquanto isso...&lt;/b&gt;  &lt;p style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Acredita-se que atualmente chegue perto de oito milhões o quantitativo de crianças abandonadas no Brasil. Destas, cerca de dois milhões vivem permanentemente nas ruas, envolvidos com prostituição, drogas e pequenos furtos. Um número expressivo, demonstrando que não foram aplicadas políticas eficazes para a redução da triste realidade apresentada já em 1994, quando existiam sete milhões, segundo levantamento da Organização Mundial de Saúde &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;(OMS)&lt;b&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-4328472009329730599?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/4328472009329730599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=4328472009329730599&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/4328472009329730599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/4328472009329730599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/12/nem-tanto-ao-mar-nem-tanto-terra.html' title='Nem tanto ao mar, nem tanto à terra'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/-8i-iNuuHNO8/Tu4Z6yMIGUI/AAAAAAAAAgA/XExHke7__ME/s72-c/clip_image002_thumb%25255B3%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-4148611280812084852</id><published>2011-11-19T17:53:00.001-02:00</published><updated>2011-11-19T17:53:36.383-02:00</updated><title type='text'>O vento</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;&lt;i&gt;O pessimista se queixa do vento, o otimista&lt;br&gt;espera que ele mude e o realista ajusta as velas. &lt;/i&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="right"&gt;William George Ward (teólogo inglês, séc. XIX)  &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Chega o fim da tarde e traz junto o vento da primavera. Eu o chamo de Vento Gonçalves, porque da janela vejo a rua que homenageia o outro Gonçalves, aquele mesmo, o Bento da Revolução Farroupilha, e faço uma comparação entre ambos. Da janela também vejo os arranha céus da Bela Vista sendo lambidos pelos últimos raios do sol deste horário de verão.  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-AgY0bfqGfSA/TsgJPTTXZcI/AAAAAAAAAfk/2499uuLtAxQ/s1600-h/clip_image002%25255B5%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="clip_image002" border="0" alt="clip_image002" src="http://lh3.ggpht.com/-9hJc7-WwiEU/TsgJP0DL19I/AAAAAAAAAfs/zgoy9t4oGfQ/clip_image002_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="500" height="306"&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Gosto do horário de verão. A mim parece que a luz do sol sobre a cidade fica mais bonita. O vento, em compensação, me deprime. Não gosto de vento, especialmente desse que assovia pelas frestas da mesma janela (e de todas as outras) por onde aprecio a beleza do fim de tarde. Sou como o pessimista da frase de William George Ward. Olho pra fora e vejo que o vento, de tão forte, também incomoda aquelas mulheres cujos cabelos, de tão duros, não sei qual é o pente que os penteia. Logo, logo passa voando desesperadamente um saquinho plástico branco, retorcendo-se todo à procura de um galho de árvore ou de uma malha de fios da rede elétrica onde possa enroscar-se e ali permanecer pelos próximos 30 ou 40 anos, que é o tempo que leva para se decompor. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em novembro venta muito. Ventou tanto no feriadão do aniversário da Proclamação da República que nem saí de casa. Não me recordo de um novembro anterior tão ventoso como o deste ano, mas a gente nunca se lembra de ventos, chuvas, calores e frios passados. Ainda bem que existem os jornais para estamparem na capa e as mocinhas do tempo dos telejornais para nos lembrarem que “há ‘x’ anos não ventava tanto” ou “não chovia tanto” ou “não fazia tanto calor” ou “tanto frio”; ainda bem que também existem os meteorologistas pra guardar os registros dessas efemérides e os informar à imprensa. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O ruído do vento se confunde com o barulho dos ônibus que passam aqui embaixo. Às vezes penso que é um, mas é o outro. Só percebo que é o vento quando fica muito tempo zunindo, pois um ônibus acelerado não demoraria tanto pra passar. Olho para um pouco mais longe, em direção ao Morro Santana, e vejo uma fumaça branca como se fosse uma nuvem se arrastando célere e serelepe sobre os prédios da PUC. É uma imagem borrada. Se não tivesse vento, a fumaça subiria numa coluna levemente inclinada em direção às igualmente brancas nuvens, misturando-se a elas e tornando bucólica a paisagem que vislumbro. Ah, o vento que esfumaça a fumaça... &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; À medida que o sol se esconde, mais o vento zumbi e zomba de mim, soprando pelas frestas das janelas, soando feito vaia da torcida ao time adversário: uhuhuhuhUHUHUHUHuhuhhu! uhuhuhuhUHUHUHUHuhuhhu! As esquadrias de alumínio das duas lâminas das portas envidraçadas das sacadas batem-se uma contra a outra. E são duas as sacadas. É preciso embuchá-las com um papelão dobrado. Fecho as persianas fabricadas com o leve PVC. Ah, mas elas, como eu, também não suportam o vento e, irrequietas, esfregam-se contra o trilho que as guia pra baixo e pra cima. É mais um ruído intermitente fazendo coro com a descontínua vaia do vento. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Finalmente anoitece. Onde antes havia a luz do sol da primavera há, agora, a iluminação pública. A lua é minguante e só vai aparecer lá pela meia-noite, mesmo assim produzindo pouco brilho. Dizem que é nesse período de lua minguante que devemos aproveitar para nos livrar do que não mais precisamos, fazer limpeza doméstica, finalizar tarefas começadas, resolver assuntos pendentes, largar situações insatisfatórias. Dizem que tudo perde um pouco a intensidade e a importância. Espero que seja verdade e que este vento de novembro perca a intensidade.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Puxa! Nem tinha me dado conta: enquanto escrevia o que meu coração sentia, o vento virou brisa. Encerro, então, com uma frase do padre António Vieira (religioso, escritor e orador português, séc. XVII):  &lt;p&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Para falar ao vento bastam palavras, para falar ao coração são necessárias obras.&lt;/i&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-4148611280812084852?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/4148611280812084852/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=4148611280812084852&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/4148611280812084852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/4148611280812084852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/11/o-pessimista-se-queixa-do-vento-o.html' title='O vento'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/-9hJc7-WwiEU/TsgJP0DL19I/AAAAAAAAAfs/zgoy9t4oGfQ/s72-c/clip_image002_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-294763898761021130</id><published>2011-10-13T15:56:00.001-03:00</published><updated>2011-10-13T15:56:25.851-03:00</updated><title type='text'>Época pra ser criança</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt; &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-F4JCFL1URFk/Tpc0REJw85I/AAAAAAAAAeA/90q-B358rf8/s1600-h/shurato%25255B4%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: 0px; border-left-width: 0px; margin-right: 0px" title="shurato" border="0" alt="shurato" align="right" src="http://lh6.ggpht.com/-S8LFFZQ5Zao/Tpc0Rq9EXEI/AAAAAAAAAeI/2uP22mTi0pc/shurato_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="115" height="240"&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Na semana que antecedeu o Dia das Crianças, um amigo — que foi criança na década de 90 — postou no Facebook um trecho de uma animação japonesa que passava na TV. Era um tal de Shurato, de quem nunca ouvi falar, porque meu contato com programação infantil encerrou-se na década de 80. Na ocasião da postagem, fez o seguinte comentário: “sinto pena da criançada de hoje, que não tem coisas tão legais assim”. Me senti na obrigação de responder, dizendo: “Não fiques com pena dos que não têm o que tiveste, senão me sentirei obrigado a sentir pena de ti, que não teve o que eu tive...” Ao que o sujeito, não entendendo o que eu quis dizer, respondeu: “Sinta-se livre para sentir o que quiser, independente das minhas emoções. Acho difícil eu invejar a tua geração, uma vez que na minha já existia propaganda contra cigarro”. Resolvi parar por aí e até agora estou sem saber o que uma coisa tem a ver com a outra, assim como não sei o que pena tem a ver com inveja e Shurato com cigarro. Afinal, de acordo com Shakespeare, “só sou responsável pelo que eu falo, não pelo o que você entende”. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sinto pena — no sentido de compaixão, piedade, comiseração — de o amigo não ter entendido que vivemos tempos distintos e que não existe isso de uma época ser melhor que outra; pena que ele não sabe que cada um viveu suas experiências da melhor maneira que pode; pena que trouxe a discussão para outro lado. Em todo caso, já que me liberou pra sentir o que quiser, confesso que não sinto invejo nem pena de alguém que se emocionou com um “herói” japonês de olho grande que fala fazendo gestos marciais. Aliás, como todos os super heróis orientais... Talvez se existissem troços assim no meu tempo de criança eu também fosse fã. Como, porém, posso saber, se no meu tempo não havia essas maravilhas? &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nasci no último ano da década de 40. Fui criança na de 50 e parte da de 60. Morava com minha família em uma casa, assim como todos os meus amigos de rua e colegas de escola, pois, naquela época, eram raríssimos os edifícios no bairro Higienópolis. Meu colégio ficava a cerca de um quilômetro da minha casa. Eu e outros meninos e meninas da minha rua e de ruas próximas íamos a pé até a Escola Santa Maria Goretti. As freiras nos recebiam na entrada. Da mesma forma voltávamos, juntos, fazendo algazarra pela rua. &lt;br&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/-V0zpmP3Zp8M/Tpc0SArLhlI/AAAAAAAAAeQ/jXIKhUIsL4U/s1600-h/carrinho%25255B4%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: 0px; border-left-width: 0px; margin-right: 0px" title="carrinho" border="0" alt="carrinho" align="left" src="http://lh3.ggpht.com/-5zCeWJkSXYs/Tpc0S1zs9qI/AAAAAAAAAeY/10-lP6KNTsM/carrinho_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="240" height="155"&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Depois de fazer os “temas”, a turma se encontrava na pracinha em frente a minha casa. Lá se jogava de tudo (já escrevi sobre isso em &lt;a href="http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/06/jogos-de-bola.html" target="_blank"&gt;Jogos de bola&lt;/a&gt;). Além dos jogos, brincávamos de mocinho e bandido, de esconder, de pegar; por um cordãzinho puxávamos pequenos carrinhos de madeira, empinávamos pandorgas; andávamos de bicicleta, fazíamos carrinhos de lomba, enfim, uma infinidade de coisas somente possíveis a quem morava em um bairro residencial. E, com exceção do centro da cidade, todos os bairros eram residenciais na década de 50. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Depois da janta, a diversão da família (naquela época uma famímlia tinha um pai, uma mãe e pelo menos dois filhos) era reunir-se na sala, em torno do rádio (leia &lt;a href="http://www.bomdiars.com/colunistas/aldo-jung/o-radio/" target="_blank"&gt;O rádio&lt;/a&gt;). E foi assim até o surgimento da televisão, no início da década seguinte, quando o foco mudou. Nos sábados, como não tinha aula, passávamos o dia todo na rua. Nas manhãs de domingo íamos a missa; nas tardes, aos matinês dos cinemas. Havia pelo menos seis cinemas nas proximidades. Antes dos filmes, assistíamos a animações: Pica Pau, Tom e Jerry, Gato Felix, Dom Pixote, Zé Colmeia, Snoopy. Depois&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/-zuYschINslE/Tpc0TQ8JXwI/AAAAAAAAAeg/Aso9ugwxM8c/s1600-h/o%252520dia%252520em%252520que%252520a%252520terra%252520parou%25255B4%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: 0px; border-left-width: 0px; margin-right: 0px" title="o dia em que a terra parou" border="0" alt="o dia em que a terra parou" align="right" src="http://lh3.ggpht.com/-NBskrOg7iHI/Tpc0TyzgFBI/AAAAAAAAAeo/_XUcOWgRVxQ/o%252520dia%252520em%252520que%252520a%252520terra%252520parou_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="169" height="240"&gt;&lt;/a&gt; vinham os filmes de faroeste, com John Wayne, Gregory Peck, Richard Widmark; os de ficção científica, como &lt;i&gt;O dia em que a Terra parou&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Guerra dos mundos&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Planeta&lt;/i&gt; &lt;i&gt;proibido&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Vampiros de alma&lt;/i&gt;, entre outros (todos refilmados recentemente); os épicos históricos e religiosos, como &lt;i&gt;Quo Vadis&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Ben-Hur&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Spartacus&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Lawrence&lt;/i&gt; &lt;i&gt;da&lt;/i&gt; &lt;i&gt;Arábia&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Cleopatra&lt;/i&gt;, além das comédias e dos romances. O legal era levar aquele monte de revistas em quadrinhos pra trocar no intervalo entre os dois filmes que passavam. E era com algumas dessas revistas que tínhamos contato com cowboys famosos (Roy Rogers, Durango Kid, Tom Mix, Buffalo Bill, Buck Jones, Hopalong Cassidy) e com super heróis, não orientais, mas norte-americanos: Super Homem, Batman, Fantasma, Homem de Ferro, Capitão América, etc. Pelo jeito, estes continuam “emocionando” também as crianças de hoje, pois volta e meia um deles aparece nas telas do cinema. &lt;br&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/-hR9C7OlmIr4/Tpc0UYcWYiI/AAAAAAAAAew/c7QfRQ2vkv8/s1600-h/citroen%25255B5%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: 0px; border-left-width: 0px; margin-right: 0px" title="citroen" border="0" alt="citroen" align="left" src="http://lh4.ggpht.com/-ZT_NH5WyVUs/Tpc0U5LF5qI/AAAAAAAAAe4/ydYV8JRozRc/citroen_thumb%25255B3%25255D.jpg?imgmax=800" width="240" height="145"&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No caso específico da minha família, no verão passávamos alguns dias em Ipanema — não no Rio de Janeiro, mas no bairro homônimo de Porto Alegre —, onde tínhamos um chalé. Como era longe! O Citroën do meu pai ia lotado. Outras vezes, íamos de barca à praia da Alegria, no outro lado do Guaíba. Isso quando eu não ia pescar com meu pai na Ilha da Pintada. Voltávamos sem peixe algum, pois os devolvíamos para a água... &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Tomo a liberdade de reproduzir o texto que minha amiga Sandra Fagundes postou ontem, Dia das Crianças, no Facebook.  &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;“Quando eu era criança gostava de dias de chuva, às vezes a nossa rua inundava e a gente tomava uns banhos de piscina, banho de mangueira, de tanque, de bexiguinha, ficava o dia inteiro montando casinha e depois tinha que desmanchar tudo porque a mãe chamou...odiava comer e dormir porque era perda de tempo, brincava de 5 marias, elástico, polícia-ladrão. E tem um detalhe eu tinha um grandalhão palh... aço que aprontava junto. Meu pai. Ele fez os móveis da Susy, a minha mãe fez as roupinhas, dia da criança tinha brincadeiras especiais....Não pude ser tudo isso para meus filhos, a correria nem sempre deixou, a vida mudou, entraram os eletrônicos, mas fui a quase todos os lugares que achei que não podiam faltar... Agora espero pelos netos e com eles sim certamente vou voltar a ser criança... Gracias a la vida...”&lt;/i&gt; &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ela tem uns quinze anos a menos do que eu (me perdoa se for mais, Sandra), mas se vê que ainda na época em que ela foi criança as brincadeiras ao ar livre e a liberdade para viver eram bem maiores do que as das crianças nas décadas de 80 e 90 e das de hoje em dia. &lt;br&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-bzP1UGqBdRQ/Tpc0VfjDEjI/AAAAAAAAAfA/T2vWGXteKhw/s1600-h/bal%2525C3%2525A3o%252520m%2525C3%2525A1gico%25255B4%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: 0px; border-left-width: 0px; margin-right: 0px" title="bal&amp;atilde;o m&amp;aacute;gico" border="0" alt="bal&amp;atilde;o m&amp;aacute;gico" align="right" src="http://lh6.ggpht.com/-SKcPv9X_ktk/Tpc0WEXWLDI/AAAAAAAAAfI/tS6xKD8a2N4/bal%2525C3%2525A3o%252520m%2525C3%2525A1gico_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="240" height="204"&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Meus filhos foram criança na década de 80. Posso dizer que não tiveram a mesma sorte que eu, de terem sido criados em uma casa, pois sempre viveram em apartamento. E no Bom Fim, bairro movimentado. Não tinham uma pracinha em frente à casa, mas curtiram a Redenção; também podiam ir a pé para as respectivas escolas e chegaram a pegar alguns matinês no Baltimore. Sem fanatismos, foram baixinhos da Xuxa, como todos daquela época. Se eram felizes com aquilo, não seria eu a censurá-los. Afinal, cresceram e são felizes, mesmo tendo assistido à Xuxa, ao He-Man e aos Thundercats na TV. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Acho que a criançada de hoje, mesmo sem jogar bola na calçada ou soltar pandorga na pracinha — e sem assistir ao anime do Shurato —, além de não ser digna de “pena”, será feliz no futuro, porque, a seu tempo, diverte-se e passa o tempo com excelentes videogames, computadores e internet. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quem sou eu, então, pra dizer que as coisas do meu tempo eram melhores que as de hoje? A única diferença é que eu “vivi” e “vi” coisas que não se vive e não se vê hoje. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-294763898761021130?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/294763898761021130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=294763898761021130&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/294763898761021130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/294763898761021130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/10/epoca-pra-ser-crianca.html' title='Época pra ser criança'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/-S8LFFZQ5Zao/Tpc0Rq9EXEI/AAAAAAAAAeI/2uP22mTi0pc/s72-c/shurato_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-2055149010648503568</id><published>2011-09-27T20:47:00.002-03:00</published><updated>2011-09-27T20:49:11.833-03:00</updated><title type='text'>Para evitar recidivas I</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Muitos já leram a expressão do título em bulas de medicamentos, geralmente para doenças infecciosas. Recidiva é o substantivo feminino do adjetivo recidivo, que é aquele que reincide, que torna a errar, ou aquilo que reaparece (no caso de um sintoma ou doença). Em direito penal recidiva é, então, uma recaída na mesma falta, no mesmo crime; reincidência. Em medicina, é o reaparecimento de uma doença ou de um sintoma, após período de cura mais ou menos longo; recorrência. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Vai daí que devem estar me perguntando: tá, e daí? Daí que respondo: é que nas próximas duas postagens vou falar sobre alguns emails que, volta e meia (leia-se há alguns anos), reaparecem na minha caixa de entrada, ou seja, são recidivas de uma infecção viral que vou classificar como ignorância. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um deles é sobre um benefício pago pela previdência social chamado “auxílio-reclusão”; outro é sobre uma tal de “justiça volante”; e por fim um sobre uma emenda à Lei nº 11.915, que instituiu o Código Estadual de Proteção aos Animais, no âmbito do Estado do Rio Grande do Sul. &lt;/p&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;.:: o ::.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eu já li várias vezes na internet que é para desconfiar de emails com textos sensacionalistas, em que o autor usa muitas exclamações ou interrogações ao final das frases. Pois nesses três casos, os textos dos emails são assim.  &lt;p&gt;Nesta postagem vou tratar do auxílio-reclusão e da justiça volante.  &lt;p&gt;&lt;b&gt;AUXÍLIO-RECLUSÃO&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;div style="text-align: justify; color: #000000; font-size: 12px"&gt; &lt;table border="0" cellspacing="0" cellpadding="5" width="500" bgcolor="#cccccc" align="center"&gt; &lt;tbody&gt; &lt;tr&gt; &lt;td valign="top"&gt; &lt;p&gt;Assunto: Portaria nº 48, de 12/2/2009, do INSS&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td valign="top" width="576"&gt; &lt;p&gt;DIVULGUEM AO MÁXIMO  &lt;p&gt;Incrível !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!  &lt;p&gt;As Centrais Sindicais chiaram com o "aumento" do salário mínimo p/ R$ 545,00, porém não estão discordando do aumento do "salário presidiário" para R$ 810,00! &lt;br&gt;Será que os sindicalistas e os governantes do Brasil acreditam que um criminoso merece uma remuneração superior a de um trabalhador???? &lt;br&gt;A REFERIDA PORTARIA JÁ FOI REVOGADA PELA DE Nº 333, DE 1º/06/2010 NA QUAL O VALOR DO SALARIO FAMILIA PRESIDIARIO PASSOU A SER DE R$ 810,18 ! ! ! E TEM MAIS. . . &lt;br&gt;NO CASO DE MORTE DO "POBRE PRESIDIÁRIO", A REFERIDA QUANTIA DO AUXÍLIO- RECLUSÃO PASSA A SER "PENSÃO POR MORTE". &lt;br&gt;O GRANDE LANCE É ROUBAR OU MATAR PARA SER PRESO E ASSIM SUSTENTAR CONDIGNAMENTE A SUA PROLE. &lt;br&gt;ISTO É INADMISSÍVEL ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! INCENTIVO À CRIMINALIDADE ! !  &lt;p&gt;Você sabe o que é o AUXÍLIO RECLUSÃO?  &lt;p&gt;Todo presidiário com filhos tem direito a uma bolsa que, a partir de 1/1/2010 é de R$ 798,30 por filho para sustentar a família, já que o coitadinho não pode trabalhar para sustentar os filhos por estar preso. Mais que um salário mínimo que muita gente por aí rala pra conseguir e manter uma família inteira. &lt;br&gt;Ou seja, (falando agora no popular pra ser entendido): &lt;br&gt;Bandido com 5 filhos, além de comandar o crime de dentro das prisões, comer e beber nas costas de quem trabalha e/ou paga impostos, ainda tem direito a receber auxílio reclusão de R$ 3.991,50 da Previdência Social. &lt;br&gt;Qual pai de família com 5 filhos recebe um salário suado igual ou mesmo um aposentado que trabalhou e contribuiu a vida inteira e ainda tem que se submeter ao fator previdenciário? &lt;br&gt;Mesmo que seja um auxílio temporário, prisão não é colônia de férias. &lt;br&gt;Isto é um incentivo a criminalidade. Que politicos e que governo é esse????? &lt;br&gt;Não acredita? &lt;br&gt;Confira no site da Previdência Social.  &lt;p&gt;Portaria nº 48, de 12/2/2009, do INSS &lt;br&gt;http://www.previdenciasocial.gov.br/conteudoDinamico.php?id=22  &lt;p&gt;Pergunto-lhes:  &lt;p&gt;1. Vale a pena estudar e ter uma profissão? &lt;br&gt;2. Trabalhar 30 dias para receber salário mínimo de R$545,00, fazer malabarismo com orçamento pra manter a família? &lt;br&gt;3. Viver endividado com prestações da TV, do celular ou do carro que você não pode ostentar pra não ser assaltado? &lt;br&gt;4. Viver recluso atrás das grades de sua casa? &lt;br&gt;5. Por acaso os filhos do sujeito que foi morto pelo coitadinho que está preso, recebe uma bolsa de R$798,30 para seu sustento? &lt;br&gt;6. Já viu algum defensor dos direitos humanos defendendo esta bolsa para os filhos das vítimas?  &lt;p&gt;MOSTRE A TODOS O QUE OCORRE NESSE PAÍS!!!&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;(Obs: não formatei com as cores e o tamanho da fonte do email original)&lt;/p&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pois bem, recebi de novo esse email nessa semana, acho que pela 20º vez, como tem acontecido desde o primeiro mandato do presidente Lula. A aberração começa pelo “assunto”: Portaria nº 48, de 12/2/2009, do INSS. Ora, estamos em setembro de 2011 e o número das portarias do INSS já deve andar pela casa dos 500. Depois de várias interjeições e expressões entre aspas, o autor pergunta se o leitor sabe o que é o auxílio-reclusão. Na primeira linha diz que é uma “bolsa” de R$ 798,30 que, a partir 01/01/2010 todo presidiário com filho tem direito. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ué? A data não era 12/02/2009? O valor não era R$ 810,00 como diz no começo do email? &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em seguida, diz que um bandido com cinco filhos recebe R$ 3.991,50 da Previdência Social (Isso é o resultado de R$ 798,30 vezes 5). &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Logo após, deduz que esse benefício é um “incentivo à criminalidade”, questiona que políticos e que governo &lt;i&gt;é esse&lt;/i&gt; (SIC) e dá um link para o leitor conferir no site da Previdência Social. Como normalmente os leitores não conferem, acabam passando adiante a mensagem e junto com ela um atestado de ignorância. Se conferissem, veriam que não é nada disso que está posto no email. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sugiro que o meu leitor confira clicando &lt;a href="http://www.previdenciasocial.gov.br/conteudoDinamico.php?id=22" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Se, no entanto, não quiser, dou uma breve explicação. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “O auxílio-reclusão é um benefício devido aos dependentes do segurado recolhido à prisão, durante o período em que estiver preso sob regime fechado ou semi-aberto. Não cabe concessão de auxílio-reclusão aos dependentes do segurado que estiver em livramento condicional ou cumprindo pena em regime aberto. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Para a concessão do benefício, é necessário o cumprimento dos seguintes requisitos:  &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;- o segurado que tiver sido preso não poderá estar recebendo salário da empresa na qual trabalhava, nem estar em gozo de auxílio-doença, aposentadoria ou abono de permanência em serviço;&lt;br&gt;- a reclusão deverá ter ocorrido no prazo de manutenção da qualidade de segurado;&lt;br&gt;- o último salário-de-contribuição do segurado (vigente na data do recolhimento à prisão ou na data do afastamento do trabalho ou cessação das contribuições), tomado em seu valor mensal, deverá ser igual ou inferior aos seguintes valores, independentemente da quantidade de contratos e de atividades exercidas, considerando-se o mês a que se refere: (segue-se uma tabela de valores, cujo mais recente é a partir de 15/7/2011 – R$ 862,60 – Portaria nº 407, de 14/07/2011.)” &lt;a href="http://lh3.ggpht.com/-bxHgkINSCzM/ToJgcDBsiYI/AAAAAAAAAd4/2qq1NPL9JCM/s1600-h/reclus%2525C3%2525A3o%25255B5%25255D.jpg"&gt;&lt;img title="reclus&amp;atilde;o" border="0" alt="reclus&amp;atilde;o" align="right" src="http://lh5.ggpht.com/-JbXOSOksQG4/ToJgc1AbnAI/AAAAAAAAAd8/HphAcs9pvmQ/reclus%2525C3%2525A3o_thumb%25255B3%25255D.jpg?imgmax=800" width="172" height="400"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Enfim, só têm direito ao benefício quem for &lt;b&gt;SEGURADO&lt;/b&gt;, ou seja, quem contribui mensalmente para a Previdência Social, o auxílio é limitado a quem ganha até R$ 862,60, e este valor é &lt;b&gt;dividido entre todos os dependentes&lt;/b&gt; (no caso do exemplo do email, cada filho ganharia R$ 172,52). &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Você acha que aquele assaltante contumaz, que rouba carteiras, cordões de ouro, celulares, etc. contribui mensalmente com 20% do resultado do seu trabalho para o INSS (desde que seus assaltos rendam até R$ 862,60, é óbvio)? Por outro lado, os grandes traficantes, mesmo que contribuam mensalmente para a previdência, têm vencimentos superiores ao teto do auxílio-reclusão. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De acordo com o site &lt;a href="http://www.observatoriosocial.org.br/conex2/?q=node/3678" target="_blank"&gt;Observatório Social&lt;/a&gt;, esse benefício é do tempo dos Institutos de Aposentadoria e Pensões, começou no dos marítimos (IAPM) e tinha também o dos bancários (IAPB). O benefício foi mantido na Lei nº 3.807, de 26 de agosto de 1960, e está previsto no inciso IV do artigo 201 da Constituição Federal de 1988. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O auxílio-reclusão é, portanto, muito anterior à chegada de Lula à presidência, como quis fazer crer o autor do email e seus encaminhadores. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Percebe-se que o autor do email é um sujeito esquentadinho. Basta ver a quantidade de exclamações e maiúsculas no seu texto. Queira Deus que seu temperamento não faça com que — se ainda estiver vivo — um dia desentenda-se com o amante de sua esposa e desfira-lhe um tiro na cara. Se, no entanto, isso acontecer e for preso, seus dependentes receberão o auxílio-reclusão, desde que seus rendimentos mensais não sejam superiores a R$ 862,60. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Dados divulgados pelo Conselho Nacional de Justiça indicam que a população carcerária brasileira é de quase 495 mil presos. O Boletim Estatístico da Previdência Social, por sua vez, diz que foram pagos 18.833 benefícios do tipo auxílio-reclusão em 2010. Isso quer dizer que 3,8% dos presos receberam o auxílio-reclusão no ano passado, com uma média de R$ 658,83 por mês para cada detento. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A propósito: este benefício existe em países ditos “civilizados”, de “primeiro mundo” ou seja qual for o qualificativo que os detratores do Brasil preferirem usar para classificar outras nações.  &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;.:: o ::.&lt;/b&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;JUSTIÇA VOLANTE&lt;/b&gt;  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Esse email não é mal-intencionado, apenas denota que seus encaminhadores ouviram o galo cantar, mas não sabem onde (nem tentaram descobrir). &lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify; color: #000000; font-size: 12px"&gt; &lt;table border="0" cellspacing="0" cellpadding="5" width="500" bgcolor="#cccccc" align="center"&gt; &lt;tbody&gt; &lt;tr&gt; &lt;td valign="top" width="576"&gt; &lt;p&gt;Esta é informação real, já conferi... &lt;br&gt;Olha a gente perdendo o Direito por não utilizar. &lt;br&gt;JUSTIÇA VOLANTE (VALE A PENA SABER E DIVULGAR). &lt;br&gt;O novo número da JUSTIÇA VOLANTE : é 0800 644 2020.  &lt;p&gt;Sabe aqueles acidentes de trânsito chatos, discussões sobre de quem é a culpa, etc &amp;amp; etc..Há um serviço público chamado Justiça Volante. Se você se envolver em acidente de trânsito, ligue 0800-644-2020. São cinco viaturas equipadas com Juizado de Pequenas Causas, e, oficialmente, todo mundo sai de dentro da Van como se tivesse saído de um tribunal. &lt;br&gt;Parece que o serviço está prestes a acabar simplesmente porque ninguém liga. Ninguém conhece. Transmita para quem puder, e guarde o número em seu celular.  &lt;p&gt;IMPORTANTE SABER E REPASSAR AO MÁXIMO.  &lt;p&gt;Gostaria muito que esta informação chegasse ao máximo de pessoas que você conhece. Este é o tipo de informação que 'é direito do povo', mas que o povo não sabe! Fora que esse dinheiro com certeza deve ir para o bolso de alguém, se não for, deve ajudar de alguma forma negativamente para quem tem veículos furtados ou roubados! &lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/div&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Esse texto não está cheio de pontos de exclamação e nem grita com muitas maiúsculas. Só que o autor/encaminhador mentiu ao dizer que conferiu a informação: isso nunca existiu no Rio Grande do Sul... &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A Justiça Volante foi criada no Espírito Santo, há 15 anos, como juizado especial, pelo magistrado Pedro Valls Feu Rosa e serviu de modelo para outros estados. Além de estar presente em municípios da Grande Vitória (ES), é encontrada em Aracaju (SE), Cuiabá (MT), João Pessoa (PB) e Distrito Federal. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Confira clicando &lt;a href="http://www.quatrocantos.com/LENDAS/153_justica_volante.htm" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;.  &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;.:: o ::.&lt;/b&gt;  &lt;p&gt;Na próxima postagem vou falar sobre sacrifício de animais. Clique e leia “&lt;a href="http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/09/para-evitar-recidivas-ii.html"&gt;Para evitar recidivas II&lt;/a&gt;”.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-2055149010648503568?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/2055149010648503568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=2055149010648503568&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/2055149010648503568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/2055149010648503568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/09/para-evitar-recidivas-i.html' title='Para evitar recidivas I'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh5.ggpht.com/-JbXOSOksQG4/ToJgc1AbnAI/AAAAAAAAAd8/HphAcs9pvmQ/s72-c/reclus%2525C3%2525A3o_thumb%25255B3%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-7633384957558911573</id><published>2011-09-27T20:43:00.002-03:00</published><updated>2011-09-27T20:50:01.519-03:00</updated><title type='text'>Para evitar recidivas II</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 12px"&gt;(Continuação de “&lt;a href="http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/09/para-evitar-recidivas-i.html"&gt;Para evitar recidivas I&lt;/a&gt;”)&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;SACRIFÍCIO DE ANIMAIS&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em julho de 2004, o então governador do RS, Germano Rigotto, sancionou projeto de lei acrescentando parágrafo único a um dos artigos do Código Estadual de Proteção aos Animais, com a seguinte redação: “Não se enquadra nessa vedação o livre exercício dos cultos e liturgias das religiões de matriz africana”. A proposta de inclusão do parágrafo foi do então deputado Edson Portilho (PT). &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O Código Estadual de Proteção aos Animais foi instituído pela Lei nº 11.915, de maio de 2003. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Na ocasião, foi geral a gritaria dos defensores dos animais. Saltaram abaixo-assinados de tudo quanto foi lado para tentar proibir a inclusão do parágrafo, sob a alegação que assim se estaria permitindo tortura e sacrifício de animais em rituais religiosos. Essas pessoas “politicamente corretas” acabaram fazendo juízes e desembargadores perderem seu tempo, mas não levaram e o texto da lei ficou como sancionado pelo governador. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pois bem, como nos exemplos anteriores (leia “Para evitar recidivas I”), gente que passa a vida ouvindo o galo cantar sem saber onde, resolveu “noticiar” o fato como se novo fosse. A “informação” passou dos emaisl ao facebook, com títulos do tipo “Aprovada Lei que permite TORTURA de animais”; “VAMOS COMPARTILHAR! NÃO DEIXE QUE UM ANIMAL COMO ESTE DESTRUA A PRÓPRIA RAÇA!”. Como alguns(as) “amigos(as)” meus publicaram em seus murais a “novidade”, fui atrás do divulgador. Descobri um cara que provocou nada mais nada menos do que 11.507 compartilhamentos, 11.704 comentários e 13.940 pessoas curtiram sua postagem. Se acrescentarmos aí os que compartilharam os compartilhamentos, a que número chegaremos? &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De acordo com o Art. 2º da Lei que instituiu o Código Estadual de Proteção aos Animais, é vedado:  &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;I - ofender ou agredir fisicamente os animais, sujeitando-os a qualquer tipo de experiência capaz de causar sofrimento ou dano, bem como as que criem condições inaceitáveis de existência;&lt;br&gt;II - manter animais em local completamente desprovido de asseio ou que lhes impeçam a movimentação, o descanso ou os privem de ar e luminosidade;&lt;br&gt;III - obrigar animais a trabalhos exorbitantes ou que ultrapassem sua força;&lt;br&gt;IV - não dar morte rápida e indolor a todo animal cujo extermínio seja necessário para consumo;&lt;br&gt;V - exercer a venda ambulante de animais para menores desacompanhados por responsável legal;&lt;br&gt;VI - enclausurar animais com outros que os molestem ou aterrorizem;&lt;br&gt;VII - sacrificar animais com venenos ou outros métodos não preconizados pela Organização Mundial da Saúde - OMS -, nos programas de profilaxia da raiva. &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt;Parágrafo único - Não se enquadra nessa vedação o livre exercício dos cultos e liturgias das religiões de matriz africana. (Incluído pela Lei n° 12.131/04)  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ocorre que na mesma ocasião em que o governador sancionou Lei 12.131, também assinou o Decreto nº 43.252, que em seu Art. 2º diz que “Para o exercício de cultos religiosos, cuja liturgia provém de religiões de matriz africana, somente poderão ser utilizados animais destinados à alimentação humana, sem utilização de recursos de crueldade para a sua morte.” &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ora, por acaso os fiéis do candomblé e da umbanda transgridem alguma das alíneas do código? Se acharem que sim, sugiro aos fundamentalistas defensores que pesquisem sobre crueldade em aviários. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Percebe-se, então, que desde maio de 2003 — ou seja, há oito anos — além de ofender por emails ou por redes sociais o ex-deputado Edson Portilho, alguns vêm exacerbando seu preconceito contra religiões de matriz africana, mais uma vez ouvindo o galo cantar sem saber onde. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; As pessoas têm medo do que não conhecem, e fantasiam demasiadamente sobre o desconhecido, passando tabus e preconceitos de geração em geração. Muitos associam as religiões de matriz africana ao mal. Imaginam que os animais são “cruelmente torturados” nos sacrifícios dos seus cultos, aos quais os ignorantes classificam como “bruxaria”. No candomblé e na umbanda o ritual é realizado por uma pessoa especializada no sacrifício, o Axogun, que tem tal função na hierarquia sacerdotal ou, na sua falta, o babalorixá. O Axogun &lt;b&gt;NÃO PODE DEIXAR O ANIMAL SENTIR DOR OU SOFRER&lt;/b&gt;, porque a oferenda não seria aceita pelo Orixá. O objeto do sacrifício, que é sempre um animal, muda conforme o Orixá ao qual é oferecido; trata-se, conforme a terminologia tradicional, ora de um animal de duas patas, ora de um animal de quatro patas, galinha, pombo, bode, carneiro. Na realidade não se trata de um único sacrifício: sempre que se fizer um sacrifício a qualquer Orixá, deve ser antes feito um para Exu, o primeiro a ser servido.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E, atenção: nenhuma parte do animal é jogada fora! O couro é usado para encourar os atabaques, o animal inteiro é limpo e cortado em partes, algumas partes são preparadas para os Orixás e o restante é destinado aos demais. Tudo é aproveitado: até a porção oferecida aos Orixás é posteriormente distribuída entre os filhos da casa como o inché do Orixá. É usada para confraternização: unem-se os filhos a comer com o pai ou mãe, havendo repartição do Axé gerado pelo Orixá.&lt;br&gt;(&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sacrif%C3%ADcio#Sacrif.C3.ADcio_no_Candombl.C3.A9" target="_blank"&gt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Sacrif%C3%ADcio#Sacrif.C3.ADcio_no_Candombl.C3.A9&lt;/a&gt;) &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De acordo com o advogado Antonio Basílio Filho (Ogan Basílio de Xangô), vice-presidente do Superior Órgão de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo e diretor jurídico da União de Tendas de Umbanda e Candomblé do Brasil, em artigo publicado na Revista Orixás Candomblé e Umbanda, Ano II, Nº 6 (Editora Minuano), “o sacrifício dos animais é ritual de consagração, em que apenas o sangue é ofertado às entidades superiores, pois o produto final da carne dos animais abatidos é consumido pelos próprios autores da oferenda ou distribuído a entidades assistenciais e pessoas carentes, servindo a carne de alimento exatamente como a carne bovina, suína ou das aves abatidas em matadouros sem que, entretanto, aqui, na prática religiosa, esteja presente o componente econômico que está presente na atividade daqueles que fazem o abate visando, exclusivamente, o lucro advindo da exploração dos animais.” &lt;br&gt;(&lt;a href="http://www.umbandaemfoco.com.br/modules.php?name=Conteudo&amp;amp;file=index&amp;amp;pa=showpage&amp;amp;pid=128" target="_blank"&gt;http://www.umbandaemfoco.com.br/modules.php?name=Conteudo&amp;amp;file=index&amp;amp;pa=showpage&amp;amp;pid=128&lt;/a&gt;) &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;.:: o ::.&lt;/b&gt; &lt;p&gt;Se você quer saber o que é tortura e crueldade contra animais, clique &lt;a href="http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&amp;amp;newwindow=1&amp;amp;biw=1280&amp;amp;bih=564&amp;amp;gbv=2&amp;amp;tbm=isch&amp;amp;sa=1&amp;amp;q=crueldade+animais&amp;amp;oq=crueldade+animais&amp;amp;aq=f&amp;amp;aqi=g1&amp;amp;aql=1&amp;amp;gs_sm=e&amp;amp;gs_upl=38203l41718l0l42750l17l15l0l5l5l1l438l1829l2-6.0.1l7l0" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;. &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;.:: o ::.&lt;/b&gt;  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Espero, portanto, que pelo menos os leitores dessas duas últimas postagens nunca mais repassem emails falando mal do ex-deputado Edson Portilho (hoje em dia ele é vereador em Sapucaia do Sul) e sua emenda à lei que instituiu o Código Estadual de Proteção aos Animais, bem como parem de tratar o auxílio-reclusão como um ato absurdo do governo petista. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Evitem recidivas! &lt;/p&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;.:: o ::.&lt;/b&gt;  &lt;p&gt;Clique e leia “&lt;a href="http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/09/para-evitar-recidivas-i.html"&gt;Para evitar recidivas I&lt;/a&gt;” &lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-7633384957558911573?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/7633384957558911573/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=7633384957558911573&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/7633384957558911573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/7633384957558911573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/09/para-evitar-recidivas-ii.html' title='Para evitar recidivas II'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-2470461010919612645</id><published>2011-09-25T11:17:00.001-03:00</published><updated>2011-09-25T11:17:20.145-03:00</updated><title type='text'>Jaguarão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Estive em Jaguarão. Precisava repor o estoque de vinho, Amarula, Carolina Herrera e Hugo Boss. Escolhi a hora errada: o dólar subia feito louco. Azar. Se continuar alto quando vier a fatura do cartão de crédito, posso dizer que valeu pelo passeio e pela companhia de Clara, minha mulher, excelente companheira em todos os sentidos, inclusive de viagem.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-fb1-FCJA28k/Tn831p7Oi8I/AAAAAAAAAdI/S0l_PoP8stU/s1600-h/Jaguarao%25255B5%25255D.png"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: 0px; border-left-width: 0px; margin-right: 0px" title="Jaguarao" border="0" alt="Jaguarao" align="left" src="http://lh4.ggpht.com/-kfLwi_lAOcU/Tn832FKARXI/AAAAAAAAAdM/GCmBcDG3sOw/Jaguarao_thumb%25255B3%25255D.png?imgmax=800" width="173" height="167"&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Vamos nos situar: Jaguarão fica no extremo sul do Rio Grande do Sul e faz fronteira com a cidade de Rio Branco, no Uruguai. A divisão entre os dois países é determinada pelo rio Jaguarão, cujo curso tem 270 quilômetros. A travessia para o lado uruguaio e vice-versa é feita pela Ponte Internacional Barão de Mauá, que tem uma extensão de 870 metros e sobre a qual há departamentos da Aduana uruguaia e da Receita Federal brasileira. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/-uzI4nQdGNPM/Tn832r2dCNI/AAAAAAAAAdQ/jn3y1vD_zHM/s1600-h/ponte%252520jaguar%2525C3%2525A3o%25252001%25255B4%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="" border="0" alt="" src="http://lh6.ggpht.com/-tgnlwSgBDa0/Tn833frZT0I/AAAAAAAAAdU/rFJG47lpdeo/ponte%252520jaguar%2525C3%2525A3o%25252001_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="500" height="333"&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-43xKDUPDPvs/Tn83381qJPI/AAAAAAAAAdY/SmU0dY5HGgA/s1600-h/placa%252520na%252520ponte%25255B4%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: 0px; border-left-width: 0px; margin-right: 0px" title="" border="0" alt="" align="right" src="http://lh5.ggpht.com/-1yejH69kv2U/Tn834V6gQ2I/AAAAAAAAAdc/eqrOjnYZiAI/placa%252520na%252520ponte_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="240" height="160"&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Foi o Barão do Rio Branco que emprestou seu nome à cidade do lado uruguaio, pertencente ao Departamento de Cerro Largo, onde, em uma só rua, estão localizadas várias lojas do sistema &lt;i&gt;free shop&lt;/i&gt;. Cada brasileiro pode comprar até um limite de 300 dólares americanos. As mercadorias são de primeira qualidade e os preços, livres da pesada carga tributária brasileira, são bem menores dos que os praticados aqui. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Das cidades de fronteira com a característica de ser zona de &lt;i&gt;free shops&lt;/i&gt;, Jaguarão é a mais próxima de Porto Alegre: 383 km. Aceguá — que divide com cidade do mesmo nome no Uruguai — fica a 428 km; Santana do Livramento — que faz fronteira com Rivera — fica a 489 km; e Chuí — que faz divisa com Chuy —, a 517 km. Em termos de área e população, Jaguarão perde pra Livramento. Santana do Livramento é maior e mais populosa: 6.950 km² e 83 mil habitantes. Jaguarão tem 2.054 Km² e cerca de 28 mil habitantes. Aceguá (1.549 km²) é maior do que Chuí (203 km²), mas tem população menor: quatro mil contra cinco mil habitantes. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De acordo com dados da Biblioteca do IBGE, o nome Jaguarão é uma corruptela de Jaguanharo (tupi): cão bravo ou onça feroz; ou, segundo Alfredo de Carvalho, aumentativo português de jaguar. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em 1777, com o Tratado de Santo Ildefonso, a área do atual município de Jaguarão ficava em terras espanholas. As origens da cidade remontam a 1802 num acampamento militar fundado às margens do Rio Jaguarão pelo tenente-coronel Manuel Marques de Sousa (como, aliás, começaram vários municípios do Rio Grande do Sul). &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Deve seu primitivo nome, Guarda da Lagoa e do Cerrito, a um posto fortificado dos espanhois, situado a seis quilômetros da atual cidade de Jaguarão. Ali, em 1801, devido a questões militares entre Portugal e Espanha, estabeleceram-se as forças do Coronel Marques de Sousa. Ajustada a paz em virtude de armistício, a coluna Marques de Sousa retirou-se, ficando apenas uma pequena guarda de 200 homens, sob o comando do tenente-coronel Jerônimo Xavier de Azambuja. Em janeiro de 1812 foi criado o distrito com a denominação Divino Espírito Santo do Cerrito. Ainda com esse nome foi elevado à categoria de vila, em julho de 1832. Finalmente, tornou-se cidade com a denominação de Jaguarão, em novembro de 1855. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Jaguarão tomou parte destacada em diversos acontecimentos militares de nossa história, entre os quais a Revolução Farroupilha, em 1835, e a Invasão Uruguaia de 27 de janeiro de 1865, quando 1.500 caudilhos “blancos” invadiram e saquearam a cidade, chefiados por Basílio Munhoz. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; As estradas de Porto Alegre até lá são razoáveis. Trafega-se pela BR 290 e BR 116. Nos pouco mais de 380 quilômetros, em quatro horas e meia de viagem passa-se por seis praças de pedágio na ida (R$ 36,90) e cinco na volta (R$ 29,40), totalizando R$ 66,30. Um pouco antes de entrar na cidade de Jaguarão fomos parados pelo exército, numa barreira da operação Ágata II, que visa fiscalizar o comércio ilegal de armas, explosivos, drogas, agrotóxicos, produtos eletrônicos e o escambau. Só olharam nossos documentos e o documento do carro. E se o porta-malas estivesse cheio de alguma dessas coisas? &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Jaguarão parece ainda viver sua história. Existem mais de 800 prédios catalogados na Prefeitura Municipal por suas fachadas, que conservam vários estilos arquitetônicos. A cidade é conhecida pelas portas desses prédios dos séculos XIX e XX, muitos deles ainda servindo como residência. Dentre elas, destaca-se a do senhor Jean Macksoud, que possui a porta considerada a mais bonita do Estado. Quem quiser se aprofundar no estudo da arquitetura de Jaguarão, sugiro a leitura de &lt;a href="http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/4458/000501515.pdf?sequence=1" target="_blank"&gt;Ecletismo Arquitetônico em Jaguarão: um estudo&lt;/a&gt;, dissertação de mestrado de Lidiane Corrêa Ensslin apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Arquitetura da UFRGS.  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-nhT5HfsRyL8/Tn834w9lmQI/AAAAAAAAAdg/g8Rmz979UAM/s1600-h/casa%25252001%25255B4%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="" border="0" alt="" src="http://lh3.ggpht.com/-r8qjx_zH6lY/Tn835caqqaI/AAAAAAAAAdk/RVPQFh3TkrQ/casa%25252001_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="500" height="333"&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/-aNUNRMfh1DQ/Tn8354LrDKI/AAAAAAAAAdo/6Bd9Y3B3i54/s1600-h/casas%25255B5%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="" border="0" alt="" src="http://lh4.ggpht.com/-8RlVJE1h0xc/Tn836YGX8-I/AAAAAAAAAds/7_hiu0BnChM/casas_thumb%25255B3%25255D.jpg?imgmax=800" width="500" height="335"&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-ICZxztexJWo/Tn836zw57pI/AAAAAAAAAdw/ex_Q5XT5tp0/s1600-h/portas%25255B5%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="" border="0" alt="" src="http://lh5.ggpht.com/-y0irXqhV4t4/Tn837rnzkKI/AAAAAAAAAd0/Dy2re4Z9UBU/portas_thumb%25255B3%25255D.jpg?imgmax=800" width="500" height="750"&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quem vai a Jaguarão para fazer compras nos &lt;i&gt;free shops&lt;/i&gt; de Rio Branco encontra pelo menos 15 opções de hospedagem. Destacam-se nesse setor o Hotel Sinuelo, com 45 apartamentos, e o Crigial Hotel. Ambos são próximos à Ponte Barão de Mauá. Há também cerca de 15 restaurantes à disposição dos turistas para almoço, com destaque para o Red’s Restaurante, com seu buffet a quilo e grelhados. À noite, as opções se resumem a umas duas ou três pizzarias, destacando-se a Pizza Mia. Mas a &lt;i&gt;point&lt;/i&gt; mesmo é a Panificadora PaneMio, um lugarzinho bem agradável, que serve lanches deliciosos. Como tudo tem pelo menos um problema, a PaneMio não deixa por menos: além de ser um local com poucas mesas, o lanche, seja qual for — uma torrada, um cheese, um bauru —, demora no mínimo meia hora pra ficar pronto. É uma pena... &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Feitas as compras, retornamos. Dessa vez o exército nos deixou passar na barreira. E se o porta-malas estivesse cheio de contrabando ou descaminho? &lt;/p&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; font-size: 12px"&gt; &lt;p&gt;________________&lt;br&gt;Fontes: &lt;br&gt;&lt;a href="http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/riograndedosul/jaguarao.pdf"&gt;http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/riograndedosul/jaguarao.pdf&lt;/a&gt; &lt;br&gt;&lt;a href="http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/4458/000501515.pdf?sequence=1"&gt;http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/4458/000501515.pdf?sequence=1&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-2470461010919612645?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/2470461010919612645/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=2470461010919612645&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/2470461010919612645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/2470461010919612645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/09/jaguarao.html' title='Jaguarão'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/-kfLwi_lAOcU/Tn832FKARXI/AAAAAAAAAdM/GCmBcDG3sOw/s72-c/Jaguarao_thumb%25255B3%25255D.png?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-7590099185258990817</id><published>2011-09-06T11:20:00.001-03:00</published><updated>2011-09-06T11:20:58.010-03:00</updated><title type='text'>Ademã, que eu vou em frente!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Acordei domingo, 4 de setembro, com um ano a mais, completado às três da madrugada, hora em que surgi há 62 anos. Ao olhar no espelho, não notei no meu rosto diferenças de um passado recente. Nem sei quando minhas pálpebras começaram a debruçar-se sobre os olhos; quando algumas rugas começaram a emoldurá-los e outras, verticais, instalaram-se acima do nariz, entre as sobrancelhas que, por sinal, quase desapareceram; quando o bigode chinês acentuou-se e as bochechas derreteram sobre o pescoço; quando e por que comecei usar o cabelo cortado rente à cabeça; e quando a barba embranqueceu. Àquela hora da manhã, a cara no espelho me parecia a mesma de sempre. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Fiquei um tempinho me encarando, tentando descobrir há quanto tempo minha cara foi diferente daquela. Segui mecanicamente os passos cotidianos: lavei as mãos, pois acabara de desaguar as cervejas da noite anterior, passei uma água no rosto, escovei os dentes, apaguei a luz e fui preparar o café. Fiquei o tempo todo buscando uma imagem no passado, quando ainda não tinha, por exemplo, os vincos da testa. Pra isso, tinha que pensar em fatos. Lembrei, então de uma data em 1996, quando voltei a tocar numa banda de rock. Putz! Só pegando uma foto. Não me lembro como eu era... &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Foi o que fiz. Peguei algumas fotos de outubro de 96, do show de reestreia de uma banda em que havia tocado na década de 60. Não estava muito diferente. A barba do mesmo tamanho, só que preta; os cabelos, já curtos, mas com um pouco mais de quantidade e também mais pretos. As fotos são muito pequenas. Não deu pra perceber se já existiam rugas. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Teria que voltar mais no tempo, procurar outra referência. Se um pulo de 15 anos pra trás não mostrou muita diferença, quem sabe saltar o dobro disso? Fui até 1980 e 1979, anos em que nasceram meus filhos. Ah! Agora se percebe diferença! Aquele da foto não é o mesmo que se olhava no espelho há poucos minutos. Cabelos mais compridos, barba bem aparada e escura, pele lisa, sem vincos. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mas ainda não estava contente e queria saber quando os cabelos mudaram radicalmente. Fui avançando ano por ano naqueles velhos álbuns de fotos: 81, 82, 83, 84, 85, 86... Oba! Achei! De repente, não mais que de repente, em 1986, aqueles cabelos que subiam nas orelhas deixaram-nas descobertas! Eles estavam, então, espetados pra cima, cheios de gel. Lembrei-me da época e da ocasião que me fez cortá-los. Abrira um salão maneiro perto da minha casa, no Bom Fim, que várias celebridades provincianas andavam frequentando. Levei lá minha filha, então com sete anos, e meu filho, com seis, pra cortar os cabelos. Aceitei a sugestão do estilista, que cortou o longo cabelo loiro da minha filha como os de um punk (corte de cabelo que muitos jogadores de futebol usam hoje, ao qual chamam de moicano). Da nuca saía um belo rabo até a metade das costas. Com o meu filho ele fez parecido, mas não tão radical, mesmo porque ele nem tinha cabelos compridos. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Dias depois também fui lá cortar os cabelos e saí de lá com um jeitão de &lt;i&gt;yuppie&lt;/i&gt;. Para os que talvez não saibam, um parênteses: segundo o Wikipédia, &lt;i&gt;yuppie&lt;/i&gt; é uma derivação da sigla “YUP”, expressão inglesa que significa &lt;i&gt;Young Urban Professional&lt;/i&gt; (Jovem Profissional Urbano). É usado para referir-se a jovens profissionais entre os 20 e os 40 anos de idade, geralmente de situação financeira intermediária entre a classe média e a classe alta, que, em geral, seguem as últimas tendências da moda. O termo &lt;i&gt;yuppie&lt;/i&gt; descreve um conjunto de atributos e traços de comportamento que se constituíram num estereótipo comum nos EUA, Inglaterra e outros países do ocidente.  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-AE5xE-NmUGE/TmYsRUdY4pI/AAAAAAAAAc8/lH_DbMLdVMg/s1600-h/clip_image002%25255B5%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="clip_image002" border="0" alt="clip_image002" src="http://lh3.ggpht.com/-UfGNYxrJ-Fg/TmYsSOzgjYI/AAAAAAAAAdA/1-Ip14pBZFk/clip_image002_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="500" height="375"&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Puxa, me dei conta de que faz um quarto de século que meu corte de cabelo sofreu a tal mudança radical! Voltei a me olhar no espelho e fiquei a imaginar como estarão eles daqui a outros 25 anos. Sim, pois não pretendo me entregar e espero ter quase tanto futuro quanto já tenho de passado.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Por falar em futuro, como dizia Ibrahim Sued*: “Ademã, que eu vou em frente!” &lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; font-size: 12px"&gt;______________ &lt;br&gt;* &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ibrahim_Sued" target="_blank"&gt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Ibrahim_Sued&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-7590099185258990817?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/7590099185258990817/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=7590099185258990817&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/7590099185258990817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/7590099185258990817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/09/adema-que-eu-vou-em-frente.html' title='Ademã, que eu vou em frente!'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/-UfGNYxrJ-Fg/TmYsSOzgjYI/AAAAAAAAAdA/1-Ip14pBZFk/s72-c/clip_image002_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-873165196681006636</id><published>2011-07-30T10:35:00.001-03:00</published><updated>2011-07-30T10:35:08.573-03:00</updated><title type='text'>2097: do meu bisneto pro meu trineto</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt; &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/-lrtSOTLd8jU/TjQIiM1q5HI/AAAAAAAAAcw/lHC2z_xFkDY/s1600-h/clip_image002%25255B5%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="clip_image002" border="0" alt="clip_image002" src="http://lh3.ggpht.com/-ms6FCKvSWow/TjQIiyzblwI/AAAAAAAAAc0/YJ56TnmbOsw/clip_image002_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="500" height="375"&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Desculpe estar escrevendo, meu filho, mas é que a máquina holográfica estragou e não tive tempo de encomendar outra. Para de ler agora e usa o leitor de texto. É até melhor, pois assim me ouves sem deixar tuas tarefas. Pra que irias querer olhar pra essa minha velha cara e esse meu corpinho com mais de meio século? &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Tua mãe, tua irmã e eu ansiamos tua volta. Estamos loucos que termine logo esse longo estágio prático. Tanto tempo longe da família só pra trabalhar noutro planeta! Até parece coisa do tempo do teu avô. Não sei se já te contei, mas, no tempo dele, quem se formava em Direito não poderia exercer a profissão se não fizesse uma prova para habilitar-se perante o conselho profissional (chamava-se Ordem dos Advogados). Acontece que a prova era tão difícil que só passavam cerca de cinco ou seis por cento dos candidatos. E olha que eram uns 120 mil que faziam a prova cada vez, no país todo! Isso, no entanto, é coisa do passado. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sei que és bem informado aí em cima (ou embaixo, não sei, é questão de ponto de vista), com notícias diárias e quentinhas da Terra. Não te informam, contudo, sobre as coisas da nossa família. A primeira ruim: teu tio foi multado de novo por estar fumando na rua. Deves saber que, se for pego mais uma vez, perde o plano de saúde por um ano e, depois, tem que fazer todos aqueles exames chatos de novo pra voltar a ter assistência. Não sei até quando vão continuar com esse expediente. Já não bastava terem fechado todas as fábricas de cigarro e proibido a importação de tabaco da África? Depois que descobriram a cura e criaram a vacina contra o câncer poderiam deixar as pessoas voltarem a fumar livremente. Claro, desde que respeitassem lugares fechados, prédios, etc. como sempre foi. Mas na rua? Se um sujeito com mais de 60 como teu tio, que não tomou a vacina, ficar com câncer, grande merda, o tratamento de cura nem é tão dispendioso para o plano de saúde. Em todo caso, o velho rebelde vai ter que ficar ligado e fumar aqueles cigarros fedidos que ele mesmo fabrica só dentro da própria casa. Ainda bem que ele ganha bem, porque a multa é bem alta. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Enquanto isso, a farmácia daqui da rua está com um movimento fantástico: a última safra de &lt;i&gt;cannabis&lt;/i&gt; foi bárbara, o produto é de alta qualidade e o preço baixou. Eu e tua mãe temos fumado uns três por dia. Aliás, eu estava com teu tio quando ele foi pego fumando na rua. Ele ainda disfarçou, jogou o cigarro longe e pegou meu baseado. Mas não adiantou. O mata-rato dele fede muito e o fiscal sentiu o cheiro nele. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No último fim de semana estive no litoral. O mar ainda não invadiu nossa casa, mas falta pouco. Fui lá pra retirar as últimas tralhas. O chato é que não dá pra chegar perto com o veículo. Tem muita areia úmida e pode-se perder a impulsão e atolar. Dá pena de ver aqueles prédios enormes e luxuosos, onde antes era a beira da praia, transformados em esqueletos. O pessoal dos pavimentos inferiores perdeu tudo. Os dos mais altos não conseguem chegar pra retirar suas coisas. Dizem que ladrões deram um jeito de chegar neles e levaram tudo o que tinha valor. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em compensação, na região da fronteira, lá pros lados de Bagé, o deserto tá cada vez mais avançado. Acho que de onde estás deves ter uma visão boa dessa catástrofe. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O tempo continua quente. Finalzinho de julho e Porto Alegre registra uma média diária de 28 graus. Quando eu era bem pequeno, ainda peguei resquícios de inverno. Me lembro que nessa época tinha dias que fazia 16 ou 17 graus. Outro dia, mexendo numas caixas guardadas na garagem, achei umas fotografias do meu avô. Ele devia ter a tua idade e estava encasacado, com gorro e luvas de lã, na neve, num lugar chamado Bariloche, na Argentina. Lembro também que ele sempre dizia que queria morar no Nordeste, porque não aguentava mais o inverno gaúcho. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Além da máquina holográfica, outra coisa que estragou aqui em casa foi o sistema de reposição de mantimentos. Cada vez que se dava baixa de alguma coisa — azeite, manteiga, vinho, etc. —, em seguida chegavam duas unidades do mesmo produto, com uma diferença de uns cinco minutos entre a entrega de um fornecedor e de outro. Não sei de onde o computador tirou o segundo fornecedor. Até explicar que não era cavalo, já tinha comido um balde de milho. Finalmente, a administração mandou aqui um técnico do setor de reposição que deu um jeito. Eu atribuo esses problemas a uma interferência cada vez maior das explosões solares nos equipamentos eletrônicos. Enfim... &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Meu filho, vou ter que parar agora porque tá na hora de levar tua avó ao médico. Todos os dias ela pergunta quando vais voltar desse planetinha fajuto, que é como ela chama a estação. A cabeça dela tá meio atrapalhada, mas o corpinho, apesar dos 86 anos, tá em dia. E não desiste de procurar outro marido. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Muitos beijos e abraços de nós todos. Aguardamos notícias. Tchau!  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-873165196681006636?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/873165196681006636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=873165196681006636&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/873165196681006636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/873165196681006636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/07/2097-do-meu-bisneto-pro-meu-trineto.html' title='2097: do meu bisneto pro meu trineto'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/-ms6FCKvSWow/TjQIiyzblwI/AAAAAAAAAc0/YJ56TnmbOsw/s72-c/clip_image002_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-6731137567790083047</id><published>2011-07-25T16:51:00.001-03:00</published><updated>2011-07-25T16:51:23.819-03:00</updated><title type='text'>Concerto do amor</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 12px"&gt; &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;&lt;em&gt;(Sugiro a leitura desse texto com a audição de “Concerto de Aranjuez – segundo movimento”, do compositor e pianista espanhol Joaquín Rodrigo, Marquês dos Jardins de Aranjuez, (22 de novembro 1901 – 6 de julho 1999). Apesar de ser cego desde jovem, ele atingiu grande sucesso e é considerado um dos compositores que mais popularizaram a guitarra na música clássica do século XX. Seu Concerto de Aranjuez é um dos pontos altos da música espanhola. &lt;br&gt;A melodia ficou popularmente conhecida a partir de 1967, quando o cantor francês Richard Anthony gravou a música chamada “Aranjuez Mon Amour”, com letra de Guy Bontempelli. &lt;br&gt;O tecladista e baixista do Led Zeppelin, John Paul Jones, usou parte do Concerto de Aranjuez durante uma improvisação da música “No Quarter”, na turnê de1977 da banda. &lt;br&gt;Som na caixa, olhar no monitor e pensamento no texto.)&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;object classid="clsid:6BF52A52-394A-11D3-B153-00C04F79FAA6" id="WindowsMediaPlayer1" width="160" height="35" align="center"&gt; &lt;param name="URL" value="http://www.centrosaintgermain.com.br/aldo/Aranjuez Mon Amour - Werner Muller and His Orchestra.mp3" ref="" /&gt; &lt;param name="rate" value="1" /&gt; &lt;param name="balance" value="" /&gt; &lt;param name="currentPosition" value="0" /&gt; &lt;param name="defaultFrame" value="value" /&gt; &lt;param name="playCount" value="19" /&gt; &lt;param name="autoStart" value="0" /&gt; &lt;param name="currentMarker" value="0" /&gt; &lt;param name="invokeURLs" value="-1" /&gt; &lt;param name="baseURL" value="" /&gt; &lt;param name="volume" value="100" /&gt; &lt;param name="mute" value="0" /&gt; &lt;param name="uiMode" value="mini" /&gt; &lt;param name="stretchToFit" value="0" /&gt; &lt;param name="windowlessVideo" value="0" /&gt; &lt;param name="enabled" value="-1" /&gt; &lt;param name="enableContextMenu" value="-1" /&gt; &lt;param name="fullScreen" value="0" /&gt; &lt;param name="SAMIStyle" value="" /&gt; &lt;param name="SAMILang" value="" /&gt; &lt;param name="SAMIFilename" value="" /&gt; &lt;param name="captioningID" value="" /&gt; &lt;param name="enableErrorDialogs" value="0" /&gt; &lt;param name="_cx" value="4075" /&gt; &lt;param name="_cy" value="4366" /&gt; &lt;/object&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp; &lt;p style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-GEnV_tUhtec/Ti3JNr51yXI/AAAAAAAAAco/YYIZ-7NGIR0/s1600-h/clip_image002%25255B5%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="clip_image002" border="0" alt="clip_image002" src="http://lh5.ggpht.com/-PGiouMLpJYA/Ti3JOoRZczI/AAAAAAAAAcs/DPzYLuy3L-U/clip_image002_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="500" height="375"&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Era uma nota musical que vivia saltando pelas linhas dos pentagramas vazios a procura de uma música, Poderia ser qualquer nota com qualquer valor: dó, sol, mi, fá, fusa, colcheia, semicolcheia, breve, semibreve... Queria soar por qualquer instrumento em qual tipo de música e ritmo que fosse. Poderia ser um metal vibrante, um violino romântico um cravo bem temperado ou um tímpano furioso. Queria ser marcha, valsa, opus, concerto ou sinfonia. Tocaria em adaggio, fortíssimo ou allegro ma non troppo. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De outras vezes já havia sido tocada. Fez parte de algumas músicas populares e de uma sinfonia inacabada, cujas pautas caíram no chão e ela soltou-se do pentagrama. Passou a vagar pelos enormes salões de concerto a olhar os mudos instrumentos. Por vezes escondia-se nas partituras dos maestros e dormia ao pé das páginas. Olhava as pautas completas, aquelas notas ordenadas — soldados em fila — formando aquela linguagem musical. Passeava pelos acidentes empurrando sustenidos, tropeçando em bemóis, dobrando compassos até atirar-se em qualquer linha. Pensava: agora vou ser tocada. Triste ilusão. O maestro sacudia a batuta e dava início ao concerto. Ia tudo dando certo: os violinos gritavam fino e os cellos respondiam-lhes baixo. Os fagotes, oboés, pistons e clarinetes puxavam o choro dos trombones. Os tambores ralhavam grosseiramente. E ela ali, muda e estática, a espera da ordem do maestro. Chegava a sua vez, mas tudo desabava. Desafinava, e os instrumentos começavam a brigar. O maestro, furioso, pegava uma borracha e corrigia a pauta. Lá ia ela rolando com sua solidão. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E a vida continuava a mesma. Um passeio entre instrumentos, um sonho irrealizável e mil sons na cabeça. Não se sentia mais uma nota musical. Era um pequeno desenho preto que rolava em sons confusos. Quando uma orquestra afinava os instrumentos ela corria de um lado a outro, perdida. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um dia parou sobre uma estante. Procurava um canto pra dormir e encontrou uma partitura. Surpresa total: era uma sinfonia por completar. Vibrou, pulou, voltou ao princípio e começou a solfejar. Foi aprendendo aos poucos a melodia. Inchou de alegria e tornou-se uma nota breve. Um dó maior. Espremeu-se entre as fusas o virou sol sustenido. Olhou para o compasso e resolveu ser semicolcheia, um lá menor. Bemol. Podia ser o que quisesse. O grande compositor aprovaria sua colocação. Pulou na partitura e soltou-se entre as linhas. Dormiu feliz esperando o grande dia do concerto. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A batuta bateu três vezes e soou um imponente acorde. Os sons cresceram numa melodia incrível, forte. Metais, couros o cordas discursavam, conversavam, sussurravam. Desenrolou-se uma melodia. histórica. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Chegou sua vez e ela entrou no compasso. Um tom infinito elevou-a muitas oitavas acima. Allegro, adagio, fortissimo, alta, baixa... Passeou pela escala e esta até hoje sendo o meio, a parte mais inspirada de uma sinfonia eterna. Agora faz parte do concerto do amor. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-6731137567790083047?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/6731137567790083047/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=6731137567790083047&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/6731137567790083047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/6731137567790083047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/07/concerto-do-amor.html' title='Concerto do amor'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh5.ggpht.com/-PGiouMLpJYA/Ti3JOoRZczI/AAAAAAAAAcs/DPzYLuy3L-U/s72-c/clip_image002_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-3230033313128142278</id><published>2011-07-19T12:13:00.003-03:00</published><updated>2011-07-23T11:04:35.348-03:00</updated><title type='text'>Fragmentos aleatórios de um diário</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt; &lt;h3&gt;&lt;font color="#999999"&gt;Um dia&lt;/font&gt;&lt;/h3&gt; &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/-ATqJJKzdypo/TiWfIxfVbBI/AAAAAAAAAcY/xrZX0BUN9oU/s1600-h/clip_image002%25255B5%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="clip_image002" border="0" alt="clip_image002" src="http://lh6.ggpht.com/-kYymaN43XKg/TiWfJR-TMNI/AAAAAAAAAcc/vVgLesPJUpA/clip_image002_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="500" height="279"&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Acordei na madrugada sentindo o coração apertado, o corpo cansado, a respiração curta, ofegante, suspiros constantes, cabeça pesada. Mirei os números verdes do relógio digital. A princípio estavam desfocados. Me concentrei e ficaram nítidos: 02:36. Virei para o outro lado. Sentia no intestino a revolta pelas misturas de doces e salgados do dia anterior. Revirei para o lado de antes. Com os olhos abertos, fiquei a calcular de quanto em quanto tempo piscava a luz verde do Identificador de Chamadas que acusa ligações não atendidas. Segui os rastros das luzes do roteador para ver até onde iluminavam. A luz mais forte, no entanto, era a da régua de tomadas que fica abaixo da mesa. Dei-me conta da quantidade de pequenas lâmpadas que ficam acordadas 24 horas por dia, mas que só as percebo à noite, quando perco o sono. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A contagem das piscadas do Identificador de Chamadas, o rastro das luzes nervosas do roteador, a constante luz vermelha da régua de tomadas e os números luminosos do relógio digital eram, na verdade, uma tentativa de acariciar o sono, que não chegava perto e era incerto; eram uma distração, um subterfúgio para eu não pensar em algo que me incomodava. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Levantei depois de muito virar e revirar, de cansar de admirar luzinhas. Na cozinha, tomei remédios pra acalmar o intestino revoltado e dolorido. Talvez fosse isso o que não me deixava dormir. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Voltei para a cama esperando os remédios fazerem efeito. Foi quase imediato. Mesmo assim, ainda não encontrava o sono. Não era essa indisposição que não me deixava dormir... Num instante, contudo, descobri que eram os ratos barulhentos que habitavam meu sótão que me mantinham insone. Me falavam de como minha vida mudou nos últimos tempos; de como, surpreendentemente, interrompeu-se uma inércia vivencial e sobrevieram suaves solavancos sensoriais. Passei a amar como jamais esperava que acontecesse ou que acontecesse novamente. Sei lá, as pessoas passam, os fatos ficam distantes, as sensações são esquecidas. A idade é outra... &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Abri os olhos e mirei os números verdes do relógio digital. A princípio estavam desfocados. Me concentrei e ficaram nítidos: 05:32. Virei para o outro lado até ser acordado pelo despertador nervoso. Acho que, de raiva, derrubei-o no chão. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Desde aquele primeiro momento da noite anterior, e até agora, meu coração está apertado, o corpo cansado, a respiração curta, ofegante, suspiros constantes, cabeça pesada. Seria resultado de uma noite mal dormida? &lt;/p&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;.:: o ::.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;h3&gt;&lt;font color="#999999"&gt;Outro dia&lt;/font&gt;&lt;/h3&gt; &lt;blockquote&gt; &lt;blockquote&gt; &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;A vida só pode ser entendida olhando-se para trás. Mas só pode ser vivida olhando-se para frente&lt;sup&gt;1&lt;/sup&gt;. &lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A&lt;b&gt; &lt;/b&gt;primeira frase da epígrafe dominou minha manhã. Olhei para minhas relações passadas lembrando o que as fez acabar. Algumas, quem sabe, foram apenas entendimento, combinação de feronômios, mas foram relações.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Persegui a primeira guria por quem me apaixonei até conquistá-la e torná-la minha namorada. Eu tinha uns 16 ou 17 anos. Isso faz mais de 40 anos. O que poderia eu saber da vida? Namorei-a até achar que me apaixonara por outra, mais interessante, mais bonita... Mas fora um acidente de percurso. Voltei à anterior e com ela fiquei até ser trocado pelo Rio de Janeiro. Lembro de ter sofrido muito, das cartas apaixonadas que trocávamos, das respostas dela que foram rareando até cessarem. Aí, contudo, achei que tinha me apaixonado novamente por outra. Minha vida mudou. Tornei-me sério e compenetrado e curti longos períodos de meditação solitária em meu quarto. Fui ao Rio de Janeiro pra me certificar de que estava no caminho certo. Descobri que sim e me senti vingado. &lt;br&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/-UglXJqpZ2j4/TiWfJ2ydhwI/AAAAAAAAAcg/bCeP6Trem7E/s1600-h/fragmentos-2%25255B5%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; margin: 0px 10px 0px 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px" title="fragmentos-2" border="0" alt="fragmentos-2" align="left" src="http://lh3.ggpht.com/-0srVyk2Tf_0/TiWfKRPQR5I/AAAAAAAAAck/Lj5doN1-62E/fragmentos-2_thumb%25255B3%25255D.jpg?imgmax=800" width="250" height="373"&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Casei. Logo depois descobri que havia entrado numa fria. Uma viagem levou meu amor embora. Por um mês fiquei sozinho da noite para o dia, remoendo aquele abandono. Na volta, não adiantou a tentativa de descobrir se havia amor naquela relação e ela terminou. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O cadáver do amor ainda nem estava frio e renasceu avassaladoramente, também da noite para o dia, dentro de um bar. Outra vez achava que estava no caminho certo e resolvi “casar” novamente. Ainda fiz duas experiências antes disso e tive certeza de que a mulher que eu queria era esta mesmo. Depois de nove anos de certeza, no entanto, balancei e me apaixonei por uma colega de trabalho. O casamento não acabou. Acho que quem acabou foi o amor. E por quê? Talvez desgaste; talvez cansaço. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Esta nova paixão, contudo, acabou, não por falta de dedicação e promessas, mas sim por falta de coragem de continuar, de seguir as perspectivas e expectativas. Pelo menos aprendo que onde se ganha o pão não se come a carne.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Por um bom tempo fiquei inconformado comigo mesmo e, de repente, percebi que não amava ninguém. Criei um escudo, uma proteção em volta do meu coração, não permitindo que alguém entrasse nele ou que dele eu saísse. Uma mulher aqui, outra ali, relações que, mesmo duradouras, para mim não passavam de aventuras carnais, sem romance. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Enfim volto a me encontrar com o amor e, agora, devo pensar na segunda frase da epígrafe, com esperança de não precisar mais pensar na primeira. Não quero que o amor que sinto seja um dia entendido como passado. Quero vivê-lo intensamente como agora, até o fim da vida, não da relação. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;__________________ &lt;br&gt;&lt;sup&gt;1 &lt;/sup&gt;S. Kierkegaard, filósofo dinamarquês - 1813-1855&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-3230033313128142278?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/3230033313128142278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=3230033313128142278&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/3230033313128142278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/3230033313128142278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/07/fragmentos-aleatorios-de-um-diario.html' title='Fragmentos aleatórios de um diário'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/-kYymaN43XKg/TiWfJR-TMNI/AAAAAAAAAcc/vVgLesPJUpA/s72-c/clip_image002_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-9010316102585980734</id><published>2011-06-22T11:44:00.001-03:00</published><updated>2011-06-22T11:44:52.864-03:00</updated><title type='text'>Jogos de bola</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nasci há muito tempo, numa casa que ficava em frente a uma pracinha que marcava a confluência de duas ruas. A pracinha, que já estava lá bem antes de eu nascer, era um triângulo isósceles de areia cercado por um meio-fio de paralelepípedos com dois lados medindo cerca de 10 metros e o menor, uns cinco metros. Lembrei-me da pracinha porque nela faziam-se grandes fogueiras na véspera de São João, em 23 de junho de todos os anos. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Naquele espaço se jogava de tudo: bola de gude, taco, cela, vôlei e, principalmente, futebol. Diariamente, a partir das três da tarde, com os temas de casa feitos, a turma se envolvia com alguma espécie de bola, já que pra tudo que era praticado ali se precisava de pelo menos uma. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Para jogar futebol faziam-se times de três, quatro, no máximo cinco pra cada lado, com um no gol e o resto na linha. Os dois considerados os melhores jogadores escolhiam no par ou ímpar os integrantes de seus times. Os jogos iam até 10 gols, com virada em cinco. Como se jogava em um triângulo, quem atacava no campo maior tinha mais chances de trabalhar a jogada e fazer gol. Em compensação, quem atacava para a ponta mandava a bola em gol desde que chutasse pra frente. No segundo tempo, porém, tudo se invertia. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Havia pelo menos três faixas etárias de moleques naquela zona. Nos fins de semana, especialmente nas tardes de sábado, a pracinha era ocupada pelos mais velhos. Volta e meia acontecia algum torneio contra uma gurizada das ruas próximas. Invariavelmente dava briga.  &lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/-Ps1-md8znCU/TgH_zKSa1fI/AAAAAAAAAbc/tsYjBB4jgZE/s1600-h/pracinha%25255B4%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="Pracinha na d&amp;eacute;cada de 60" border="0" alt="Pracinha na d&amp;eacute;cada de 60" src="http://lh3.ggpht.com/-rv_1KuQgQQg/TgH_zjVXNEI/AAAAAAAAAbg/EiiF-mQ4d54/pracinha_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800" width="500" height="358"&gt;&lt;/a&gt;  &lt;div style="text-align: center; line-height: 140%; font-size: 12px"&gt;&lt;i&gt;Foto na pracinha do início da década de 60 (sou o 2º em pé, da esquerda para a direita)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando a bola ia pro meio da rua e estivesse passando algum carro, todos paravam. Era como o &lt;i&gt;fair-play&lt;/i&gt; praticado nos esportes de hoje. Às vezes algum chute mais forte disparado para o lado — certamente por algum zagueiro desesperado — ia parar num dos vidros de uma janela da minha casa. Ficando comprovado que havia sido durante uma “séria” partida de futebol, tudo bem, era considerado acidente de trabalho; se, no entanto, o chute tivesse sido dado ao léu, o pai do “vândalo” tinha que pagar o vidro. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quanto a mim, era um jogador médio de bolinha de gude. Em algumas modalidades de jogos que envolviam bolinhas de vidro eu me saía bem; na mais comum, aquela em que se desenha uma circunferência no chão e se disputa as bolinhas que estão dentro, não era dos melhores. Pra não ficar logo com o saquinho vazio, procurava jogar só “às brincas”. Às vezes, no meio de um desses jogos, passava um guri mais velho, mais forte e mau caráter e recolhia as bolinhas com a maior cara de pau, dizendo simplesmente: “— Fiscal de bolinhas!”. Botava-as no bolso e nos deixava com cara de choro. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Alguns dos guris maiores chamavam de “beti” o jogo de taco. Fui pesquisar e descobri que o jogo pode ter-se originado do &lt;i&gt;cricket&lt;/i&gt; e que o nome &lt;i&gt;bets&lt;/i&gt; (e não beti) seria uma homenagem à rainha Elizabeth I. Pois bem, &lt;i&gt;bets&lt;/i&gt; ou taco, nesse eu era bom. Conta uma lenda daquela época que certa vez, durante um jogo de taco, a bola foi picando na direção do Betão, o mais forte dos guris maiores, que descia a rua com um guarda-chuva na mão. Ao ver a bola picando, apesar de não estar jogando, não teve dúvidas, meteu-lhe uma tacada com o cabo do guarda-chuva, mandando-a até os trilhos dos bondes, que ficavam a uns 150 metros rua abaixo. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Depois da minha adolescência, nunca mais vi jogarem cela, nem os sucessores da minha turma da pracinha. O jogo de cela consistia em fazer no chão um buraco para cada participante: se fossem cinco jogadores, cinco buracos seriam feitos, um após o outro, em linha reta. A ordem dos buracos era sorteada. Uma bola de tênis era largada em direção aos buracos. O jogador do buraco em que ela parasse deveria pegá-la e atirá-la em direção a algum dos oponentes. Se acertasse, a vítima continuaria a perseguição aos outros; se errasse, ganhava um “filho”, representado por um pauzinho de fósforo colocado no buraco correspondente. E assim por diante, até um dos participantes acumular três filhos. Este, então, deveria ir para a cela, que era um muro de uma casa qualquer em frente à pracinha. Tinha que ficar encostado no muro, de costas para a rua, com a cabeça abaixada em direção ao peito e os braços para trás e por sobre ela, protegendo-a. Os demais jogadores davam cinco boladas cada um nas costas do perdedor. Não raro o perdedor saía chorando e com marcas redondas e vermelhas nas costas. Joguinho inocente, né? &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Vôlei era raro acontecer por causa da dificuldade em se afixar a rede. Quando tinha, nem me arriscava a jogar. Em futebol eu era péssimo. Com perdão pela incorreção: muito péssimo! Na hora do par ou ímpar eu era sempre o último a ser escolhido, o que sobrava. Se o número de participantes era ímpar, pra contrabalançar me botavam no time mais fraco. E, mesmo assim, no gol. Claro, eu tinha chance de jogar na linha, como todo mundo. A cada gol sofrido havia rodízio: o goleiro ia pra linha e um da linha ia pro gol. Quando estava na linha, entretanto, pouco tocava na bola, pois não a passavam pra mim. Eu me contentava em correr atrás do bolo de guris que corria atrás da bola. Desconfio que fui eu que inventei o chute de três dedos, a famosa “trivela”. Quando ocasionalmente a bola sobrava pra mim eu a chutava com toda força tentando acertar o gol, mas ela ia pra lateral direita. E eu fazia isso olhando pra esquerda... Desastre total. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando tinha 16 anos, desisti pra sempre do futebol que nunca me quis. Montei uma banda em que eu era o baterista (leia: &lt;a href="http://coisasdoaldo.blogspot.com/2009/10/old-stones.html" target="_blank"&gt;The Old Stones&lt;/a&gt;). Ensaiava na garagem da minha casa, nos sábados à tarde, quando o resto da turma corria atrás da bola, na pracinha em frente. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A pracinha continua lá e ganhou um nome: Praça Monsenhor André Mascarello, que foi o pároco do bairro durante toda minha infância, adolescência e parte da vida adulta. Hoje, está melhorada, bem cuidada e tem até grama. De vez em quando, filhos e netos de remanescentes da minha época se reúnem e jogam futebol nela. Confira nas fotos de Isa Kolbetz, de uma geração posterior a minha, cujos pais ainda moram naquela rua.  &lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/-1gKa_lmzNiA/TgH_0W4PYlI/AAAAAAAAAbk/1Oqg7d_srPM/s1600-h/pracinha%2525202%25255B10%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="Pra&amp;ccedil;a Monsenhor Andr&amp;eacute; Mascarello" border="0" alt="Pra&amp;ccedil;a Monsenhor Andr&amp;eacute; Mascarello" src="http://lh3.ggpht.com/-gnHWOxrg2c0/TgH_1OApE8I/AAAAAAAAAbo/u-GicPbZJGs/pracinha%2525202_thumb%25255B8%25255D.jpg?imgmax=800" width="502" height="377"&gt;&lt;/a&gt; &lt;div style="text-align: center; line-height: 140%; font-size: 12px"&gt;&lt;em&gt;A pracinha hoje, quase no mesmo ângulo da foto antiga&lt;/em&gt;&lt;/div&gt; &lt;p&gt; &lt;div style="text-align: center; line-height: 140%; font-size: 12px"&gt; &lt;table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="500" align="center"&gt; &lt;tbody&gt; &lt;tr&gt; &lt;td valign="top" width="250" align="middle"&gt;&lt;i&gt; &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/-5EJgkmAOwzQ/TgH_1zFSIUI/AAAAAAAAAbs/dYYqMlGt4Vo/s1600-h/pracinha%2525203%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px" title="Foto de Isa Kolbetz" border="0" alt="Foto de Isa Kolbetz" src="http://lh6.ggpht.com/-c-yPByP96Z8/TgH_2ebjnJI/AAAAAAAAAbw/mUnZdR1Zi4Q/pracinha%2525203_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="240" height="180"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br&gt;De cima pra baixo&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt; &lt;td valign="top" width="250" align="middle"&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/-AQv-nj-M7Vk/TgH_2zEe5_I/AAAAAAAAAb0/QUkKzZtOu3w/s1600-h/pracinha%2525204%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px" title="Foto de Isa Kolbetz" border="0" alt="Foto de Isa Kolbetz" src="http://lh6.ggpht.com/-5eRM24hzCsE/TgH_3SQbaDI/AAAAAAAAAb4/D94InrRnOJU/pracinha%2525204_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="240" height="180"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br&gt;De baixo pra cima&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/table&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="250" align="center"&gt; &lt;tbody&gt; &lt;tr&gt; &lt;td valign="top" width="250" align="middle"&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/-ijKDaWhwQdY/TgH_4AHLyiI/AAAAAAAAAb8/8OYVPfvORME/s1600-h/pracinha%2525205%25255B3%25255D.jpg"&gt;&lt;img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px" title="Foto de Isa Kolbetz" border="0" alt="Foto de Isa Kolbetz" src="http://lh3.ggpht.com/-OChGwe3GeCc/TgH_4-z6SDI/AAAAAAAAAcA/sr184o0_viw/pracinha%2525205_thumb%25255B1%25255D.jpg?imgmax=800" width="240" height="180"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br&gt;Minha ex-casa ao fundo&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/p&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-9010316102585980734?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/9010316102585980734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=9010316102585980734&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/9010316102585980734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/9010316102585980734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/06/jogos-de-bola.html' title='Jogos de bola'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/-rv_1KuQgQQg/TgH_zjVXNEI/AAAAAAAAAbg/EiiF-mQ4d54/s72-c/pracinha_thumb%25255B2%25255D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-4573016253493671065</id><published>2011-05-19T18:48:00.001-03:00</published><updated>2011-05-19T18:48:36.312-03:00</updated><title type='text'>Por uma vida melhor</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Por uma vida melhor&lt;/i&gt; é o título do livro que integra a coleção &lt;i&gt;Viver, Aprender&lt;/i&gt;, destinada aos alunos do Ensino de Jovens e Adultos (EJA), distribuído pelo MEC a 485 mil alunos de 4,2 mil escolas, através do Programa Nacional do Livro Didático. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Essa obra tem dado o que falar com a polêmica levantada pela imprensa escrita, falada, televisionada e “blogueada”. Cronistas, articulistas e editorialistas — muitos dos quais, tenho certeza, nem leram o livro didático —, todos fantasiados de donos da verdade e da língua portuguesa, insurgiram-se contra a obra porque, segundo eles, admite erros de português, coisa que acham que não cometem e não aceitam que se cometa. Alguns dizem que o livro ensina a falar errado; outros falam como se fosse para crianças (desconhecem, inclusive, que se destina ao EJA). Um grande jornal do Rio de Janeiro disse, em seu editorial, que &lt;i&gt;“&lt;/i&gt;&lt;i&gt;Este atentado à educação pública brasileira, considerada por unanimidade o maior empecilho a que o país atinja um estágio superior de desenvolvimento e se mantenha nele, se assenta numa visão ideológica da sociedade alimentada pela ‘mitologia do excluído’, ligada à ‘síndrome da tutela estatal’.&lt;/i&gt;&lt;i&gt;”&lt;/i&gt; Qual unanimidade, caras pálidas? Aquela burra, do Nelson Rodrigues? Eu fora! Neste caso, já não é mais unanimidade. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O primeiro capítulo do livro em questão, “Escrever é diferente de falar”, procura explicar aos alunos jovens e adultos (aqueles que não completaram os anos da educação básica em idade apropriada) que não há um só jeito de escrever e de falar, e que a língua portuguesa apresenta muitas variantes. Diz que uma delas é de origem social: “As classes sociais menos escolarizadas usam uma variante da língua diferente da usada pelas classes sociais que têm mais escolarização. Por uma questão de prestígio — vale lembrar que a língua é um instrumento de poder —, essa segunda variante é chamada de &lt;b&gt;variedade culta&lt;/b&gt; ou &lt;b&gt;norma&lt;/b&gt; &lt;b&gt;culta&lt;/b&gt;, enquanto a primeira é denominada &lt;b&gt;variedade&lt;/b&gt; &lt;b&gt;popular&lt;/b&gt; ou &lt;b&gt;norma&lt;/b&gt; &lt;b&gt;popular&lt;/b&gt;”. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Numa das seções desse capítulo, os autores explicam o funcionamento da concordância entre as palavras:  &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;A concordância entre as palavras é uma importante característica da linguagem escrita e oral. Ela é um dos princípios que ajudam na elaboração de orações com significado, porque mostra a relação existente entre as palavras.&lt;/i&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;Verifique como isso funciona:&lt;/i&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;Alguns &lt;b&gt;insetos&lt;/b&gt; provocam &lt;b&gt;doenças&lt;/b&gt;, às vezes, fatais à &lt;b&gt;população&lt;/b&gt; ribeirinha.&lt;/i&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;insetos (masculino, plural) ◄ alguns (masculino, plural) &lt;br&gt;doenças (feminino, plural) ◄ fatais (feminino, plural) &lt;br&gt;população (feminino, singular) ◄ ribeirinha (feminino, singular)&lt;/i&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;As palavras centrais (insetos, doenças, população) são acompanhadas por outras que esclarecem algo sobre elas. As palavras acompanhantes são escritas no mesmo gênero (masculino/feminino) e no mesmo número (singular/plural) que as palavras centrais.&lt;/i&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;Essa relação ocorre na norma culta. Muitas vezes, na norma popular, a concordância acontece de maneira diferente. &lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nesse sentido, seu conteúdo traz por escrito alguns exemplos de “falas” de pessoas de classes menos favorecidas, que tiveram pouco ou nenhum contato com a chamada norma culta da língua portuguesa. Entre outras, usam essas três frases para explicar as variedades: “Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado”; “Nós pega o peixe”; e “Os menino pega o peixe”. O que os cronistas e articulistas fizeram foi pinçar essas frases de seu contexto original e manipulá-las, como, aliás, soem fazer com tudo. Foi o que bastou para que a obra fosse considerada assustadora, absurda e outros adjetivos menos elogiosos. Nenhum deles, no entanto, falou sobre o contexto em que as frases foram apresentadas. Veja isso:  &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;Os &lt;b&gt;livro&lt;/b&gt; ilustrado mais interessante estão emprestado&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;Você acha que o autor dessa frase se refere a um livro ou a mais de um livro? Vejamos:&lt;/i&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;O fato de haver a palavra os (plural) indica que se trata de mais de um livro. Na variedade popular, basta que esse primeiro termo esteja no plural para indicar mais de um referente. Reescrevendo a frase no padrão da norma culta, teremos:&lt;/i&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;Os &lt;b&gt;livros &lt;/b&gt;ilustrado&lt;b&gt;s &lt;/b&gt;mais interessante&lt;b&gt;s &lt;/b&gt;estão emprestado&lt;b&gt;s&lt;/b&gt;.&lt;/i&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;Você pode estar se perguntando: “Mas eu posso falar ‘os livro?’.”&lt;/i&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de &lt;b&gt;preconceito linguístico&lt;/b&gt;. Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando as regras estabelecidas para a norma culta como padrão de correção de todas as formas linguísticas. O falante, portanto, tem de ser capaz de usar a variante adequada da língua para cada ocasião.&lt;/i&gt;  &lt;p&gt;Os autores também explicam que na variedade popular é comum a concordância funcionar de outra forma.  &lt;p&gt;&lt;i&gt;Nós pega o peixe.&lt;/i&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;nós = 1ª pessoa, plural&lt;br&gt;pega = 3ª pessoa, singular&lt;/i&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;Os menino pega o peixe.&lt;/i&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;menino = 3ª pessoa, ideia de plural (por causa do “os”)&lt;br&gt;pega = 3ª pessoa, singular&lt;/i&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;Nos dois exemplos, apesar de o verbo estar no singular, quem ouve a frase sabe que há mais de uma pessoa envolvida na ação de pegar o peixe. Mais uma vez, é importante que o falante de português domine as duas variedades e escolha a que julgar adequada à sua situação de fala.&lt;/i&gt; &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O capítulo todo tem 17 páginas. O texto que está recuado acima não chega a duas páginas e é o que está provocando toda essa celeuma. Na introdução do capítulo, os autores salientam que a língua é um instrumento de poder. A polêmica está provando isso. Os exemplos usados nada mais são do que a fala da gente simples, que jamais terá o “poder” de um cronista ou articulista da nossa imprensa ou de um especialista em gramática (leia-se norma culta) de nossas universidades. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Se o tema lhe interessar, não deixe de ler o capítulo todo em um desses links: &lt;a href="http://www.advivo.com.br/sites/default/files/documentos/v6cap1.pdf"&gt;&lt;br&gt;http://www.advivo.com.br/sites/default/files/documentos/v6cap1.pdf&lt;/a&gt; &lt;br&gt;&lt;a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/pdf/11055740.pdf"&gt;http://zerohora.clicrbs.com.br/pdf/11055740.pdf&lt;/a&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;.:: o ::.&lt;/b&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TdWQL-LvGNI/AAAAAAAAAbU/6TPO5JcjG4Q/s1600-h/clip_image002%5B5%5D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="clip_image002" border="0" alt="clip_image002" src="http://lh4.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TdWQMpcQkVI/AAAAAAAAAbY/PV51B5y_AHw/clip_image002_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="500" height="229"&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Coloquei no Google o título do livro, &lt;i&gt;Por uma vida melhor&lt;/i&gt;, acompanhado das palavras-chave &lt;i&gt;livro&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;EJA.&lt;/i&gt; O buscador retornou 643 mil resultados. Escolhi aleatoriamente uma dessas entradas. Era a notícia de que a Associação Brasileira de Letras criticara o livro e havia inúmeros comentários de leitores. A grande maioria dando força para o texto. Selecionei alguns dos poucos que faziam o contrário, ou seja, criticavam o texto e davam força para o livro. Eis um deles: &lt;/p&gt; &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;Vergonhosa mesmo é a reação da mídia até o momento. Totalmente desinformados. Todos defendem a Gramática tradicional em detrimento da ciência que se chama Linguística. Assim como a Física Quântica e a da Relatividade, as duas não se “bicam” mesmo. Todos devem estudar um pouco mais e saber que nada há de errado no conteúdo do livro da escritora Heloísa Ramos, que o MEC, acertadamente, defende. Basta consultar Marcos Bagno, Sírio Possenti, este, um dos principais membros da Academia Brasileira de Letras, dentre outros.&lt;br&gt;É uma pena que estas pessoas achem que o idioma é estático e nunca muda. Há vida nas línguas de qualquer país e, por isso, mudam a cada geração. O Português não é diferente. Leiam qualquer obra do século XVIII ou XIX para verem que a Linguística está correta. Defender a rigidez que prega Pasquale Cipro Neto é atentar contra a inteligência do falante.&lt;/i&gt; &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nesse mesmo &lt;i&gt;site&lt;/i&gt; havia um comentário que considero uma pérola, ainda mais vindo de um, pasme, “professor”:  &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;&lt;i&gt;Um absurdo!!! Só pode ser brincadeira…, e por sinal de muito &lt;/i&gt;&lt;b&gt;mal&lt;/b&gt;&lt;i&gt; (SIC) gosto. Livro didático, pregando que &lt;/i&gt;&lt;b&gt;é possível&lt;/b&gt;&lt;i&gt; e admissível &lt;/i&gt;&lt;b&gt;erros&lt;/b&gt;&lt;i&gt; grosseiros (SIC) de &lt;/i&gt;&lt;b&gt;portugues&lt;/b&gt;&lt;i&gt; (SIC), comprado com o dinheiro público pelo MEC, para ensinar jovens brasileiros… essa a verdadeira herança maldita. E me perdoem os outros, mas são um bando de PTistas interesseiros. Deve ter havido dinheiro por fora e alguns sempre levando uma vantagem – a famosa lei de Gerson .Triste, muito triste ver pessoas que ainda vão defender essa nova &lt;/i&gt;&lt;b&gt;lingistica&lt;/b&gt;&lt;i&gt;… (SIC), incrível mesmo. E ainda &lt;/i&gt;&lt;b&gt;vão se dar&lt;/b&gt;&lt;i&gt; (?) de “cultos”. Como professor, já lhes aponto grandes problemas futuros: com a desvalorização e desrespeito por que passam os professores de todos os níveis e por todo nosso país, tenho certeza, que em futuro próximo, veremos professores sendo processados por “preconceito &lt;/i&gt;&lt;b&gt;liguístico&lt;/b&gt;&lt;i&gt;” (SIC) por estudantes interessados nessa educação que se prega. É triste… e é de envergonhar qualquer um. No fundo é de dar nojo de ver o que estão fazendo com a educação no Brasil. Dessa forma vai ser &lt;/i&gt;&lt;b&gt;dificil&lt;/b&gt;&lt;i&gt; (SIC) dizer que querem investir na educação para libertar o povo brasileiro e fazermos nós que o Brasil dê um salto de qualidade. Assim, com essas coisas acontecendo por aqui, vamos sim nos enterrar na imbecilidade de “alguns”, infelizmente. Pobre desse Brasil.&lt;/i&gt; &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pobres dos alunos desse professor que não sabe, por exemplo, a diferença entre mal e mau, que não acentua palavras e que não sabe o que é “linguística”, mas conhece muito bem a &lt;b&gt;lingistica&lt;/b&gt; e inventou o preconceito &lt;b&gt;ligístico&lt;/b&gt;. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quanto aos “istas”, sejam eles da imprensa ou da gramática, que me perdoem, mas é muita ignorância não entenderem que a língua é um organismo vivo, em constante movimento, e que isso deve ser ensinado. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando estava no ginásio, na década de 60, aprendi a concordar o numeral da porcentagem dessa forma: &lt;b&gt;&lt;i&gt;60 por cento dos gaúchos ainda não entregaram a declaração de rendimentos&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; ou &lt;b&gt;&lt;i&gt;60 por cento da população gaúcha ainda não entregaram a declaração de rendimentos&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;. Com o tempo, por desconhecerem essa regra — decerto por algum problema entre o tico e o teco, ou melhor, entre a semântica e a sintaxe —, os redatores de jornal começaram a escrever assim: &lt;b&gt;&lt;i&gt;60 por cento da população gaúcha ainda não entregou a declaração de rendimentos&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;. Em vista disso, os gramáticos de ocasião passaram a considerar correta essa forma. Não sei como ficaria se, ao escrever, resolvesse inverter a ordem da frase: &lt;b&gt;&lt;i&gt;Da população gaúcha, 60 por cento ainda não (&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;entregou ou entregaram?&lt;b&gt;) a declaração de rendimentos&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;. Há vários exemplos como esse, em que o uso da língua por incultos acabou mudando a regra dita culta. &lt;br&gt;Veja os textos a seguir. Eles são a prova de que a língua muda.  &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Razoões desvairadas, que alguuns fallavam sobre o casamento delRei Dom Fernamdo&lt;/b&gt;  &lt;p&gt;Quamdo foi sabudo pello reino, como elRei reçebera de praça Dona Lionor por sua molher, e lhe beijarom a maão todos por Rainha, foi o poboo de tal feito mui maravilhado, muito mais que da primeira; por que ante desto nom enbargando que o alguuns sospeitassem, por o gramde e honrroso geito que viiam a elRei teer com ella, nom eram porem çertos se era sua molher ou nom; e muitos duvidamdo, cuidavom que se emfa daria elRei della, e que depois casaria segundo perteemçia a seu real estado: e huuns e outros todos fallavam desvairadas razõoes sobresto, maravilhamdose muito delRei nom emtemder quamto desfazia em si, por se comtemtar de tal casamento.  &lt;p&gt;&lt;em&gt;(Trecho de crônica escrita em português arcaico na primeira metade do século XV, de Fernão Lopes, escrivão de livros do rei D. João I e escrivão do infante D. Fernando.) &lt;/em&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Gréve dos Alfaiates&lt;/b&gt; – Esteve, hontem, na Chefatura de Policia, o official alfaiate Ulysses Henrich, que entregou ao dr. Vasco Bandeira, chefe de policia, um officio em que a União dos Alfaiates diz que nenhum grevista tentou, até hoje, aggredir qualquer collega. Depois de ouvil-o, o dr. Bandeira declarou...  &lt;p&gt;&lt;em&gt;(Trecho de notícia publicada no Correio do Povo em 19 de maio de 1911) &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Daqui a alguns anos, todos estarão escrevendo e dizendo que “os livro ilustrado mais interessante estão emprestado” ou que “nós pega o peixe” e os cronistas e gramáticos do futuro estarão defendendo essa forma como a mais culta e absoluta. Não sei se a regra será considerada melhor ou pior que a do passado, mas espero que a vida seja melhor.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-4573016253493671065?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/4573016253493671065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=4573016253493671065&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/4573016253493671065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/4573016253493671065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/05/por-uma-vida-melhor.html' title='Por uma vida melhor'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TdWQMpcQkVI/AAAAAAAAAbY/PV51B5y_AHw/s72-c/clip_image002_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-3770718230290676183</id><published>2011-05-08T14:29:00.001-03:00</published><updated>2011-05-08T14:29:23.018-03:00</updated><title type='text'>Saravá! Quando a fé fere o direito.</title><content type='html'>&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TcbS78wbdeI/AAAAAAAAAbI/ZxifarZkHPY/s1600-h/galos%20dos%20despachos%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="" border="0" alt="" src="http://lh5.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TcbS8ZGVHpI/AAAAAAAAAbM/8rdDVjwVSVE/galos%20dos%20despachos_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="500" height="319"&gt;&lt;/a&gt;  &lt;blockquote&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;i&gt;Diante dos direitos e deveres individuais e coletivos garantidos na Constituição Federal no art. 5º, especificamente no Inciso VI, ‘é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias’, ou do Código Penal sobre os crimes contra o sentimento religioso em seu art. 208: ‘Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso’, faz-se necessária a apresentação deste projeto de lei que define, em parágrafo único, a garantia constitucional que vem sendo violada por interpretações dúbias e inadequadas da Lei nº 11.915, de 21 de maio de 2003 que institui o Código Estadual de Proteção aos Animais. Face a essa dubiedade de interpretação, os Templos Religiosos de matriz africana vêm sendo interpelados e autuados sob influência e manifestação de setores da sociedade civil que usam indevidamente esta lei para denunciar ao poder público práticas que, no seu ponto de vista, maltratam os animais.&lt;/i&gt; &lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O texto acima, de 06 de agosto de 2003, é a justificativa do então deputado Edson Portilho (PT), por ocasião da apresentação de seu Projeto de Lei Nº 282/2003, que acrescentava parágrafo único ao art. 2º da lei nº 11.915, de maio de 2003, que institui o Código Estadual de Proteção aos Animais, no âmbito do Estado do Rio Grande do Sul. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O projeto foi aprovado por 32 votos a dois pelo plenário da Assembléia Legislativa e, após, sancionado pelo governador Germano Rigotto, em julho de 2004. Depois da iniciativa do hoje em dia vereador em Sapucaia do Sul, Edson Portilho, a redação do artigo 2º do Código Estadual de Proteção aos Animais ficou assim: &lt;/p&gt; &lt;blockquote&gt; &lt;p style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;Art. 2º - É vedado:  &lt;p style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;b&gt;I. &lt;/b&gt;ofender ou agredir fisicamente os animais, sujeitando-os a qualquer tipo de experiência capaz de causar sofrimento ou dano, bem como as que criem condições inaceitáveis de existência;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;  &lt;p style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;b&gt;.../...&lt;/b&gt;  &lt;p style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;b&gt;Parágrafo único - Não se enquadra nessa vedação o livre exercício dos cultos e liturgias das religiões de matriz africana.&lt;/b&gt; &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A gritaria dos protetores dos animais foi geral. Até hoje recebo emails condenando o ex-deputado, seu Projeto de Lei e os demais deputados que votaram a favor, como se o assunto fosse novidade. Se procurarem no Google as palavras “lei edson portilho” vão receber mais de 100 mil resultados. O surpreendente é que mais de 80 mil são de 2010. Ô, gentinha que dorme no ponto! Depois de seis anos de o Código estar em vigor com o tal parágrafo, resolveram comentar o assunto. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sempre que recebo emails de protetores de animais ou de simpatizantes de animais e dos protetores desses, tratando do tema como se fosse novidade, ou seja, “informando-me” do acontecido, imediatamente informo-os sobre a chata e inoportuna defasagem temporal da indignação. Pô! O troço aconteceu em 2003-2004 e estão falando como se fosse hoje! Mas isso não vem ao caso. Enfim, o Código teve seu texto alterado e, desde então, ninguém pode reclamar dos sacrifícios de animais que certa religião promove a título de crença, de ritual, de liturgia e os cambau. &lt;i&gt;Sifu&lt;/i&gt; os demais. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Já escrevi aqui sobre isso (&lt;a href="http://coisasdoaldo.blogspot.com/2009/10/galos-de-despachos.html" target="_blank"&gt;Galos de despachos&lt;/a&gt;) e, hoje, não quero falar sobre o direito de os animais — no caso galos — não serem mortos para realização dos rituais, mas sim do direito de quem mora perto das encruzilhadas preferidas por esses religiosos. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nunca achei que matar galos pra colocar em despachos fosse crueldade com animais. O sacrifício da morte existe seja qual for o destino dado ao cadáver: um despacho, um casaco ou uma mesa de almoço ou jantar. O galo, a chinchila e o boi vão morrer contra sua vontade. O que me causa indignação, no caso dos despachos, é o cadáver ficar ali exposto, sob o sol, sob o olhar de todos, inclusive das crianças. Por que isso não pode ser feito dentro dos terreiros, assim como são os rituais nas igrejas, nas mesquitas e sinagogas? Por que tem que ser nas esquinas das ruas onde a gente vive? Entendo que o direito de alguém professar sua fé através de ritos religiosos termina onde começa o meu direito à higiene, a saúde pública ou individual. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Já falei várias vezes desse bairro deselegante em que moro. E moro numa esquina classificada como encruzilhada estratégica por religiosos de certa crença. Esses religiosos teimam em escolher essa esquina como altar para seus ritos. Seguidamente tem nela um despacho com o cadáver de um galo entre grãos de pipoca, sobre um arranjo de folhas de jornal e papel de seda vermelho. Hoje, domingo, Dia das Mães, a rua amanheceu com três cadáveres de galos — um preto, um marrom e um branco — espalhados sobre as calçadas. Algum cachorro grande e novo na zona resolveu, durante a madrugada, jantar os galos mortos. Não conseguindo devorá-los por inteiro, deixou-os mastigados entre as penas que se soltaram. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Uma coisa que se tolera é ver os galos mortos sobre os despachos nas esquinas; outra, intolerável, é vê-los espalhados pelas calçadas. Repugnante! &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Lamento não ter condenado, na época, a iniciativa do então deputado Edson Portilho. Que os praticantes dessa religião que mata galos e os coloca em esquinas tenham em mente que a Constituição lhes garante “proteção aos locais de culto e a suas liturgias”. Entendo, contudo, que essas liturgias devam ficar restritas aos locais de culto e que estes não sejam as esquinas das ruas, que são públicas e de todos, inclusive de quem professa outra fé.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-3770718230290676183?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/3770718230290676183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=3770718230290676183&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/3770718230290676183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/3770718230290676183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/05/sarava-quando-fe-fere-o-direito.html' title='Saravá! Quando a fé fere o direito.'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh5.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TcbS8ZGVHpI/AAAAAAAAAbM/8rdDVjwVSVE/s72-c/galos%20dos%20despachos_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-5783795442349776862</id><published>2011-05-07T17:10:00.001-03:00</published><updated>2011-05-07T17:10:03.461-03:00</updated><title type='text'>Não requer prática nem habilidade, pode-se fazer com a maior facilidade!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt; &lt;p&gt;O título desta postagem é um antigo bordão que costumava ouvir dos camelôs do centro de Porto Alegre, na minha adolescência. Usei-o como título de uma reportagem que fiz em 1977, quando cursava o 6º semestre de jornalismo na PUC. O trabalho ganhou primeiro lugar em reportagem para estudantes, no I Prêmio Anual do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Porto Alegre. A matéria foi publicada no jornal Comunicação, informativo do Sindicato, em dezembro daquele ano. Achei um exemplar e reproduzo abaixo a reportagem.  &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;.:: o ::.&lt;/b&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;“É o gigante, o balão japonês, &lt;i&gt;olhaí&lt;/i&gt;! &lt;i&gt;Óia&lt;/i&gt; a lixa pra &lt;i&gt;péis&lt;/i&gt;, pra senhora e cavalheiro! É a novidade, é o &lt;i&gt;raibanspeiado&lt;/i&gt;! A moda do Rio e São Paulo, agora aqui. A mais prática carteira pra documento: dá pra &lt;i&gt;enganá&lt;/i&gt; até ladrão porque tem &lt;i&gt;malandrage&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;Olhaí&lt;/i&gt; o balão japonês, a lixa pra &lt;i&gt;péis&lt;/i&gt;, é unissex o &lt;i&gt;raibanspeiado&lt;/i&gt;, a novidade, porta-documentos, lixa, óculos, gigante, o balão japonês...”&lt;/b&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TcWnF1g_WPI/AAAAAAAAAbA/AtcdtKeRQB8/s1600-h/clip_image002%5B5%5D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="clip_image002" border="0" alt="clip_image002" src="http://lh6.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TcWnGtHKy2I/AAAAAAAAAbE/tcegAz1Dh1g/clip_image002_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="500" height="375"&gt;&lt;/a&gt;  &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Misturando-se às vozes de quem passa, ao estridente som das discotecas e aos berros dos fanáticos religiosos está o pitoresco pregão dos camelôs. Suas vozes metálicas anunciam, na linguagem do povo, os seus coloridos produtos ao som da novidade. E assim vivem e fazem viver a família. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De vez em quando, a fiscalização da SMIC (Secretaria Municipal da Indústria e Comércio) faz com que esses vendedores não registrados levantem-se ligeiro, carregando a mercadoria. A pena para quem não tem o registro é ter o produto do seu sustento apreendido. E pra retirá-lo deve pagar uma taxa. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O romantismo abrutalhado de seus pregões já se incorporou à vida da Rua da Praia, da Voluntários e da Otávio Rocha, onde há maior quantidade de camelôs. Um ao lado do outro, vão vendendo óculos escuros, lixas pra pés, naftalina, bijuterias, lenços, meias, brinquedos, carteiras, de tudo um pouco.  &lt;p&gt;&lt;b&gt;SÓ DÁ PRA FAZER ISTO&lt;/b&gt;  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A maioria dos camelôs escolheu essa profissão, muitas vezes perigosa, por não ter condições de fazer outra coisa, como Matias, que há 22 anos vende na rua. “Já vendi de tudo um pouco e nunca fui registrado. A papelada que eles &lt;i&gt;pede&lt;/i&gt; é demais e, sendo doente como &lt;i&gt;sô&lt;/i&gt;... Há quatro anos estou encostado no INPS e só disso não dá pra &lt;i&gt;vivê&lt;/i&gt;.” Matias não usa o “pregão” pra vender o seu peixe na Rua da Praia. “Eu fico aqui parado, os &lt;i&gt;fregueis chega&lt;/i&gt;, fala comigo e compra. Este ponto é bom porque passa bastante gente. As lojas não se importam. Tem umas que até fazem &lt;i&gt;questã &lt;/i&gt;que a gente trabalhe defronte que é pra &lt;i&gt;cuidá &lt;/i&gt;os &lt;i&gt;mau elemento &lt;/i&gt;que entra pra &lt;i&gt;sacaniá&lt;/i&gt; eles. Vendo a gente aqui eles &lt;i&gt;respeita&lt;/i&gt;.” &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Batista está começando na profissão e o motivo da escolha é o mesmo: não pode fazer outra coisa. “Faz um ano que trabalho nisso porque me quebrei todo: perna, costela... Então não tenho oportunidade pra &lt;i&gt;pegá&lt;/i&gt; noutro serviço mais pesado. De &lt;i&gt;veiz&lt;/i&gt; em quando eu saio, umas duas &lt;i&gt;veiz&lt;/i&gt; por semana, e, a pau-e-corda faço &lt;i&gt;uns&lt;/i&gt; &lt;i&gt;biscate&lt;/i&gt;”. Batista também não é registrado, mas não tem medo da fiscalização, nunca foi pego. “Quando eu vejo &lt;i&gt;os fiscal&lt;/i&gt; me levanto e saio”. Batista tem mulher e quatro filhos. O sustento da família é o resultado de seu dia-a-dia vendendo lenços e brinquedos. “Quando &lt;i&gt;tá&lt;/i&gt; bom eu tiro uns cem, cento e pouco por dia”. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E a mercadoria vai saindo. Gente olha, gente para, gente pechincha, gente compra. Há aqueles que, constantemente, estão numa roda de pessoas. A sua propaganda é interessante e o pessoal quer ver como funciona o produto. Geralmente é novidade. Há poucos dias, um novo artigo apareceu. É uma carteira para documentos e dinheiro, com muitos truques. Põe-se o dinheiro solto na carteira, vira-se e o dinheiro está preso. De um lado se vê bastante dinheiro; do outro, pouco. E o camelô vai explicando o truque. Muita gente fica um pouco confusa e o vendedor repete a operação. Muitas vezes, as pessoas compram a novidade sem nem saber usar direito. “Eu não sei, olhei, achei legal. Agora, em casa, dou uma treinadinha e tudo bem”.  &lt;p&gt;&lt;b&gt;É UM BOM SERVIÇO&lt;/b&gt;  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nem todos os camelôs o são por necessidade, por serem doentes ou encostados no INPS. Jurandir trabalha no ramo porque gosta. “Estou com 28 anos e trabalho desde os 18. Não tenho profissão e, graças a Deus, aqui me defendo &lt;i&gt;mais melhó&lt;/i&gt; do que se fosse &lt;i&gt;trabalhá&lt;/i&gt; de salário mínimo. Quase sempre tiro cento e poucos cruzeiros por dia e pago 35 por mês pro sindicato. Quem não é regularizado é porque não &lt;i&gt;tão&lt;/i&gt; por dentro de onde deve ir. E depois tem &lt;i&gt;plobrema&lt;/i&gt; com a fiscalização”. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Célia acha que é um serviço bom. Estudou até a 7ª série, parou e, agora, é camelô. Além disso, Célia inaugura um novo emprego: trabalhar em banquinha de camelô. “Eu trabalhava fora antes. Agora &lt;i&gt;tô&lt;/i&gt; aqui, ganhando 60 cruzeiros por dia na banca do seu Francisco. Acho que o seu Francisco &lt;i&gt;veve&lt;/i&gt; bem do negócio. Eu mesma abro, eu mesma fecho e ele só vem aqui, recebe o dinheiro e pronto. Tem dias que dá mais de duzentos cruzeiros; noutros, quase não dá. O seu Francisco tem carteirinha e tudo, e nesta semana ele &lt;i&gt;tá&lt;/i&gt; caminhando pra &lt;i&gt;botá&lt;/i&gt; o meu nome na carteirinha. &lt;i&gt;Cruiz credo&lt;/i&gt;! Se a fiscalização chega, nem sei...”  &lt;p&gt;&lt;b&gt;AGRESSÕES&lt;/b&gt;  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Os camelôs também são gente e têm o direito de trabalhar como todo mundo”. Assim Carlos Eisenhut Filho, presidente do Sindicato dos Vendedores Ambulantes e Feirantes do Estado do Rio Grande do Sul, fala dos camelôs e das agressões e intimidações que a categoria vem sofrendo ultimamente. “A SMIC, a Prefeitura e a Brigada Militar — explica Eisenhut — não são responsáveis pelas agressões que vêm sofrendo os vendedores ambulantes e os camelôs”. E denuncia: “o responsável é o senhor Alécio Ughini, diretor da Associação Comercial de Porto Alegre. Ele quer a retirada dos camelôs dos seus pontos de trabalho”. Mas o Sindicato só pode agir em favor daqueles que estão devidamente legalizados, que tenham alvará da SMIC e sejam filiados ao órgão de classe. “Se for necessário — diz Eisenut —, iremos às últimas consequências”. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A profissão de camelô está devidamente regulamentada pela Lei Nº 3.187. Ela estabelece as condições para que o trabalhador seja regularizado. O primeiro passo é que seja cadastrado na SMIC e, depois, se sindicalize. Assim, ele receberá um crachá e um ponto para trabalhar. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “São trabalhadores honestos e assim devem ser reconhecidos”, diz Eisenhut.  &lt;p&gt;&lt;b&gt;HONESTIDADE DUVIDOSA&lt;/b&gt;  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mas há uma certa malícia na “honestidade” de alguns. Comop no caso daqueles cachorrinhos de brinquedo que só latem na mão do camelô. Com um apito escondido sob a língua, o vendedor faz o som ao mesmo tempo em que aperta o sifão que move o cachorro. O desavisado que compra, leva pra casa um cachorrinho mudo. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Outros têm um esquema tão bem bolado que chega a ser um caso de marketing. Enquanto apregoa o seu artigo, o pessoal olha desconfiado. De repente, alguém se deixa levar. Logo, mais outro também decide comprar. E o pessoal começa a adquirir a mercadoria, incentivado pelos primeiros compradores. Passando um tempo, quando não há mais nenguém por perto, voltam os dois primeiros, devolvem a mercadoria e recebem de volta o dinheiro. Assim que o pregão chama mais gente, a operação recomeça.  &lt;p&gt;&lt;b&gt;O PROBLEMA DO CEGUINHO&lt;/b&gt;  &lt;p&gt;O Arthur ainda é daqueles que fazem propaganda da mercadoria, mas honestamente, sem contar com qualquer esquema. A falta de visão talvez lhe tenha deixado aquele ar de paciência. Na Rua da Praia, alheio à passarela de urgentes executivos, misses de verão e paqueradores inoportunos, vai anunciando a sua naftalina, com voz forte e pausada. E sópara pra fumar de vez em quando. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “A gente vive porque não tem outro recurso de negócio. Não dá pra fazer boas vendas, pra trazer conforto pra dentro de casa como seria interessante. Tenho minha senhora e um gurizinho pra sustentar. Ganho também do INPS, mas não chega. Não me associo ao Sindicato porque, com o que ganho na rua, não dá pra pagar a mensalidade. Algum tempo atrás, quando o prefeito quis pôr as primeiras bancas pra cegos, eu fui um dos contemplados com um ponto. Aí fui trabalhar numa firma e perdi o ponto. Quando eu voltei, o prefeito tinha cancelado os pontos de banca. Quem tinha, tinha; quem não tinha teve que ir vender na rua. Se eu tivesse uma banquinha de bijuterias ou de frutas, conforme outros cegos têm aí, tranquilo, dava pra pagar o Sindicato e ainda levar um melhor conforto pra casa. No verão dá pra &lt;i&gt;defendê&lt;/i&gt; uns 60 por dia, mas, no inverno, a gente tira 30 cruzeiros, quando muito”. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Com a escuridão nos olhos, Arthur solta o berro metálico do seu pregão:  &lt;p&gt;&lt;b&gt;“É naftantzantdrop. É &lt;em&gt;dois cruzeiro&lt;/em&gt; o pacote. É con-tra-tra-ç’e barata. É &lt;i&gt;dois cruzeiro&lt;/i&gt; o pacote!”&lt;/b&gt;  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E os pregões que ainda restam, seguem anunciando de tudo um pouco. Os recursos ficam cada vez mais sofisticados. Os antigos e criativos camelôs, com seus textos rebuscados, deixam o ponto para a gurizada arisca. A burocracia dos alvarás toma conta do romantismo folclórico. A pressa atropela o pitoresco. Quem não lembra da antiga Praça Parobé, da cobra Catarina e do lagarto José? &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;.:: o ::.&lt;/b&gt;  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Desde fevereiro de 2009, os camelôs do centro de Porto Alegre estão abrigados no que era pra ser inicialmente o Centro Popular de Compras, mas que acabou sendo conhecido como “Camelódromo” e chamado de “Shopping do Porto”, apesar de certo deputado querer acabar com os estrangeirismos. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O projeto, de iniciativa público-privada, tirou das ruas cerca de 800 camelôs e lhes concedeu um lugar com toda a infra-estrutura necessária para a prática do comércio. Localizado na Rua Voluntários da Pátria, o camelódromo comporta 800 lojas, praça de alimentação, lotérica, caixas eletrônicos, restaurante temático e estacionamento. Além disso, tem duas passarelas com vista panorâmica sobre a movimentada Avenida Júlio de Castilhos. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em 2010, o Shopping do Porto venceu Prêmio Top de Marketing da ADVB/RS na categoria Pólos Comerciais. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os camelôs — como eram chamados antigamente os vendedores ambulantes — são, hoje, prósperos empresários, locatários de lojas em um shopping, e já não anunciam mais “raibanspeiados”. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ficou curioso pra saber o que seriam “raibanspeiados”? Trata-se de óculos de sombra, comumente chamados de Ray Ban — que é uma marca e não um tipo de óculos —, com as lentes espelhadas, surgidos na década de 70. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-5783795442349776862?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/5783795442349776862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=5783795442349776862&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/5783795442349776862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/5783795442349776862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/05/nao-requer-pratica-nem-habilidade-pode.html' title='Não requer prática nem habilidade, pode-se fazer com a maior facilidade!'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TcWnGtHKy2I/AAAAAAAAAbE/tcegAz1Dh1g/s72-c/clip_image002_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-54616730063685407</id><published>2011-04-30T18:42:00.001-03:00</published><updated>2011-04-30T18:42:37.682-03:00</updated><title type='text'>Ponto de venda</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt; &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TbyCSeWXjnI/AAAAAAAAAa4/vnfNH3JSAco/s1600-h/arvore%20pichada%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="" border="0" alt="" src="http://lh5.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TbyCTIwkbmI/AAAAAAAAAa8/UOLQtK9dayY/arvore%20pichada_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="500" height="281"&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Da minha janela de observação vi que picharam o tronco de uma árvore em frente, no outro lado da rua. Uma injúria. Não à árvore, mas à Polícia Militar. Alguém escreveu ali, bem legível: PM PUTO. Percebi de cara que não era uma simples pichação, pois a letra não era de pichador. Era uma ação objetivando denegrir a imagem de um adversário. Vou explicar. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Moro no Partenon, um bairro de Porto Alegre cuja história começou quando alguns literatos da cidade passaram a se encontrar com certa frequência e, desses encontros, nasceu a Sociedade Partenon Literário, oficialmente fundada em 1868. Com o aumento de prestígio da sociedade, foi proposta a construção de uma sede. Em um terreno doado por um de seus membros, localizado no topo de um morro, onde hoje é a Igreja de Santo Antônio, os integrantes da sociedade sonhavam construir uma réplica do Partenon grego. Em 1873 foi lançada a pedra fundamental da sede. A ideia, contudo, não prosperou. Ao mesmo tempo, um grande plano de urbanização e loteamento da área encontrava-se em curso. Num acordo com os membros da sociedade, o loteamento utilizaria o nome “Partenon” e a sociedade receberia parte da terra a ser loteada. Em 1899, porém, a sociedade se dissolveu e doou seus terrenos à Santa Casa de Misericórdia (a sociedade teve suas atividades reiniciadas muitos anos depois, em 1997). &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O bairro, no entanto, sobreviveu com o nome do templo grego e nele, hoje, entre outras coisas, há um dos mais afamados pontos de drogas da cidade, motivo daquela pichação no tronco da árvore. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Só vim a conhecer o Partenon há pouco mais de cinco anos — antes disso era só de passagem —, quando me mudei para bem perto da famosa boca de fumo e já era tarde pra voltar atrás. Com o tempo descobri que era seguro morar por aqui, pois a presença do ponto e de seus controladores afasta da vizinhança outros tipos de delinquentes, como ladrões de automóveis e assaltantes, que operam livremente noutros bairros. Percebi que a convivência era pacífica e que, inclusive, até a polícia pouco se importava com o comércio ilegal ali instalado. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Até um tempo atrás, os consumidores procuravam o “vendedor” a qualquer hora do dia. E eram atendidos prontamente. Havia um “plantonista” 24 horas a espera dos compradores. Sinal de que, apesar da grande procura, a mercadoria era bastante ofertada a granel. Nas sextas-feiras e sábados, o movimento aumentava um pouco e havia certa fila de espera, mas nada preocupante. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De um tempo pra cá, ficaram mais assíduas grandes apreensões de drogas e prisões de traficantes no Estado. Ao mesmo tempo, a polícia começou a ficar mais constante no bairro, aparecendo a qualquer hora, até mais de uma vez por dia. Quando não vem de carro, vem de moto; quando não vem de moto, vem de bicicleta; e assim por diante. Acho que as apreensões de drogas e prisões de traficantes também causaram apreensão nos donos do mercado, que passaram a receber menos mercadoria e/ou a controlar mais sua saída. Uma das consequências foi o acúmulo de consumidores nas ruas próximas. A uma quadra do ponto fica reunido um grupo grande; um pouco mais acima, esparsos, outros grupos, de dois, três ou quatro, e alguns automóveis estacionados; na rua da boca, pouco abaixo do ponto, vários consumidores disfarçados de moradores do bairro ficam encostados nas paredes, batendo bola, etc.. De repente, aparece alguém, pode ser um garoto ou uma garota, uma mulher ou um homem e grita algo como “— Tá na mão!” e a turba parte dos diversos pontos de encontro e se dirige para uma espécie de guichê, onde adquire uma porção da variedade dos produtos ali vendidos. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Dia desses fui buscar o carro que havia deixado para lavar a uns 30 metros do ponto. Quando me aproximava da lavagem, uma mulher gritou:— Fulano mandou dizer que tá na mão! Fui envolvido por uma massa de consumidores que praticamente me arrastava pela rua, em direção ao vendedor. Consegui escapar, atravessei a rua e acelerei o passo até a lavagem de carros. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A árvore que foi pichada fica na esquina em frente a minha janela, onde sempre há um grupo reunido, esperando que o mercado abra. Seguidamente, a polícia para o carro ou as motos ou as bicicletas e dá um atraque nos “manos” ali parados. Mãos na parede, pernas abertas, uma revista, documentos verificados, um sermão e uma ordem pra circular. Os caras desaparecem. Quando voltam, o mercado já fechou e eles ficaram sem a mercadoria. Se ficarem ali parados esperando abrir de novo podem ser “reatracados” e a coisa vai ficar feia. Numa dessas, um dos manos, muito irritado, deixou sua raiva escrita no tronco da árvore “PM PUTO”. A inscrição vai ficar ali por um bom tempo, incrustada na casca da árvore, junto aos fungos que a habitam, mas, acredito, menos tempo do que os vendedores e do que os grupos de consumidores reunidos esperando abrir o mercado da droga. Esses vão durar mais. Talvez pra sempre.  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-54616730063685407?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/54616730063685407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=54616730063685407&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/54616730063685407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/54616730063685407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/04/ponto-de-venda.html' title='Ponto de venda'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh5.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TbyCTIwkbmI/AAAAAAAAAa8/UOLQtK9dayY/s72-c/arvore%20pichada_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-4060878867488366723</id><published>2011-04-26T11:20:00.005-03:00</published><updated>2011-04-26T13:21:23.601-03:00</updated><title type='text'>Marketing {estratégia empresarial de otimização de lucros por meio da adequação da produção e oferta de mercadorias ou serviços às necessidades e ...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;h4&gt;...preferências dos consumidores, recorrendo a pesquisas de mercado, &lt;em&gt;design&lt;/em&gt; [a concepção de um produto (máquina, utensílio, mobiliário, embalagem, publicação etc.), especialmente no que se refere à sua forma física e funcionalidade], campanhas publicitárias, atendimentos pós-venda etc.}&lt;/h4&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TbbTas_wV6I/AAAAAAAAAaY/IwCoERQJq9E/s1600-h/marketing.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="marketing" border="0" alt="marketing" src="http://lh5.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TbbTbdIxslI/AAAAAAAAAac/G4s5SbxY1ho/marketing_thumb.jpg?imgmax=800" width="500" height="395"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Tá difícil de entender o porquê desse título? Simples. Estou tentando me acostumar com a nova lei aprovada pela Assembleia gaúcha. Trata-se do Projeto 156/2009, do deputado Raul Carrion (PCdoB), que obriga a tradução de expressões ou palavras estrangeiras para a língua portuguesa, sempre que houver no idioma uma palavra ou expressão equivalente. Se, no entanto, não houver palavra ou expressão equivalente em português, diz o texto aprovado, uma tradução deverá acompanhar com o mesmo tamanho e destaque o intruso linguístico. Foi, então, o que fiz: apesar de o estrangeirismo “marketing” já estar incluído nos dicionários de língua portuguesa, como não tem equivalente no nosso idioma, coloquei uma explicação sobre o significado do termo, com o mesmo destaque. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um detalhe interessante é que a explicação do termo marketing menciona outro estrangeirismo, &lt;i&gt;design&lt;/i&gt;, que também tive que explicar, sob risco de o leitor não saber sobre o que estava falando, de acordo com o deputado Raul Carrion. &lt;i&gt;Design&lt;/i&gt; até teria tradução: como substantivo, pode significar projeto, desenho, desígnio, modelo, plano, esquema, esboço, planta, risco, enredo; como verbo, pode ser projetar, desenhar, planejar, delinear, designar, esboçar, tencionar, destinar. Devido à complexidade, achei mais fácil explicar o termo do que traduzi-lo. Aliás, marketing, grosso modo, poderia ser traduzido como mercadologia, só que o próprio dicionário manda olhar o termo marketing quando se procura uma acepção de mercadologia. Vá entender! &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O princípio da lei é muito simples: traduz-se ou explica-se o estrangeirismo, como observado no título deste texto. Ou seja: várias linhas no lugar de uma palavra que, mesmo sendo estrangeira, em 99,99% dos casos já é conhecida por todos. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um dos argumentos do deputado é o caso de palavras que provocam confusão nos consumidores como “light” e “diet”. Diz o parlamentar que muitas vezes são entendidas como sinônimas, mas possuem significados distintos. Carrion entende que os diabéticos correm risco de morte ao fazerem essa confusão. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eu acho que traduzir a palavra light num rótulo soaria meio estranho. Num produto desse tipo a tradução seria “leve”, que, na verdade, não leva a nada. Talvez uma explicação fosse mais correto: &lt;i&gt;produto cujo valor calórico é comparativamente mais baixo ou que é feito com outro(s) adoçante(s) que não o açúcar&lt;/i&gt;. Já o estrangeirismo diet pode ser traduzido por dietético. Pronto. É só fazer isso que os diabéticos não correrão riscos. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Cá pra nós: nesse caso específico, depois de tantos anos que esses conceitos estão arraigados, só se o doente em questão for muito idiota ou não tiver um médico a lhe orientar sobre o que pode ou não comer e beber. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Fico imaginando os cardápios de muitos restaurantes e lancherias. Hamburger, por exemplo, não tem equivalente em português, mas já está aportuguesado, virou hambúrguer, com acento agudo e &lt;b&gt;u&lt;/b&gt; entre o &lt;b&gt;g&lt;/b&gt; e o &lt;b&gt;e&lt;/b&gt;. Se tiver que explicar, ficará assim: &lt;i&gt;bife geralmente de forma redonda, aglomerado com carne moída e outros elementos, que costuma ser servido dentro de um pão também redondo&lt;/i&gt;. Cheeseburger, por sua vez, não tem equivalente em português nem está aportuguesado. Desde que se tenha em mente o que é hambúrguer, contudo, é fácil de explicar o que é um cheeseburger: &lt;i&gt;hambúrguer ('sanduíche') com queijo fatiado&lt;/i&gt;. Viu como é simples! &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Bom, mas eu vim aqui pra falar de marketing {estratégia empresarial de otimização de lucros por meio da adequação da produção e oferta de mercadorias ou serviços às necessidades e preferências dos consumidores, recorrendo a pesquisas de mercado, &lt;i&gt;design&lt;/i&gt; [a concepção de um produto (máquina, utensílio, mobiliário, embalagem, publicação etc.), especialmente no que se refere à sua forma física e funcionalidade], campanhas publicitárias, atendimentos pós-venda etc.}... Ih! Acabei me esquecendo. Fica pra próxima. &lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-4060878867488366723?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/4060878867488366723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=4060878867488366723&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/4060878867488366723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/4060878867488366723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/04/marketing-estrategia-empresarial-de.html' title='Marketing {estratégia empresarial de otimização de lucros por meio da adequação da produção e oferta de mercadorias ou serviços às necessidades e ...'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh5.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TbbTbdIxslI/AAAAAAAAAac/G4s5SbxY1ho/s72-c/marketing_thumb.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-1923703087954781200</id><published>2011-04-15T18:10:00.001-03:00</published><updated>2011-04-15T18:10:12.640-03:00</updated><title type='text'>Vontade é uma coisa que dá e passa?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um dia, O Magro do Bonfa, personagem do humorista André Damasceno, disse em plena aula, em voz alta: &lt;i&gt;— Bah! Tô cuma vontade de comer de novo a Luma de Oliveira!&lt;/i&gt; Imediatamente, o professor Damasceno questionou-o: &lt;i&gt;— Qualé, Magro, e por acaso tu já comeu a Luma de Oliveira?&lt;/i&gt; E a resposta: &lt;i&gt;— Não, mas to cum vontade de novo!&lt;br&gt;&lt;/i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Só sei isso da história. Não sei se o Magro matou sua vontade de novo ou não. Se já tinha matado uma vez, sabe-se lá como, seria fácil matá-la de novo; caso contrário, era só esperar, pois, segundo o dito popular, ela passaria.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O bordão do título pode funcionar para algumas coisas, como a do Magro. Ele sente a vontade de transar com alguém específico, fora de seu alcance e de seu cacife. Como não pode, dá um jeito ou esquece. Por outro lado, a vontade seria satisfeita se o ato fosse realizado com alguém possível. Outro exemplo é o caso de vontade para necessidades fisiológicas, que também é fácil de resolver. Se der vontade, é só fazer e pronto, desde que haja certas condições. Experimente dizer que vontade é uma coisa que dá e passa pra alguém que antes de embarcar num ônibus intermunicipal, sem escala e sem WC, comeu um pastel na rodoviária do interior e a azeitona fez mal. Será que a vontade que deu dentro do ônibus, no meio da estrada, vai passar assim, sem mais nem menos? Duvido, nesses casos, a vontade só passa quando satisfeita.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Afinal, o que é vontade? Entre outras coisas, é a “faculdade de representar mentalmente um ato que pode ou não ser praticado em obediência a um impulso ou a motivos ditados pela razão.” Olha só: um ato que pode ou não ser praticado! Dependendo do tipo de ato, a vontade não vai passar se ele não for praticado.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Por que, afinal, esse papo de vontade e a referência ao bordão do título? Simples: porque estou com vontade de fumar, mas, como parei, não vou satisfazê-la. Mas quem disse que vai passar? &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/Tai0MWyt03I/AAAAAAAAAaQ/0pLbjGCReAU/s1600-h/vontade%20de%20fumar%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="vontade de fumar" border="0" alt="vontade de fumar" src="http://lh6.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/Tai0M6Y2lXI/AAAAAAAAAaU/6sSPqgZyEw8/vontade%20de%20fumar_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="500" height="375"&gt;&lt;/a&gt; &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pra me ajudar a parar de fumar, participei do “Programa de Cessação do Tabagismo” da UFRGS, uma parceria entre Departamento de Atenção à Saúde e o Laboratório de Psicologia Experimental, Neurociências e Comportamento do Instituto de Psicologia. O programa utiliza técnicas de abordagem cognitivo comportamental que auxiliam a parar de fumar. Foram quatro encontros, um por semana, nos quais o grupo participante ouviu e falou sobre temas como dependência química, psicológica e comportamental, estratégias para deixar de fumar, síndrome de abstinência e exame de crenças e pensamentos disfuncionais sobre o uso do cigarro, entre outros. Como não poderia deixar de ser, uma frase recorrente em todos os encontros foi a famosa “vontade é uma coisa que dá e passa”, complementada por outra: “não nascemos fumando”.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Depois do segundo encontro, resolvi diminuir o consumo pela metade: de 20 cigarros por dia, passei para 8 ou 10. Nas horas daqueles cigarros que não fumei nesses dias, contudo, me dava vontade que só passava quando eu acendia o próximo cigarro. Assim, eu tinha de 12 a 10 “vontades” de fumar por dia, ou seja: não esperava pra ver se a vontade passava, como me disseram tantas e tantas vezes durante o programa.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Fiz um trato comigo mesmo: pararia totalmente de fumar assim que terminasse o maço de cigarros que estivesse em uso no último encontro. E ele terminou na manhã do dia seguinte (já falei sobre isso na postagem abaixo desta). Faz, portanto, mais de uma semana que parei de fumar, mas a vontade continua. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Aos poucos vou aprendendo a conviver com a lenda que diz que “vontade é uma coisa que dá e passa”. É claro, quando ela é muito forte, tem-se que dar um jeito e disfarçar fazendo outra coisa. Conheço gente que deixou de fumar há mais de 20 anos, mas que ainda sente vontade de vez em quando. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Portanto, se o ato é possível de ser executado, a vontade de efetivá-lo só passa se for satisfeita. Então: não é qualquer vontade que passa.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-1923703087954781200?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/1923703087954781200/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=1923703087954781200&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/1923703087954781200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/1923703087954781200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/04/vontade-e-uma-coisa-que-da-e-passa.html' title='Vontade é uma coisa que dá e passa?'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/Tai0M6Y2lXI/AAAAAAAAAaU/6sSPqgZyEw8/s72-c/vontade%20de%20fumar_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-1342627694035419427</id><published>2011-04-09T11:05:00.001-03:00</published><updated>2011-04-09T11:05:15.544-03:00</updated><title type='text'>Fissura</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um dos significados da palavra fissura encontrados nos dicionários — que a trata como gíria ou regionalismo — diz que é “um apego extremo; forte inclinação; loucura, paixão, ânsia, sofreguidão”. A gente costuma dizer que “fulano é ‘fissurado’ em beltrana” ou vice-versa. Neste momento, estou fissurado. Sabem pelo quê? Vamos aos fatos.&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;b&gt;Quinta-feira - 07 de abril &lt;/b&gt;(&lt;i&gt;Dia do Jornalista&lt;/i&gt; — fato que não tem nada a ver com esta crônica)&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;b&gt;7h30&lt;/b&gt; - Acendi o primeiro cigarro do dia, como se esse dia e esse cigarro fossem os mais normais e comuns da minha vida. Duas semanas atrás já seria o terceiro cigarro do dia. Recém havia tomado um cafezinho no Bar do Antônio. Já tinha assinado o ponto e ligado o computador. Agora, estava fumando no saguão do 8º andar, em frente aos elevadores, olhando pela janela o movimento dos ônibus e automóveis em direção ao Túnel da Conceição. Após cada tragada, olhava para o cigarro, ou o que ainda restava dele, e soltava a fumaça pelo nariz, como não fazia há muito tempo. Havia em mim um misto de “que bom que está terminando” com “que pena que está terminando”. Quando a brasa estava quase no filtro, levei-o ao sanitário e, gentilmente, afoguei-o no vaso. Ao trabalho.&lt;br&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;b&gt;9h10&lt;/b&gt; - Acabei o lanche: um sanduíche com pão de forma, queijo, peito de peru, requeijão, tomate e alface, que trago de casa. Voltei ao saguão, onde, agora, algumas pessoas estão sentadas em volta das mesas que têm ali. Meio sem jeito, acendo o segundo cigarro do dia. Numa época recente já seria o quinto ou sexto. Fico na janela, de costas pras pessoas no saguão. Meio desconfiado, olho pra trás de vez em quando pra ver se não estão fazendo cara feia por causa do cheiro do cigarro. Não estão nem aí. E até poderiam fazer valer seus direitos, impressos no pequeno cartaz afixado na parede: &lt;i&gt;“Conforme Lei Federal nº 9.294, de 15 de julho de 1996, art. 2º, parágrafo 1º, é proibido fumar em todos os recintos desta Universidade”&lt;/i&gt;. Acabou. Mais um que afogo no vaso sanitário. Ao trabalho de novo.&lt;br&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;b&gt;11h&lt;/b&gt; - Minha colega me convida pra descer até o estacionamento pra esticar as pernas. Precisa passar do carro dela para o meu dois laptops da minha nora, que o marido dela consertara. Concordei e acrescentei que seria bom fumar meu último cigarro ao ar livre, sem precisar me constranger com os não fumadores. Ela ficou feliz de poder ser testemunha desse momento, ou seja, de me ver fumar meu último cigarro, não só do dia, mas da vida. Peguei o cigarro do maço, amassei-o (o maço, não o cigarro) e, antes de jogá-lo no lixo, fotografei-o para a posteridade e para ilustrar essa crônica. Descemos e, depois de trasladar os computadores, acendi o cigarro. Estava na rua, sob as árvores do estacionamento, o dia maravilhoso e eu sentindo, ao mesmo tempo, o prazer e o desgosto de fumar pela última vez. O cigarro acabou. Larguei-o no chão e, num gesto carregado de simbolismo, tentei esmagá-lo com o pé. Não é que o desgraçado rolou e ficou numa depressão entre dois paralelepípedos do estacionamento! Azar, só vai fumegar por mais um ou dois segundos mesmo. Ao trabalho, porque a vida continua.&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TaBnmBEaRKI/AAAAAAAAAaI/a9mNzQ5bXeE/s1600-h/ma%C3%A7o%20cigarros%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="" border="0" alt="" src="http://lh3.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TaBnmYxFQYI/AAAAAAAAAaM/gW9Lwb2b774/ma%C3%A7o%20cigarros_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="500" height="333"&gt;&lt;/a&gt; &lt;br&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;b&gt;Sexta-feira - 08 de abril&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;b&gt;11h&lt;/b&gt; - Estou há 24 horas sem fumar. Fora isso, nada mudou na minha rotina: tomei cafezinho e chimarrão, fiz lanche, etc.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um dia inteirinho sem fumar. Tá me dando “fissura“!&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Cheguei onde queria com o título deste texto. O termo “fissura“ é usado para descrever o mal-estar e a vontade intensa de fumar. Neste momento, estou fissurado por um cigarro. É natural, a síndrome da abstinência está pegando. Sei, contudo, que essa vontade dá e passa. A nicotina é uma substância psicoativa que causa a chamada dependência física. Os primeiros dias sem cigarro são difíceis, mas, depois desse período, ficar sem fumar será mais fácil. Serão dias sem fissura.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Depois da fissura pela ausência da nicotina, terei que lidar com fissura da dependência psicológica do cigarro, que se refere ao sentido ou à função que o cigarro tem na vida dos usuários. Muitos fumantes, por exemplo, costumam fumar em situações de estresse, quando estão tensos, pois sentem que o cigarro os relaxa. Está, então, criada uma associação psicológica. Outros fumam como uma forma de lidar com a solidão. O cigarro faz as vezes de um amigo próximo, que nos acompanha. Assim, um fumante se entristece ao pensar em parar de fumar, em perder um companheiro. Alguns acreditam que o cigarro os estimula a serem criativos, por isso fumam quando estão trabalhando; ou fumam quando se divertem, pois o cigarro lhes dá prazer. Tudo isso torna o fumante psicologicamente dependente do cigarro.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Além dessas duas formas de dependência, há, ainda, a comportamental. O ato de fumar envolve várias associações de comportamento ligadas a hábitos individuais e sociais. Um exemplo disso é vincular o ato de fumar ao de tomar um cafezinho. O sujeito começou acendendo um cigarro depois do café, porque lhe parecia um momento adequado. Com algumas repetições, essas associações se tornaram constantes e, agora, sempre que tomar um café vai sentir vontade de fumar. Outras associações comuns são: fumar e ingerir bebidas alcoólicas, fumar e falar ao telefone, fumar ao dirigir, ao escrever um relatório, ao ver televisão, depois de comer e após as relações sexuais.&lt;br&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;b&gt;Sábado – 09 de abril&lt;/b&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;b&gt;11h&lt;/b&gt; – 48 horas sem fumar. Não consigo traduzir em palavras o que a síndrome de abstinência faz comigo. Fico agitado, inquieto, querendo que as horas passem ligeiro, pois quanto mais distante ficar das 11 horas de quinta-feira, quando fumei o último cigarro, menor será meu mal-estar e menores as chances de eu ter uma recaída. Não! Isso não vai haver. Afinal, não é porque passei fumando 72% da minha vida até hoje que vá sucumbir a qualquer vontadezinha, né? Vamos em frente, com ou sem fissura. Tudo passa.&lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-1342627694035419427?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/1342627694035419427/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=1342627694035419427&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/1342627694035419427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/1342627694035419427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/04/fissura.html' title='Fissura'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TaBnmYxFQYI/AAAAAAAAAaM/gW9Lwb2b774/s72-c/ma%C3%A7o%20cigarros_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-1486832433465071620</id><published>2011-04-02T16:52:00.001-03:00</published><updated>2011-04-02T16:52:25.004-03:00</updated><title type='text'>Não fume a vida!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando eu tinha 14 ou 15 anos, em 1964, era bonito fumar e grande o apelo para que se caísse nessa tentação. Na minha cabeça e na de meus amigos seríamos mais importantes, mais charmosos e mais machos se fumássemos, como os exemplos que víamos no cinema, na TV e na vida real. Foi assim que comecei, mesmo sem ter o modelo em casa, pois meu pai e minha mãe nunca colocaram um cigarro na boca. &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TZd-dbSYPuI/AAAAAAAAAaA/7Ki5dGlZtkw/s1600-h/nao%20fume%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="nao fume" border="0" alt="nao fume" src="http://lh3.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TZd-d5IQvwI/AAAAAAAAAaE/S6kPgsZBgB0/nao%20fume_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="500" height="281"&gt;&lt;/a&gt; &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Naquele tempo, eu e os guris da turma dividíamos os maços de cigarro que comprávamos em “súcia” com alguns trocados de cada um. Por serem escassos os recursos, os cigarros eram sempre os mais baratos, chamados de “matarratos”. Havia uma marca, Sissi longo, que era a preferida, porque seus cigarros eram maiores do que os normais. A gente cortava os cigarros ao meio e divida entre dois, três ou quatro. Depois, longe dos olhos familiares, íamos fumar escondidos em algum terreno baldio, construção ou casa abandonada. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Tenho algumas passagens interessantes dessa época, envolvendo o cigarro. Meu pai soube que eu estava fumando por causa da escola. Eu estudava no Colégio Rosário. Os meninos do ginásio não podiam fumar nem nos arredores do colégio, só os do científico ou do clássico, que transformavam a praça Dom Sebastião num fumódromo durante o recreio e ao término das aulas. Eu, no entanto, ignorava essa proibição. Quando terminava a aula, eu e um colega íamos para o centro da praça, que era rodeada por um muro de arbusto, e dividíamos um cigarro. Uma pegadinha pra cada um. Certo dia, porém, fomos surpreendidos pelo irmão prefeito do ginásio, que resolveu dar uma “incerta”. Meu colega estava de frente pra ele e saiu correndo. Eu fui pego com a boca na botija, ou melhor, com a boca no cigarro. Imediatamente, o irmão prefeito pediu minha caderneta escolar e ordenou que meu pai fosse buscá-la. Ferrou (pra não dizer outra coisa)! &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A caderneta era o espelho do aluno e um instrumento de controle, supervisão e comunicação entre família e escola. Sempre que alguma coisa desse errado, a caderneta era recolhida e o pai ou a mãe deveriam ir buscá-la, porque sem ela não se podia entrar na escola. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Muito inocente, disse pro meu pai que havia esquecido o livro de determinada disciplina, que era obrigatório, e que, por isso, minha caderneta fora sequestrada e ele deveria buscá-la para que eu pudesse entrar na escola. Na manhã seguinte, o prefeito recebeu meu pai no seu gabinete, enquanto eu fiquei sentado na frente da sala. Alguns minutinhos depois, o prefeito abre a porta e me chama. Entrei. Meu pai de pé, em frente à mesa do prefeito; o irmão segurando o trinco da porta para que eu entrasse; e eu com cara de cagado. Sem fechar a porta e sem soltar o trinco, o irmão prefeito me perguntou por que mesmo ele havia ficado com minha caderneta. Não tive escolha e disse a verdade. Com a caderneta na mão, fui para a aula, meu pai para o trabalho e o irmão prefeito ficou na sua sala, imagino que esfregando as mãos com um sorriso irônico. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Meu pai não me xingou, apenas pediu que aquilo não se repetisse. Referia-se, é claro, ao ato de eu fumar, não ao fato de ter que buscar a caderneta. Prometi que não aconteceria novamente. Menti. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Numa noite de algumas semanas depois, fui no cinema Presidente com os guris da rua. Na saída, na porta do cinema, imediatamente peguei um cigarro no bolso da camisa, coloquei-o entre os lábios e o acendi. Quando olhei pra frente, dei de cara com meu pai, que me esperava a uns cinco metros. Apressadamente, tirei o cigarro da boca, amassei-o e joguei-o no meio fio. Fiz de conta que não vi meu pai, entrei por uma das portas do restaurante ao lado do cinema e saí pela outra. Segui em frente rapidamente, com minha meia dúzia de amigos. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não fui direto pra casa. Ficamos um tempo na esquina, jogando conversa fora, comentando sobre o filme, etc. Eu sempre entrava em casa pela porta dos fundos, que não ficava chaveada até que eu chegasse. Naquela noite, entretanto, estava fechada. Bati e meu pai abriu-a. Antes que eu entrasse, estendeu em minha direção a mão onde estava o cigarro amassado que eu jogara fora pouco antes e me perguntou o que era aquilo. Claro que foi uma pergunta retórica. Fiquei com a maior cara de bunda, esperando a maior bronca, que não veio. Acho que aquele silêncio por trás dos olhos tristes do meu pai doeu mais do que se tivesse levado uma surra. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Apesar do remorso, continuei fumando. Inclusive no colégio. As dependências do ginásio do Rosário eram separadas das do científico e clássico por portas de grades de ferro chaveadas. Aquelas fechaduras, no entanto, tinham a idade do colégio. Cediam a qualquer chave que se enfiasse nelas. Lá íamos nós, durante o recreio, bancando os bons na praça Dom Sebastião. A volta se dava por dentro do colégio, num caminho tortuoso que descobrimos por acaso. Essa rota envolvia a passagem pelo interior da capela. Um dia, eu e mais dois colegas fomos surpreendidos pelo irmão prefeito. Ao darmos de cara com ele dentro da capela, nos ajoelhamos e fingimos estar rezando. Saímos um de cada vez, achando que o prefeito não desconfiaria. Não adiantou. Ele vira que de onde viemos só poderíamos ter entrado por onde teoricamente não havia entrada. Fui o terceiro a sair. Quando me interpelou e perguntou onde fora e o que estava fazendo confessei que tinha ido à praça comer um cachorro quente. Mandou-me de volta à sala de aula, como fez com os que me antecederam. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Findo o recreio, já estávamos nos acomodando nas carteiras, quando o irmão prefeito entrou na sala. Todos em silêncio, pediu licença para o professor, também irmão, e recomendou a ele que anotasse na caderneta dos meus dois colegas de aventura uma nota baixa por mal comportamento e aplicação porque tinham mentido que estavam rezando. “— Quanto ao senhor Aldo Jung – continuou –, pode dar um 10 pra ele, irmão, porque confessou estar ‘fumando’ um cachorro quente na praça”. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ainda há outras situações dramáticas — hoje cômicas — em que me envolvi por causa do cigarro, como a vez em que deixei cair o cigarro dentro do vestido da minha namorada. Ela estava com um vestido soltinho, preso por alças aos ombros, decotado, e não usava sutiã. Estávamos caminhando, eu com o braço sobre os ombros dela e com um cigarro entre os dedos da mão desse braço. De repente, deixei cair o cigarro, que se enfiou dentro do vestido, rolou para entre os seios dela, escorregou para mais abaixo e, depois de estacionar perto do umbigo, caiu no chão. Resultou em pequenas e esparsas queimaduras no corpinho da coitada.&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: center; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;b&gt;.:: o ::.&lt;/b&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em 1984, vinte anos depois de começar a fumar, além de trabalhar na UFRGS e dar aulas na UNISINOS, comecei atividades na Rádio Guaíba. Peguei o horário das 18h às 23h. Era uma correria. Um dia, em pleno trabalho, tive uma tontura braba. Atribuí o fato ao cigarro. Imediatamente peguei o maço e o isqueiro e dei para o porteiro da noite. Parei de fumar. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Dois anos depois, comecei de frescura, pedindo um cigarro aqui, outro ali e não deu outra: voltei a fumar, regular e covardemente, até hoje. Sem contar os dois anos em que fiquei afastado, são 46 anos desse vício maldito. &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: center; line-height: 140%; font-size: 14px" align="center"&gt;&lt;b&gt;.:: o ::.&lt;/b&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Hoje, fumantes são estigmatizados. Cada vez mais, o cerco se fecha sobre nós; cada vez restringem-se mais os locais em que se pode fumar. Precisando dar um jeito nisso, entrei num Programa de Cessação do Tabagismo. Tenho, então, três formas de dependência das quais devo me livrar: a química (nicotina); a psicológica; e a comportamental. Já consegui diminuir pela metade meu consumo. Nos próximos dias abandono totalmente esse velho companheiro das horas solitárias, que me ajuda a pensar, faz o tempo passar e me dá prazer. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Já dói e vai doer ainda mais, mas não dá mais pra viver com o cigarro, vício considerado o pior de abandonar. Devo parar de fumar a vida!&lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-1486832433465071620?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/1486832433465071620/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=1486832433465071620&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/1486832433465071620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/1486832433465071620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/04/nao-fume-vida.html' title='Não fume a vida!'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TZd-d5IQvwI/AAAAAAAAAaE/S6kPgsZBgB0/s72-c/nao%20fume_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-8326735759877720123</id><published>2011-03-11T17:22:00.001-03:00</published><updated>2011-03-11T17:22:47.077-03:00</updated><title type='text'>E você, tá reclamando de quê?</title><content type='html'>&lt;div style="padding-bottom: 5px; padding-left: 0px; width: 471px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 5px" id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:dfd85770-c60f-4844-ba97-d2e0e4451cfc" class="wlWriterEditableSmartContent"&gt;&lt;div id="a6baf2b1-39ea-46ca-b34d-4e6173431079" style="margin: 0px; padding: 0px; display: inline;"&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=E-xZ6ULzJEk" target="_new"&gt;&lt;img src="http://lh5.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TXqElajxBUI/AAAAAAAAAZ8/lrDP3YF1ceM/videoe5861111fe02%5B3%5D.jpg?imgmax=800" style="border-style: none" galleryimg="no" onload="var downlevelDiv = document.getElementById('a6baf2b1-39ea-46ca-b34d-4e6173431079'); downlevelDiv.innerHTML = &amp;quot;&amp;lt;div&amp;gt;&amp;lt;object width=\&amp;quot;471\&amp;quot; height=\&amp;quot;394\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;param name=\&amp;quot;movie\&amp;quot; value=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/E-xZ6ULzJEk&amp;amp;hl=en\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/param&amp;gt;&amp;lt;embed src=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/E-xZ6ULzJEk&amp;amp;hl=en\&amp;quot; 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line-height: 140%; font-size: 14px"&gt; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Já escrevi duas postagens envolvendo ônibus: “&lt;a href="http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/01/mais-um-texto-antigo-encontrado-numa.html" target="_blank"&gt;A deusa do ônibus&lt;/a&gt;”, em 18 de janeiro, e, uma semana depois “&lt;a href="http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/01/vai-levanu.html" target="_blank"&gt;Vai levanu!&lt;/a&gt;”. Novamente vou escrever algo que tem ônibus no meio. Meus destinatários hão de pensar que tenho vocação pra isso e que, talvez, devesse trabalhar na assessoria de imprensa de alguma empresa de transportes coletivos. O ônibus, desta vez, não é o principal da história. Mas está nela, assim como está na minha paisagem. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pra desenvolver meu texto, tomei emprestado um da minha amiga Camila Doval, que, além de traduzir muito bem em palavras seus pensamentos, sentimentos, alegrias e angústias, coloca-os à disposição no seu blog, chamado &lt;a href="http://mulherdesardas.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Mulher de Sardas&lt;/a&gt;. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eis o texto da Camila.&lt;br&gt; &lt;blockquote&gt; &lt;h4 align="justify"&gt;&lt;a href="http://mulherdesardas.blogspot.com/2011/02/faz-tempo-que-voce-esta-esperando.html" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;Faz tempo que você está esperando?&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/h4&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Minha janela é em frente da parada de ônibus. Passo o tempo neste computador e o dia fica fora. Os ônibus passam. São as mesmas árvores, as mesmas pedras na calçada. As mesmas vitrines. As roupas mudam. A chuva vem. E passa. Meus vidros estão fechados. O ventilador ocupa o som. O que as pessoas conversam na parada. O que pensa o rapaz de mochila enquanto distribui os panfletos. O que pensam de mim. O ônibus os leva. Eu não vi para onde vão.&lt;br&gt;Eu vou para a rua em algum momento. Sou mundo também. Não o culpo por passar. Eu não culpo ninguém pelo que somos. Não é fácil ser humano e ter uma vida nas mãos. É fácil pegar um ônibus e chegar. É fácil voltar, caso se tome o ônibus errado. Mas viver, fazer da vida algo que valha, ao fim! Aproveitá-la e cumpri-la, não somar horas perdidas em computadores, em preguiças, em brigas. Em paradas de ônibus que não vêm. &lt;br&gt;Quanto tempo ficar com alguém? Quando o tempo sobra? Quando falta? Quando é para sempre numa vida de ontens? Quanto tempo é justo fazer alguém perder? Ou não é justo nunca, e o mundo é para se viver só, a sua chance, a única, uma vez.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Hoje, o primeiro ônibus que passar é o meu.&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Agora, o meu.&lt;br&gt;&lt;/p&gt; &lt;h4 align="justify"&gt;&lt;br&gt;Da minha janela&lt;/h4&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TXY3za-AedI/AAAAAAAAAZ0/WYoc2t_rjHw/s1600-h/carris%5B5%5D.jpg"&gt;&lt;img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px" title="" border="0" alt="" src="http://lh6.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TXY3zza8AKI/AAAAAAAAAZ4/vYeAcGebVyA/carris_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="498" height="266"&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Também vejo ônibus das minhas janelas, que são várias, assim como vários são os ônibus cheios de janelas. Moro numa esquina em que eles dobram, descendo uma rua pra continuar descendo em outra. Não tem parada em frente. Meus postos de observação ficam entre duas delas.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Da vista para o leste, eles passam mais perto. O motorista aciona o freio do motor para fazer a curva. A velocidade diminui e o motor ronca mais alto. Posso ver claramente os passageiros. Assim como Camila, não sei para onde vão, tampouco de onde vêm. Só sei de onde vêm os torcedores do Grêmio em dias de jogo no Olímpico Monumental. E estão sempre felizes. Pena que daqui a algum tempo não verei mais esses gremistas. Eles viajarão em outros ônibus que passam em outras janelas no caminho da futura Arena. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Vez que outra, alguém sentado no lado esquerdo olha pra cima e me vê na sacada. Fico me indagando de onde vem e pra onde vai. Esse alguém aleatório deve me invejar, pois já — ou ainda, dependendo da hora — estou em casa. Quando é noite, os coletivos são praticamente individuais, passam quase vazios. O motorista sempre para o carro na esquina entre as duas paradas pra que desça algum passageiro que, de tão costumeiro, já virou permanente. Despedem-se como amigos. Um faz parte da vida do outro. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A esquina é inclinada à esquerda, do lado norte vejo-os mais de cima. O motorista solta o freio do motor e acelera rumo à próxima parada. Às vezes, alguém o acompanha correndo pela calçada, na tentativa de chegar junto e poder embarcar rumo a um destino que desconheço. É na sala dessa janela que passo mais tempo. Fico no computador olhando pra sua janela de 17 polegadas que me mostra o mundo. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Também tem outro mundo que vejo dessa janela onde os ônibus aceleram rua abaixo. A qualquer hora do dia, indiferentes a mim, aos passageiros dos coletivos ou a qualquer outro que passe, jovens de ambos os sexos, dos 16 aos 50 anos, sobem a rua enrolando um baseado ou já o queimando, viajando sei lá pra onde. Nas quintas, sextas e sábados, indivíduos de algumas tribos urbanas como manos, pichadores, grungers, mauricinhos, emos, rastafaris, metaleiros, baladeiros e outros sem eira nem beira se aglomeram em pequenos grupos. Alguns chegam de carro — Chevettes tunados, Golfs rebaixados, Mareas chapeados —, estacionam um pouco acima. Um ou dois deles desembarcam e sentam-se no cordão da calçada, mais abaixo. Todos têm uma coisa em comum: esperam abrir o varejo da maconha, do crack e do pó. É uma pequena parte do abominável mundo do tráfico desse nosso admirável mundo velho. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De vez em quando aparece um carro da polícia. Acho que os PMs são mágicos, pois os fazem desaparecer. Não resta um. Assim que a viatura para de dar voltas na quadra, todos reaparecem. Abre-se, então, a pequena loja de horrores, sem portas nem vitrines, situada no fim da rua. Acho que seus vários vendedores também são mágicos, pois logo, logo as tribos também desaparecem. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sou como Camila e vou para a rua em algum momento. Sou mundo também. Mas não desse que vejo da janela: não uso drogas nem ando de ônibus, portanto não corro o risco de pegar um errado ou perder tempo numa parada esperando por um que não vem. Também aproveito a vida e a cumpro a meu modo. Não perco horas no computador, pois com ele ganho a vida e o mundo. Não sou preguiçoso nem briguento. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Que passem os ônibus, que se queimem baseados. Eu os olho pela janela e viajo sem embarcar nem num nem noutro. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-7280851005172839821?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/7280851005172839821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=7280851005172839821&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/7280851005172839821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/7280851005172839821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/03/ja-escrevi-duas-postagens-envolvendo.html' title=''/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TXY3zza8AKI/AAAAAAAAAZ4/vYeAcGebVyA/s72-c/carris_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-9178699132772406302</id><published>2011-02-28T20:53:00.001-03:00</published><updated>2011-02-28T20:53:02.734-03:00</updated><title type='text'>Lixo extraordiário</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TWw1WNVZ8fI/AAAAAAAAAZo/bSP0ZYAVags/s1600-h/lixo%20extraordin%C3%A1rio%5B5%5D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="lixo extraordin&amp;aacute;rio" border="0" alt="lixo extraordin&amp;aacute;rio" src="http://lh6.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TWw1XfZ8dSI/AAAAAAAAAZs/HX-VrnZ0M7Y/lixo%20extraordin%C3%A1rio_thumb%5B3%5D.jpg?imgmax=800" width="500" height="638"&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Estou de volta das merecidas férias, desde domingo. Cheguei a tempo de ver o Grêmio ganhar do Cruzeirinho e ir pra final do primeiro turno do Gauchão contra o Caxias. Ainda bem que, de tão cansado da viagem, dormi antes da transmissão da cerimônia de entrega dos Oscars. É um programa muito chato. A gente passa o tempo todo ouvindo duas pessoas falando em inglês, ao mesmo tempo em que outras duas falam em português. Acaba-se não entendendo o que dizem uns e o que falam outros. Mesmo que entendesse, aquelas piadas dos americanos só têm graça pra eles. Além disso, ainda tem o José Wilker de Almeida, aquele antigo locutor de rádio, nascido há 66 anos, no Ceará, fazendo comentários sobre o que ele acha dos filmes, dos atores, dos diretores, etc. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Uma curiosidade sobre o Oscar: há duas versões para que a estatueta tenha esse nome. A primeira dá conta de que o nome fora inventado por Margareth Herrick, secretária-executiva da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que, ao ver a pequena estátua, comentou que se parecia muito com seu tio Oscar. Um jornalista (sempre tem um metido metido na história) presente no momento teria publicado o fato, dando origem ao nome do prêmio. Outra versão diz que a atriz Bette Davis o teria apelidado assim, devido à semelhança da estatueta com seu primeiro marido. De qualquer modo o apelido pegou de tal maneira que até hoje é o nome pelo qual o &lt;i&gt;Academy Award&lt;/i&gt; ou Prêmio da Academia é conhecido mundialmente. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não sei se são verdadeiras as versões, mas estão publicadas no Wikipedia, no verbete Oscar. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sempre tem um filme ou curta ou documentário brasileiro concorrendo ao Oscar. Espero sinceramente que seja por mérito e não por política. Neste ano foi a vez do documentário “Lixo Extraordinário”, dirigido pela cineasta Lucy Walker. O documentário mostra a arte de Vik Muniz, um artista cujas obras são reproduções de criações de outros artistas, mas em material inusitado, neste caso, o lixo. O trabalho de Vik Muniz pôde ser visto na abertura da novela &lt;i&gt;Passione&lt;/i&gt;, da Globo. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O sinopse do site oficial de Lixo Extraordinário diz que o documentário foi &lt;i&gt;filmado ao longo de dois anos (agosto de 2007 a maio de 2009), acompanhando o trabalho do artista plástico Vik Muniz em um dos maiores aterros sanitários do mundo: o Jardim Gramacho, na periferia do Rio de Janeiro. Lá, ele fotografa um grupo de catadores de materiais recicláveis, com o objetivo inicial de retratá-los. No entanto, o trabalho com esses personagens revela a dignidade e o desespero que enfrentam quando sugeridos a reimaginar suas vidas fora daquele ambiente. A equipe tem acesso a todo o processo e, no final, revela o poder transformador da arte e da alquimia do espírito humano.&lt;/i&gt; &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Enfim, mais uma vez um trabalho cinematográfico brasileiro fica só na indicação. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pois bem, nessas minhas férias eu também poderia ter feito um documentário sobre lixo, sem a pretensão, é claro, de ser indicado ao Oscar. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Há um ano, publiquei neste espaço um relato sobre as férias de 2010, em Bombinhas, Santa Catarina. No meio de um parágrafo fiz referência ao lixo que fica na orla, deixado por veranistas de estados e países vizinhos: &lt;i&gt;[...] areia cheia de latinhas de cerveja, sacos plásticos, cocos verdes e saídas de esgoto contendo o que argentinos, gaúchos e paranaenses não aproveitam no organismo.&lt;/i&gt; &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Passado um ano, depois de muito se falar em lixo na mídia, depois de muita campanha de conscientização sobre o lixo, lá estava ele em maior intensidade, não só na beira da praia, mas nas ruas de Bombinhas: latinhas de cerveja e refrigerantes, garrafas &lt;i&gt;long neck&lt;/i&gt;, garrafas &lt;i&gt;pet&lt;/i&gt;, sacos plásticos, embalagens diversas, restos de construção, absorventes femininos e pulgas, muitas pulgas. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sim: pulgas! Além de lixo, proliferam pulgas em Bombinhas, que está repleta de cães abandonados. Por todos os cantos da cidade vêem-se aqueles animaizinhos assustados, com o rabo entre as pernas, olhando-nos de soslaio, pedindo uma ajuda ou esperando serem corridos. Ao lado do prédio em que ficamos, duas cadelas de rua deram cria: uma delas a seis filhotes; a outra, a três. Eu e minha mulher passávamos por ali com nossa mascote, a Lila. Bastaram dois dias para que as pulgas invadissem o corpo de Lila. Em casa ficava a outra, nossa gata chamada Wanda, que também foi infectada pelas pulgas que a Lila inadvertidamente trouxe da rua. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A poucos metros havia uma clínica veterinária onde encontramos a solução para o resto do veraneio. Todos os dias, contudo, fazíamos uma varredura no corpo das duas e catávamos pulgas mortas ou estonteadas pela ação do &lt;i&gt;FrontLine&lt;/i&gt;. Quanto a nós, tivemos sorte. Apenas os mosquitos gostaram do nosso sangue. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A cidade também está cheia de terrenos baldios mal cuidados, com muita vegetação crescida, excelente palco para lixo, pulgas, carrapatos, ratos e outras pragas. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não tirei nenhuma foto dos atores do documentário que acabei não fazendo. Acho que foi de vergonha. Todo mundo diria que sou um idiota em veranear num paraíso transformado em lixo extraordinário. &lt;/p&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;.:: o ::.&lt;/b&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Fica um pedido às autoridades de Bombinhas: que pelo menos de dezembro a março contratem um serviço de varrição de ruas; que instalem um centro de zoonoses; que multem os proprietários que não mantêm seus terrenos e calçadas em condições; que dêem um uso social ao IPTU que arrecadam anualmente. Para se ter uma ideia, um apartamento de 140 m², com dois dormitórios, paga um IPTU de R$ 600,00. E lá têm muitos apartamentos assim.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-9178699132772406302?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/9178699132772406302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=9178699132772406302&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/9178699132772406302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/9178699132772406302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/02/lixo-extraordiario.html' title='Lixo extraordiário'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TWw1XfZ8dSI/AAAAAAAAAZs/HX-VrnZ0M7Y/s72-c/lixo%20extraordin%C3%A1rio_thumb%5B3%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-8097066530605977361</id><published>2011-02-09T15:51:00.001-02:00</published><updated>2011-02-09T15:51:58.960-02:00</updated><title type='text'>Homenagem à mãe dos meus filhos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TVLUOm80ZPI/AAAAAAAAAZY/9CQ3YFpC6P4/s1600-h/o%20dia%20da%20morte%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="o dia da morte" border="0" alt="o dia da morte" src="http://lh3.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TVLUPS2LPFI/AAAAAAAAAZc/2sYJGXwNO8g/o%20dia%20da%20morte_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="500" height="645"&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;O Dia da Morte&lt;/em&gt; - William-Adolphe Bouguereau  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ela é esperada, mas sem a ansiosa expectativa de uma criança antes do Natal. Ela é esperada, mas nunca se quer que ela chegue. Ela é esperada, mas, quando chega, nada preenche, só deixa um vazio.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ela é esperada até pelos que não a esperam. Chega de repente, sem aviso, toma conta do espaço que era da vida até momentos atrás. Os que a esperam, no entanto, lutam, muitas vezes por anos a fio, para que ela não chegue no dia que não marcou pra chegar.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ela é esperada, mas, quando chega, pega de surpresa aos que ainda vão continuar a esperá-la.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ela é o fenômeno natural que desde o início da humanidade ainda provoca discussões nos campos da religião e da ciência, suscitando opiniões diversas. Desde o princípio dos tempos, os homens a tem classificado como misticismo, magia, mistério, segredo. Os céticos, contudo, atribuem a ela apenas o cessar da consciência, quando o cérebro deixa de executar suas funções.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sim. É dela que estou falando: da morte, óbito ou falecimento; desencarne ou passamento; decesso, defunção, exício, fim ou finamento; libitina, parca, trânsito ou perecimento. Ela vem, seja qual for sua crença ou descrença; seja qual for seu sotaque ou parecença. Ela vem e, num repente, deixa órfãos, dependentes, entristece aos parentes.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ela chega e muda tudo sem nada mudar. Eu, por exemplo, não mudei, ainda sou dos que a esperam sem querer encontrá-la. Mas ela chegou e mudou meu estado civil.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Vou tentar enganá-la pra sempre.  &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;.:: o ::.&lt;/b&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Meu jeito de escrever era uma das coisas que Marta, a mãe dos meus filhos, gostava em mim. Essa foi a forma que encontrei de homenageá-la, agora, quando ela recebeu a visita mal-vinda daquela que todos esperam, depois de muita luta e esperança em adiar sua chegada.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Descansa em paz, Martinha, zelarei por teu maior legado: nossos filhos.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-8097066530605977361?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/8097066530605977361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=8097066530605977361&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/8097066530605977361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/8097066530605977361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/02/homenagem-mae-dos-meus-filhos.html' title='Homenagem à mãe dos meus filhos'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TVLUPS2LPFI/AAAAAAAAAZc/2sYJGXwNO8g/s72-c/o%20dia%20da%20morte_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-2669633418944446551</id><published>2011-02-04T11:01:00.002-02:00</published><updated>2011-02-04T19:37:51.662-02:00</updated><title type='text'>Telechatos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt; &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Estou mesmo precisando de férias. Ainda bem que isso acontece a partir de amanhã. Bem cedinho, com mulher, cachorra e gata pego a BR 101 direto pra Bombinhas/SC. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nesta semana, cheguei à conclusão de que meu nível de estresse tá um pouco alto: pela primeira vez, desde que existe o telemarketing, destratei uma operadora do setor. Vou contar a história.  &lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TUv4in2sYPI/AAAAAAAAAZI/EVSsfg1kKkQ/s1600-h/telechatos%5B7%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="telechatos" border="0" alt="telechatos" src="http://lh3.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TUv4jZ9eMwI/AAAAAAAAAZM/UIzpxQQgVFw/telechatos_thumb%5B4%5D.jpg?imgmax=800" width="500" height="329"&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Tudo começou no último dia 31. Estava eu tentando pegar no sono na minha costumeira sesta, lá pelas duas e meia da tarde, quando toca o celular. A primeira coisa é o susto. A gente está em alfa e, de repente, aquele estardalhaço. Sim, estardalhaço, porque o toque do meu celular é o tema do Globo Repórter. Levantei meio estonteado, coloquei os óculos e, ao ver que a ligação era do código de área 11, deixei tocar até parar. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Deitei de novo. Daqui a pouco, novamente o estardalhaço. Era do mesmo número. Já que minha sesta tinha ido pro brejo mesmo, atendi pra tentar dar um fim naquilo.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Alô!  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Boa tarde. Aqui quem está falando é Robson. Falo em nome do Bradesco. Gostaria de falar com o seu Aldo Jung (pronuncia-se “iung”, mas eles sempre falam “jung”, com “j”).  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Sou eu mesmo, Robson, mas não posso falar agora porque estou no trânsito.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Qual seria, senhor Aldo, uma melhor hora para estar falando com o senhor?  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Hoje? Só lá pelas 10 da noite!  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — O Bradesco agradece e lhe deseja uma ótima tarde.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Claro que eu sabia que ele não ligaria às 10 da noite. Ligou logo depois das sete. Não atendi e, naquele dia, ficou por isso. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No dia 1º, pela manhã, estou no trabalho e aquele fatídico 11 liga novamente. Atendi. Ficou mudo e a ligação não se completou. Cerca de uma hora depois, toca de novo. Atendi. Ficou mudo e a ligação não se completou. À tarde, naquela horinha que é sagrada pra mim, o Globo Repórter grita de longe: to-óin, to-óin, to-óin,to-óóóóóiiiiin! Dessa vez não atendi e a coisa ficou por aí. Só que a minha sesta foi pro brejo pelo segundo dia consecutivo. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O drama continuou no feriado do dia 2. Várias vezes, durante o dia, deixei o 11 pendurado, inclusive na hora da sesta. Apesar de ela ter ido pro brejo. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ontem, dia 3, pela manhã, resolvi atender. Na primeira vez a ligação não se completou. Na segunda, deu certo.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Alô!  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Do outro lado falou a voz metálica, fanhosa, de uma mulher.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Boa tarde. Aqui quem está falaaaando é Rose Silva. Falo em nome do Bradesco e gostaria de falar com o seu Aldo Jung.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Pois não. Sou eu mesmo, mas não posso falar porque estou dirigindo.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Cheguei bem perto do condicionador de ar, que estava ligado, para fazer barulho.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Poderia repetir, senhor Aldo. Não lhe entendi.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Não posso falar porque estou dirigindo – gritei.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Qual seria, senhor Aldo, uma melhor hora para estar falaaaando com o senhor?  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Hoje? Só depois das 19 horas!  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — O Bradesco agradece e lhe deseja um exceleeeente dia.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pensa que eles desistem? Que nada! Os coitados têm uma meta diária a cumprir. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Na tarde daquele mesmo dia, na horinha sagrada da minha sesta: to-óin, to-óin, to-óin, to-óóóóóiiiiin! Lá veio o Globo Repórter me tirar de alfa. E o pior: a ligação não completou. Vi que era o Bradesco de novo. Levei o telefone pra deitar comigo. Não demorou muito, de novo: to-óin, to-óin, to-óin,to-óóóóóiiiiin! E o pior: a ligação não completou. Vi que era o Bradesco de novo. Larguei o telefone do meu lado. Não demorou muito: to-óin, to-óin, to-óin,to-óóóóóiiiiin! Deu certo!  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Alô!  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Do outro lado falou a voz metálica, fanhosa, de uma mulher.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Boa tarde. Aqui quem está falaaaando é Gisleine. Falo em nome do Bradesco e gostaria de falar com o seu Aldo “Iung”.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Pois não.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Seu Aldo?  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Sim. E daí?  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Primeirameeeeente, gostaria de estar lhe informaaaando que essa ligação vai estar seeeendo gravada para sua segurança. Então: blá, blá, blá, blá, blá. Benefícios, blá, blá, blá, blá, blá. Crédito, blé, blé, blé, blé. Blé, blé, blé, blé. Juros baixos, bli, bli, bli, bli. Bli, bli, bli, bli. Bló, bló, bló...  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Antes que chegasse ao blu, interrompi a Gisleine.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — O negócio é o seguinte, Gisleine: graças a Deus não preciso de crédito. Isso é o que eu mais tenho. Crédito. Tenho cinco cartões de crédito, tenho um ótimo emprego no governo federal, que me garante uma renda excepcional, não passo por dificuldades e não preciso de nada.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Quais seriam as bandeiras dos cartões de crédito que o senhor possui, senhor Aldo?  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Visa, Mastercard, Dinners, American Express e um outro que nem me lembro mais, porque não uso nenhum, compro e pago tudo com dinheiro, na hora.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Mas, então, senhor Aldo, vou estar lhe ofereceeeeendo a oportunidade de estar adquiriiiindo mais um cartão de crédito...  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Interrompi a Gisleine de novo.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Gisleine...  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — ... blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá...  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Gisleine! – gritei.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Pois não, senhor Aldo.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — No momento não estou interessado em crédito. Mas o que eu tô querendo muito é fazer sexo.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um breve silêncio.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Poderia estar repetindo, senhor Aldo? Não lhe entendi.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Eu tô loco pra fazer sexo, Gisleine, dar uma boa transada. Poderias estar me ajudando com isto?  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — O Bradesco agradece e lhe deseja uma boa tarde.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Tu, tu, tu, tu, tu...  &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;.:: o ::.&lt;/b&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Fui grosseiro, sei. Fiquei com pena da Gisleine. Faria o mesmo se fosse a Rose ou o Robson, de quem também ficaria com pena. Sei que eles não são culpados, mas alguém tem que ouvir. Se eu pedisse pra chamar o supervisor ou supervisora, não seria atendido se não houvesse uma razão plausível para tanto, mas diria o mesmo pra ele/ela, de quem também teria compaixão. Na verdade, quem tem que ouvir o que eu disse e coisa ainda pior é o Diretor de Marketing do Bradesco e o cara que inventou esse serviço telechato. Esses são os verdadeiros culpados pelas seguidas e vespertinas interrupções da minha sesta.  &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;.:: o ::.&lt;/b&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Posso estar imaginaaaando que o leitor tenha achado meio chato esse texto repetitivo. Imagine, então, como eu estava incomodado. É que tentei passar a impressão daquele papo de telemarketing, que é sempre o mesmo.  &lt;p align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Enfim, estarei de volta no fim do mês e, espero, sem estresse. Mas, como tenho que deixar o celular ligado, então não sei se vou ficar livre dos telechatos...&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-2669633418944446551?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/2669633418944446551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=2669633418944446551&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/2669633418944446551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/2669633418944446551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/02/telechatos.html' title='Telechatos'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TUv4jZ9eMwI/AAAAAAAAAZM/UIzpxQQgVFw/s72-c/telechatos_thumb%5B4%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-5423784931458857054</id><published>2011-02-01T18:54:00.001-02:00</published><updated>2011-02-01T18:54:24.760-02:00</updated><title type='text'>It’s only Rock n’ Roll</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Já comentei neste blog sobre meu &lt;i&gt;hobby&lt;/i&gt; do passado (&lt;a href="http://coisasdoaldo.blogspot.com/2009/10/old-stones.html" target="_blank"&gt;The Old Stones&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://coisasdoaldo.blogspot.com/2010/12/old-stones-rides-again.html" target="_blank"&gt;The Old Stones rides again!&lt;/a&gt;). Acho que não comentei que ele continua. Então vamos a um resumo dele no passado. &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;em&gt;&lt;b&gt;O passado remoto&lt;/b&gt;&lt;/em&gt; &lt;br&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em 1966, quando tinha 16 anos, formei uma banda de rock com mais três amigos, no embalo da beatlemania. Ela se chamava The Old Stones e eu era o baterista, que não é considerado músico, mas sim o melhor amigo dos músicos. Durou até 1969, quando cada um seguiu seu rumo. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Passei a ensaiar sozinho, na garagem da minha casa, com o objetivo de me aprimorar. Colocava os discos de bandas da época num toca-discos plugado num potente amplificador, sobra do divórcio dos Old Stones, e os acompanhava na bateria. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em seguida, o Buffalo, contrabaixista dos Old Stones, me convidou pra tocar na banda em que ele estava e que se chamava The Hooligans (não sei se o nome tinha alguma referência com os violentos torcedores ingleses, mas era soava bem rock n’ roll). Mas, como tudo acaba, essa também acabou. Com alguns remanescentes e novos integrantes, formou-se a The New Hooligans, que também acabou depois de um tempo. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não demorou muito, eu e um remanescente da TNH formamos outra banda, mais pesada, com mais pegada e uma batida forte, à qual demos o nome — pasmem — de Banda do Pentágono da Paz (nossa!). A essa altura já era final de 1971 e a banda, como as outras, foi pro saco. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Foi então que entrei numa banda chamada Kaos (não me lembro se era com K ou com C). Essa tinha pretensão de crescer e fazer muito sucesso, mas seus integrantes não tinham recursos suficientes para adquirir os bons equipamentos necessários. Para conseguir isso, a banda começou a tocar num inferninho da Cristóvão Colombo, perto da Gaspar Martins, chamado Pyramides Club. Era um horror. Tocávamos pras putas da casa dançarem com seus pretendentes. Não se suportava nem o cheiro do local. Eu trabalhava, tinha um salário razoável e estava prestes a me casar, então acabei caindo fora. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Era 1972. Dei por encerrada minha carreira de músico e vendi minha bateria pra um colega de trabalho. &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;em&gt;&lt;b&gt;O passado recente&lt;/b&gt; &lt;br&gt;&lt;/em&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eis que 24 anos depois, o Buffalo, antigo companheiro, resolveu reunir os Old Stones para uma brincadeira: queria comemorar 30 anos dede que tínhamos tocado juntos pela primeira vez. Topamos. Assim, em outubro de 96, os velhos stones tocaram juntos de novo, num jantar dançante no Partenon Tênis Clube. A casa lotou com antigos e antigas fãs, quase todos já com os cabelos agrisalhados. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Talvez você já tenha ouvido alguém dizer que música é como cachaça: não pode tomar o primeiro gole. E foi o que aconteceu. Os Old Stones continuaram na estrada por algum tempo, com diversas formações, tocando em jantares dançantes e fazendo shows em praças e parques, mas como um saudável hobby. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um ditado diz que a fruta nunca cai longe do pé. Meu filho também montou uma banda com colegas do colégio. Não era de rock, mas sim de pagode (acho que atirei pedra na cruz em encarnação passada). Tudo bem. Como pai tem que participar, levava-o para os ensaios, que já não são mais em garagens como no meu tempo, mas sim em estúdios. Num desses, o dono também tinha sido músico na adolescência e havia voltado a tocar depois de maduro (vou evitar o termo “velho”), mas que, como eu, estava parado. Conversa-vai, conversa-vem, convidou-me pra fazer com ele uma banda. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eu e os outros convidados, a quem eu não conhecia, aparecemos no dia marcado. Feitas as apresentações, fomos para o estúdio e fizemos um som bem legal, por cerca de duas horas. Na saída, conversamos uns com os outros sobre o passado, em que bandas, quando e com quem havíamos tocado. Dirigi-me a um deles, gordo e quase careca, e disse que tinha tocado numa banda do IAPI, chamada Kaos, com fulano, sicrano e o Cabeleira... &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ele me interrompe e diz: — Pô! O Cabeleira era eu! &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ou seja: o tempo foi implacável com ele, a ponto de, além de transformar seu corpo, afetou-lhe a memória, pois não me reconhecera. E eu nem mudei tanto naqueles pouco mais de 30 anos, apenas não sou mais cabeludo, mas continuo magro. Ele, naquela época, era mais magro do que eu e tinha uma vasta cabeleira crespa (daí seu apelido). &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mas isso foi apenas um detalhe. Essa banda durou poucos encontros e não vingou, justamente por causa do Cabeleira, que tinha uma vida meio complicada. Em compensação, o outro integrante que conheci nesses encontros, o Nelson, me convidou para formar uma banda com ele. Juntamos, então, metade dos antigos Old Stones com metade dos antigos Os Bruxos, que era a banda do Nelson na adolescência, e nasceu o Projeto 70. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O Projeto 70 foi eterno enquanto durou, assim como as paixões e alguns amores. Novamente este melhor amigo dos músicos que lhe escreve estava no ócio musical. Num belo dia, encontro no supermercado o Gil, aquele cara do estúdio em que meu filho ensaiava e que quis fazer a banda com o Cabeleira e o Nelson. Estava tocando numa banda que passava por modificações e precisava de um baterista. Lá fui eu tocar na Escravisaura Blues Band. &lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;b&gt;&lt;em&gt;O presente&lt;/em&gt;&lt;/b&gt; &lt;br&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Por falta de tempo de alguns, a Escravisaura ficou na berlinda. Enquanto isso, eu e o Gil formamos a &lt;b&gt;Folk’n’Roll&lt;/b&gt;, que existe desde 2006. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A &lt;b&gt;Folk'n'Roll&lt;/b&gt; toca músicas dos anos 60 e 70, sem que tenham sido, obrigatoriamente, tops de paradas de sucesso e que, normalmente, não são tocadas por grupos semelhantes. A interpretação tem uma levada às vezes &lt;i&gt;folk&lt;/i&gt;, às vezes &lt;i&gt;country&lt;/i&gt; e, na maioria das vezes, a batida do rock daquelas décadas. Não existe a preocupação de fazer &lt;i&gt;covers&lt;/i&gt; dos originais. A &lt;b&gt;Folk'n'Roll&lt;/b&gt; coloca pitadas de banda de garagem na interpretação do seu repertório. A proposta é executar músicas do gosto pessoal dos integrantes, mas que também transportem seu público àquela época. Para os mais novos, porém, tudo soa como se fosse novo. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O grupo é formado por músicos experientes, que, como eu, encaram a atividade como um hobby: Aldo - bateria e &lt;i&gt;backing vocals&lt;/i&gt;; Aloar - guitarra solo e &lt;i&gt;backing vocals&lt;/i&gt;; André - teclados; Gil - contrabaixo e vocais; Lauro - guitarra base e vocais. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Do &lt;i&gt;set list&lt;/i&gt; da &lt;b&gt;Folk'n'Roll&lt;/b&gt; constam músicas de Barry McGuire, Beatles, Bee Gees, Billy Ray Cyrus, Bob Dilan, Byrds, Eric Clapton, Marmalade, Monkees, Nillson, Rokes, Rolling Stones, Shakers, The Five Americans, Turtles, Ventures, Willie Nelson e outros. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Conheça melhor a banda e ouça músicas interpretadas pela Folk’n’Roll no site, clicando &lt;a href="http://www.folknroll.com.br" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Abaixo, um vídeo gravado com uma máquina digital numa festa privada. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/div&gt; &lt;div style="padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; width: 425px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px" id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:3abf3caf-3071-40c6-866c-af9623c16bf5" class="wlWriterEditableSmartContent"&gt;&lt;div id="37567d84-fd95-43bf-a7bb-c8b989769fa0" style="margin: 0px; padding: 0px; display: inline;"&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=FQw5dfeo4SU" target="_new"&gt;&lt;img src="http://lh3.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TUhy_IOmV0I/AAAAAAAAAYs/C_X1yRnZ8gs/videob0b093caede3%5B3%5D.jpg?imgmax=800" style="border-style: none" galleryimg="no" onload="var downlevelDiv = document.getElementById('37567d84-fd95-43bf-a7bb-c8b989769fa0'); downlevelDiv.innerHTML = &amp;quot;&amp;lt;div&amp;gt;&amp;lt;object width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;param name=\&amp;quot;movie\&amp;quot; value=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/FQw5dfeo4SU&amp;amp;hl=en\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/param&amp;gt;&amp;lt;embed src=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/FQw5dfeo4SU&amp;amp;hl=en\&amp;quot; type=\&amp;quot;application/x-shockwave-flash\&amp;quot; width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/embed&amp;gt;&amp;lt;\/object&amp;gt;&amp;lt;\/div&amp;gt;&amp;quot;;" alt=""&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O bom de ser baterista, isto é, ser o melhor amigo dos músicos, é que a gente tem um monte de conhecidos músicos. Há pouco mais de um ano, recebi um telefonema de um cara que se identificou como Ricardo, que me conhecia da época dos Old Stones. Disse que quem dera meu número pra ele fora o Carlos (o Português, dos Old Stones). Ao se identificar, disse que também tinha uma banda naquela época, assim, assado, etc. e tal. Resumindo: queria que eu conhecesse uma turma que estava se reunindo havia algum tempo, mas que não tinha baterista (ou seja, a turma não tinha um “melhor amigo”). &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No dia combinado, apareci na casa desse cara, que eu desconfiava quem fosse. E era ele mesmo, o Tati, irmão do Fred, que estudava comigo no Colégio Batista. Inicialmente ele queria que eu levasse a bateria. Argumentei que era muita coisa só pra um encontro que nem se sabia se iria dar certo. Um dos outros caras, contudo, levou um arremedo de bateria, mas que dava pra fazer barulho. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E como fizemos barulho! Foi paixão à primeira vista. No grupo tinha (e ainda tem) dois guitarristas fantásticos (Richard e Cristiano), um contrabaixista de primeira (Ivo), o Tati, que toca violão e canta, e o Hespanhol, que, naquela época, era tecladista. Tinha, ainda, um cara que tocava harmônica, o Rafael, filho do Fred e, consequentemente, sobrinho do Tati, mas que não apareceu naquele dia (nem nos subsequentes, apenas nas apresentações. Hoje está fora do país). &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Assim começou minha vida de baterista com aquela banda, chamada Alpha Rock. Posso dizer que praticamente começou a vida da banda, porque, até então, haviam feito poucas apresentações. Com meus conhecimentos, consegui levar a banda pra tocar no Sgt Peppers — a meca das bandas de rock de Porto Alegre —, que deu ainda mais motivação praquela gurizada detonar o rock n’ roll. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Diz a história que tudo começou com o nome “Joh Free Band”. No final dos 90, um baterista e um violonista, dispostos a encontrar alguém que realmente soubesse tocar, publicaram no jornal um anúncio classificado procurando um guitarrista. Atendendo ao anúncio, Cristiano Marchionatti junta-se ao violonista Ricardo Forneck e ao baterista da hora. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em 2001, indicado por um amigo de Ricardo, agrega-se ao grupo o baixista Ivo Silveira. O tempo passa. Músicos passam e se vão, mas o trio Ricardo, Cristiano e Ivo mantêm-se firme. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em 2003, o guitarrista Richard Hennig se junta aos encontros daquele trio formado por violão, guitarra e baixo. Nascia, então, a “Alpha Rock”. Nem se podia dizer que a banda era completa, pois nenhum baterista esquentava lugar. Um dia, Ivo convocou seu filho, Diego “Beselho” Silveira, para, finalmente, assumir as baquetas. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mais tarde, Ricardo e Richard conheceram o tecladista PC Hespanhol e o convidaram para participar da banda. O convite foi aceito na hora. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Por motivos de estudos e trabalhos, Diego precisou desligar-se do grupo. Outra vez a banda passou por momentos críticos, convocando e testando outros bateristas, que não se enturmaram. Novamente por indicação, surgiu meu nome, de quem os demais gostaram e que também gostou da banda. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando a banda começou a tocar no Sgt Peppers, Revolution, Free Riders e outros pubs, amigos que a acompanhavam gravavam vídeos e os colocaram no Youtube. Ao se pesquisar por Alpha Rock, no entanto, aparecia outra banda com o mesmo nome, de outro Estado. Sugeri, então, que se mudasse o nome. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Agora, a Alpha Rock tem outro nome, &lt;b&gt;“the” rock band&lt;/b&gt;, e continua tocando o mais puro, bom e velho rock'n'roll! Confira no site, clicando &lt;a href="http://therockband.net.br" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A formação atual conta com Ricardo Forneck (violão e voz), Cristiano Marchionatti (guitarra e voz), Richard Hennig (guitarra e voz), Ivo Silveira (baixo), e Aldo Jung (bateria). &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Abaixo, um vídeo gravado no Sgt Peppers. &lt;/div&gt; &lt;p style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt; &lt;div style="padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; width: 425px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px" id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:71ce5f2d-306b-4c1f-ae10-8af1cb145493" class="wlWriterEditableSmartContent"&gt;&lt;div id="fff43816-dd39-454b-9ad9-9a7d236ffd00" style="margin: 0px; padding: 0px; display: inline;"&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=8rMaQpqYqRI" target="_new"&gt;&lt;img src="http://lh4.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TUhy__IMsnI/AAAAAAAAAYw/BFibiQaoBd0/video84f995621fb9%5B3%5D.jpg?imgmax=800" style="border-style: none" galleryimg="no" onload="var downlevelDiv = document.getElementById('fff43816-dd39-454b-9ad9-9a7d236ffd00'); downlevelDiv.innerHTML = &amp;quot;&amp;lt;div&amp;gt;&amp;lt;object width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;param name=\&amp;quot;movie\&amp;quot; value=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/8rMaQpqYqRI&amp;amp;hl=en\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/param&amp;gt;&amp;lt;embed src=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/8rMaQpqYqRI&amp;amp;hl=en\&amp;quot; type=\&amp;quot;application/x-shockwave-flash\&amp;quot; width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/embed&amp;gt;&amp;lt;\/object&amp;gt;&amp;lt;\/div&amp;gt;&amp;quot;;" alt=""&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;strong&gt;It’s only rock n’ roll, but I like it!&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-5423784931458857054?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/5423784931458857054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=5423784931458857054&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/5423784931458857054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/5423784931458857054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/02/its-only-rock-n-roll.html' title='It’s only Rock n’ Roll'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TUhy_IOmV0I/AAAAAAAAAYs/C_X1yRnZ8gs/s72-c/videob0b093caede3%5B3%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-2132043378509942466</id><published>2011-01-31T16:45:00.001-02:00</published><updated>2011-01-31T16:45:49.474-02:00</updated><title type='text'>O ronco</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não adiantarão insistentes pedidos pra eu voltar a postar textos antigos achados seja em uma gaveta ou numa caixa em cima do guarda-roupa. Definitivamente, este é o último. Se, no entanto, meus seis leitores ficarem muito indignados, escrevo textos atuais com estilo e cenários de cerca de 35 anos atrás.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Abaixo, então, uma rápida síntese do momento mais importante da vida de Políbio, um velho rabugento em que, invariavelmente, nós, homens, nos tornamos a partir de certa idade.&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: center; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;strong&gt;.:: o ::.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: center; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TUcDV29w4EI/AAAAAAAAAYk/Gur8zwx52AA/s1600-h/ronco%5B5%5D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="ronco" border="0" alt="ronco" src="http://lh5.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TUcDWlZ72RI/AAAAAAAAAYo/V_mEZI-024o/ronco_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="500" height="400"&gt;&lt;/a&gt; &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Desde seu casamento, Políbio acordava com um mau-humor que nem ele aguentava. Quando se dava conta de que não valia a pena, tornava-se o gordo normal de antes.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pelo menos pra ele o azedume tinha motivo: quando passava da metade da garrafa de cana, falava entre dentes para os gambás amigos que era o ronco de sua mulher que o incomodava de noite. Dizia que, seguidas vezes, acordava sobressaltado e cutucava com força as graxas da consorte com o roliço cotovelo. Em seguida, dormia até novo susto.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Vinte anos de vida em comum tinham-se ido e Políbio não se acostumara. Matutinamente, o mau-humor; à noite, os sobressaltos.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Havia vezes em que ele até se engasgava, contava aos amigos. Na metade da garrafa os caras come&amp;shy;çavam a rir. No último gole, Políbio rebentava numa gargalhada gostosa e voltava à vida do bairro.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A vizinhança gostava muito de comentar o ranço do Políbio. Tudo sem muita malícia. Quando ele descia, ninguém falava nada, nem olhavam. Quando subia, as coma&amp;shy;dres, de avental e vassoura, sorriam e perguntavam Inocentemente como tinha passado a noite. Poli só di&amp;shy;zia “bom-dia” ou “boa-tarde”.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Querida, sua mulher, trazia sempre uma cara de choro. Não sei se era do berço ou conseguiu-a depois de casar, assim como a gordura. Como as outras mulheres do bairro, era dona de casa por inércia. Sua vida havia sido um só trabalhar-trancado. Nas mãos havia encaixes para o cabo da vassoura, da frigideira, das panelas e da sacola de cordas. Um eterno chinelo arrastava-se sob seus pés. Sua fala mansa, contínua e chorosa cansava a quem com ela dialogasse.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Na vida de Políbio e Querida houve uma vez um menino. Coisa quase sem importância, pois durou pouco. Mal comprou uma guitarra usada já arpejou a valsa do adeus. Enamorou-se do rock para nunca mais voltar.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Cansado da rotina, o velho barrigudo, pensio&amp;shy;nista do INAMPS, resolveu dar uma de guri: estendeu um pouco mais seu domínio geográfico e foi até a avenida conhecer Mariana. Era uma mulata de sentar em duas ca&amp;shy;deiras e virar o prato de sopa. A caduquice que o fazer-nada trouxe ao Poli levou-o à paixão absoluta. Todas as tardinhas vestia sua roupa menos velha e ia pra avenida encontrar-se com Mariana. De lá, iam pra pensão.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mas Poli era um cara meio moralista. Nada de passar a noite fora e muito cuidado pra não ser visto. Era uma ginástica. A mulata era exigente, sempre querendo mais. E a paixão aumentava a cada dia.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; À noite, seus sobressaltos tornaram-se mais frequentes. Querida andava chateada. O mau-humor contagi&amp;shy;ou-a, tantas eram as vezes que acordava sendo sacudida. Seu braço esquerdo já tinha uma marquinha roxa de tanto cotovelada.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O Poli ia pro bar e desabafava com a garrafa e os amigos. Dizia não aguentar mais os roncos da Querida. Era tal de pesadelo a noite toda. Nem falava mais com a mulher. Só ia em casa pra comer e ter pesadelos.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E a Mariana dando em cima. Era um desembolsa grana daqui, desembolsa dali que o Políbio tava ficando naquela dureza. Mas era algo muito especial. Deixou, com muito sacrifício, de visitar o boteco, mas não deixou a mulata.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Teve uma idéia: e se Querida morresse? Ele venderia o barraco, compraria outro e levava Mariana pra casa. Saía com a vantagem de sustentar um só “lar” e, o melhor, não ouviria mais roncos. Mas como conseguir isso?&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Doente ele não era. Só resta uma maneira. Remorso? Nem pensar. Já não podia mais acomodar&lt;b&gt; &lt;/b&gt;as suas graxas com as da mulher. Era uma convivência impossível que ele ia tolerando. Desquite não valeria a pena. Ah! Aquela crioula redonduda, bem onde devia ser...&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Entre mais umas noites mal dormidas Poli achou a maneira mais conveniente: veneno a prazo. E foi numa far&amp;shy;mácia distante comprar um vidro de veneno.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Noite após noite, colocava umas gotinhas no chá de Querida. Dia após dia, a indisposição dela crescia. Tonturas, enjôos e desmaios. E o Poli a dizer que não era nada, não precisa de doutor, é a menopausa...&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; As repentinas acordadas continuavam sempre cres&amp;shy;cendo. As sacudidas cada vez mais violentas. Políbio ouvia o ronco mais forte, cutucava a mulher que só fazia “hum”. E pensava num momento próximo qualquer em que ele a sacudiria e sua cabeça tombaria para o lado do traves&amp;shy;seiro. Já tinha até comprador pro seu barraco e outro em vista. Faltava pouco pra Mariana ser sua, só sua. Tudo aquilo do seu lado, o dia todo, a noite toda — e sem roncos. Oh, vida...&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E foi numa noite quente e suarenta que Querida levou sua gordura pra baixo da terra. Bem como Políbio imaginara: uma cutucada no rim esquerdo, e a cabeça tombou com o ronco mortal.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Foi tudo muito rápido: no atestado de óbito, uma insuficiência cardíaca; pra vizinhança, uma pena; pro Poli, a independência.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No dia seguinte, Políbio já dormiu com a crioula na pensão. Na outra semana, despediu-se da vizinhança e foi pro seu barraco novo. Pequeno e sem muita coisa por dentro, que era pra mulata não se cansar e pra não gastar muito dinheiro. Aquela mulher foi feita pra outras coisas e não pro trabalho de dona de casa.&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Algum tempo se passou e Mariana voltou à antiga esquina de todos os dias. Quando lhe perguntavam por que havia sumido por uns tempos, dizia que fora morar com um velho barrigudo que tinha algum dinheirinho, mas que passava a noite acordando sobressaltado, dando uma cutucada nela e logo continuava roncando a todo volume. Não aguentou. &lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-2132043378509942466?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/2132043378509942466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=2132043378509942466&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/2132043378509942466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/2132043378509942466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/01/o-ronco.html' title='O ronco'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh5.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TUcDWlZ72RI/AAAAAAAAAYo/V_mEZI-024o/s72-c/ronco_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-3516624570587587433</id><published>2011-01-29T16:56:00.001-02:00</published><updated>2011-01-29T16:56:49.889-02:00</updated><title type='text'>Desconhecido de mim</title><content type='html'>&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TURi7rsGthI/AAAAAAAAAYc/JkiHX14rUvU/s1600-h/desconhecido2%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="desconhecido2" border="0" alt="desconhecido2" src="http://lh6.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TURi8Px5BMI/AAAAAAAAAYg/C1eEiBtAXtY/desconhecido2_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="328" height="450"&gt;&lt;/a&gt;  &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Há anos, quando meus filhos eram pequenos e morávamos no Bom Fim, ia passear no brique da Redenção com a família. De cada 10 pessoas que por nós passavam, metade me cumprimentava. Minha mulher de então dizia que eu poderia tranquilamente me candidatar a vereador. Seria eleito. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eu só ria. Alguns eu conhecia. Outros, nunca vira mais gordo. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Com o tempo, foi diminuindo o número de pessoas que me cumprimentava. Decerto porque, envelhecendo, minhas feições se alteraram e deixei de ser parecido com alguém que pelo menos três daquelas pessoas que me cumprimentavam antes achavam que eu era. &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: center; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;b&gt;.:: o ::.&lt;/b&gt; &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Hoje, estou noutro bairro, sem brique, sem minha família e sem redenção. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Estava na sacada e vi um vizinho da rua aproximar-se. Vinha caminhando tranquilamente pelo outro lado da calçada, assoviando e olhando distraidamente para os lados. Viu-me e meneou levemente a cabeça como um cumprimento, sem interromper sua melodia. Repeti o gesto e acrescentei um breve aceno. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A rua não é movimentada. Por ali passam poucas pessoas, nos dois sentidos. Algumas eu conheço só de ver passar. Diariamente. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Percebi que não tinha mais cigarros e fui ao mercadinho, na quadra de baixo. Cruzei com outras pessoas no caminho. Todas desconhecidas, a quem nem olhei e que também não me olharam. O mercado estava razoavelmente cheio. Como não precisava andar por entre as gôndolas, fui direto pra fila da caixa. Na minha frente havia duas senhoras, certamente moradoras do bairro, mas que eu não conhecia. A moça da caixa eu conhecia, mas só de ali comprar cigarros vez que outra. Respondi ao seu gentil bom dia e pedi o que queria. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Na volta, passei por mais pessoas. Algumas eu conhecia só de por ali passar, vez que outra, e sabia morarem naquela rua. Não nos olhamos. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Na entrada do prédio encontrei um vizinho do mesmo andar que saía e que ficou segurando o portão para eu entrar. O diálogo não poderia ter sido mais trivial: &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Bom dia, professor – disse o vizinho. E esse calor? &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Bom dia. Tá brabo – respondi. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Entrei e ele fechou o portão atrás de mim. Era dia de faxina no edifício. Cumprimentei a moça da limpeza, a mesma de todas as semanas, mas de quem eu não sabia o nome. Ao subir a escada, mais um encontro casual. Era uma vizinha do andar de cima. Novamente um diálogo corriqueiro se fez ouvir. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Olá, seu Walter. Bom dia. E a dona Bela, está bem? Com esse calor acho que tá todo mundo meio mal, né? Mas vai melhorar assim que chover! &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Aquilo não era apenas um cumprimento. Era vontade de falar com alguém. Eu, sem parar de subir; dona Jandira, sem parar de descer. Quase não ouvi o final do seu “discurso”, mas encadeei as respostas na mesma sequência, sem saber se ela tinha ouvido. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Bom dia. Tudo bem. É. Acho que não passa de hoje. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Se fosse um filme com legendas, o profissional que as faz não saberia como resolver. Mas não importa se ouvimos um ao outro ou se nos entendemos. O importante são as convenções. Afinal, vizinho é vizinho e é preciso cumprimentá-los.&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: center; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;b&gt;.:: o ::.&lt;/b&gt; &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Desconhecidos: pessoas de quem, mesmo morando no mesmo bairro, na mesma rua, não sei o nome nem sabem o meu. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Conhecidos: pessoas com quem vivi ou vivo, com quem trabalho, que moram no mesmo bairro, na mesma rua, no mesmo prédio e de quem se conhece pelo menos o nome, mas que, muitas delas, não sabem o meu.. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Elas têm pai e mãe? Têm filhos? De onde vêm? Elas sabem se tenho pais e filhos? Sabem se preciso de alguma coisa? Como estou me sentindo? &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Conhecer alguém é algo muito relativo. Há cinco anos, quando terminei o casamento de 27 anos por ter me apaixonado por uma mulher que recém conhecera, minha ex-esposa — aquela que disse que eu deveria me candidatar a vereador — disse que “achava” que já me conhecia e que jamais imaginaria isso de mim. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nessa mesma época, entrei numa rede social da internet que estava na moda. Era um tempo em que se precisava ser convidado para fazer parte dela. Meu filho me convidou. A partir daí, comecei a conectar-me virtualmente a conhecidos que encontrava na mesma rede. Amigos, amigos de amigos e assim por diante. O número de contatos crescia a cada dia, assim como de visitas a meu perfil. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Há poucos dias ganhei um selo dessa rede por ser um dos mais antigos participantes. Resolvi, então, fazer uma auditoria nos meus conhecidos da rede. Muitos eu nem sabia como e por que haviam se instalado lá. Com muitos mais nunca tinha trocado um recado. Outros com os quais só me comunicava nos dias de aniversário, isso porque o software da rede avisava. A maioria não respondia. Poucos eram os que me cumprimentavam no meu aniversário. Apaguei quase todos. Sobraram meus filhos, minha atual mulher, o filho dela (que mantive por respeito a ela) e um que outro colega de trabalho ou de lazer. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Entre os que sobraram, só conheço plenamente (eu acho) e só me conhecem os meus filhos. De resto são apenas conhecidos — pra não dizer desconhecidos — de quem sei o nome porque está lá escrito. &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: center; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;b&gt;.:: o ::.&lt;/b&gt; &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Voltando aos (des)conhecidos de hoje. Entrei no apartamento e fui direto lavar as mãos. Tinha andado na rua, mexido em dinheiro, etc. Molhei as mãos, ensaboei-as, enxaguei-as e sequei-as sem olhar no espelho. Eu sabia que minha imagem estava ali. Mas, assim como fiz em relação aos desconhecidos com quem cruzei na rua, ignorei-a. Poderia ter feito o mesmo que fiz com o vizinho da rua e meneado a cabeça pra minha imagem. Até ter dado um aceno. Poderia ter dado bom dia, como a moça da caixa do mercado, a faxineira ou os vizinhos do prédio. Com certeza seria correspondido. Se falasse do tempo, no entanto, não obteria resposta. Mas não faria diferença. Quando se fala do tempo não se quer, na verdade, a resposta que o interlocutor possa dar, a menos que ele seja meteorologista. Só se quer falar. Só se quer sentir acompanhado. Saber que existe outro no mundo além de você. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; É uma coisa mais ou menos como seus contatos numa rede social da internet. Você sabe que estão lá porque vê que se comunicam com outros, porque seus perfis têm fotos, porque há um nome ou apelido lá escrito. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Voltei ao espelho e me encarei. Mas, por mais que me olhasse, me desconhecia. Sentia-me só. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A porta do apartamento se abriu. Era minha mulher que chegava. Ela tinha ido à casa da mãe dela, pertinho daqui. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Novamente um notório e retórico diálogo. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Oi! Já voltaste? &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eu teria certeza de que estava ficando louco se Bela me respondesse que ainda não tinha voltado. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — É. Já são onze e meia. Vou fazer o almoço. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ufa! – pensei – ainda bem que ela levou ao pé da letra minha pergunta e deu a resposta certa. &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: center; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;b&gt;.:: o ::.&lt;/b&gt; &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em pouco menos de uma hora, cruzei com várias pessoas. A maioria desconhecidas, algumas conhecidas de vista, um vizinho de rua dois de condomínio, uma faxineira semanal e minha mulher, com quem há poucas horas tinha passado mais uma de todas as noites dos últimos cinco anos. Dessas pessoas, quem eu conhecia e quem delas me conhecia? &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Posso dizer que conheci minha família de 27 anos — apesar de a ex ter dito que “achava” que me conhecia — porque tinha, então, uma identidade: era o marido da fulana, pai da sicrana e do beltrano e todas as implicações que essa rede familiar proporciona. Havia parentesco. Além disso, por ser marido e pai, fazia parte de uma grande rede social. Os conhecidos de fulana, sicrana e beltrano também eram meus conhecidos. Eu sabia quem eram seus pais, seus irmãos, seus filhos, suas famílias. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Depois que conheci e me apaixonei por Bela, o “conhecer” tomou outra forma. Hoje, percebo que nesses últimos cinco anos perdi aquela referência familiar. Sinto-me um desconhecido, um intruso numa família que se formou sem mim, a ponto de o enteado (do latim &lt;i&gt;antenatu&lt;/i&gt;, nascido antes) me classificar apenas como o “namorado da mãe dele”. Certamente os que com ele têm laços de sangue me classifiquem apenas pelo nome: o Walter... Mas o que é o Walter? &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: center; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;b&gt;.:: o ::.&lt;/b&gt; &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — E foi assim que, hoje, não reconheci aquele do espelho a minha frente e percebi que sou só. Por isso estou aqui, doutor. Sou um desconhecido meu. Quero voltar a me conhecer, a conviver comigo, a saber do que preciso, para onde vou, o que vou fazer, quais meus planos, quais são meus sentimentos... &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Muito bem. Interessante, mas, agora, fale-me um pouco sobre sua mãe. &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: center; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;b&gt;.:: o ::.&lt;/b&gt; &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;blockquote&gt; &lt;p&gt;Espio no espelho o espião&lt;br&gt;que existe em mim&lt;br&gt;mas ei-lo que logo se esconde&lt;br&gt;atrás da imagem&lt;br&gt;que espio em mim.  &lt;p&gt;(Flávio Moreira da Costa - O espião)&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-3516624570587587433?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/3516624570587587433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=3516624570587587433&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/3516624570587587433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/3516624570587587433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/01/desconhecido-de-mim.html' title='Desconhecido de mim'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TURi8Px5BMI/AAAAAAAAAYg/C1eEiBtAXtY/s72-c/desconhecido2_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-3085665698385324440</id><published>2011-01-27T17:00:00.003-02:00</published><updated>2011-01-27T18:12:37.356-02:00</updated><title type='text'>Vai tudo bem, obrigado.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Semana passada fui numa formatura. Nesta, vou a outra. Ambas do curso de Direito.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Formaturas, hoje em dia, são um verdadeiro show. Parece até um jogo da NBA ou de futebol americano. Um espetáculo.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E acho que estão certos os formandos. Antigamente era uma coisa muito chata, sem qualquer atrativo. Era bom (ou quase) apenas para quem estava se formando e seus orgulhosos familiares. Me agrada, hoje, ver aquele &lt;em&gt;set list&lt;/em&gt; musical variado, com os formandos procurando mostrar sua individualidade através do trecho de uma música. As mais tocadas são as eletrônicas que embalam as baladas do momento. Algumas músicas se repetem, como &lt;em&gt;I gotta feeling&lt;/em&gt;, do Black Eyed Peas. A personalidade desses formandos que escolhem a mesma música deve ser a mesma. Daqui a alguns anos, quando virem o vídeo da formatura, com certeza se arrependerão de terem escolhido esse tema, em vez de algum que continue dizendo algo para sempre.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando meus filhos se formaram — Direito e Relações Públicas — já era assim. Lembro de ter pago uma nota para uma produtora fazer a produção (óbvio, né!) de tudo: desde os convites, passando pelas várias festas e encontros, as fotos, o vídeo e a solenidade.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Enfim, lembrei-me da minha formatura. Era 1978. No Brasil imperava a ditadura militar. O déspota de plantão era o general Ernesto Geisel. Todos já conhecem a história. Caso contrário, deveriam conhecer.&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; As solenidades de colação de grau ainda eram tradicionais: todo mundo sentado quietinho, um respeito muito grande, um cerimonial, digamos, “careta”. Mudamos um pouco aquilo tudo, mas sem pagar produtora alguma. Fizemos nós mesmos. Colocamos música no show, e não era o hino nacional. Entramos correndo no Salão de Atos da PUC ao som da abertura da Guilherme Tell, interpretada por Walter Carlos, da trilha sonora do filme &lt;em&gt;A laranja mecânica&lt;/em&gt;. Depois, conforme o momento, tocavam músicas de Chico Buarque, especialmente &lt;em&gt;Cálice&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;O que será&lt;/em&gt;. Eram músicas que representavam o momento pelo qual o Brasil passava.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Antes, no entanto, depois de muita briga entre futuros jornalistas, publicitários e relações públicas, chegamos a um consenso sobre como seria a formatura, desde os convites até a cerimônia da colação de grau. Nem preciso dizer que valeu a opinião dos jornalistas. Os publicitários nem estavam aí e os RPs, como minoria, tiveram que nos engolir.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O tema do evento mostrava os formandos como uma nova safra de hortifrutigranjeiros. O convite foi confeccionado em forma de um pequeno jornal, com oito páginas (a capa reproduzo abaixo). O editorial, na página 2, falava das expectativas dessa nova safra em relação momento atual brasileiro; na página 3 tinha um anúncio dos formandos de Publicidade e Propaganda; na página central estavam os nomes dos formandos; na página 6, um texto dos RPs; na 7, vários textinhos da turma de jornalismo e uma charge (feita por mim); na última, uma reflexão sobre a educação, o ensino, o mercado, etc.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O discurso foi um tema também polêmico. Foi à votação. Os RPs apresentaram um e os jornalistas, outro. Venceu o dos jornalistas, que foi redigido por mim, fazendo as vezes de &lt;em&gt;ghost writer&lt;/em&gt; da turma.&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Escrevi, mas não li. Quem o leu da tribuna foi um colega, o Eliseu Pacheco, que tinha uma bela voz (ainda tem). Naquela época era locutor numa rádio de Porto Alegre. Depois, transferiu-se para São Paulo e não mais o vi. Por um tempo, ainda ouvia sua voz em comerciais de TV. Agora, não mais.&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Abaixo, após a reprodução da capa do convite, o discurso de formatura da Safra 78. Bem abaixo, a charge da seção dos jornalistas no convite-jornal.&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TUHAq5Iv3wI/AAAAAAAAAYM/o5TVvvQlMMU/s1600-h/safra78%5B5%5D.jpg"&gt;&lt;img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-top: 0px; margin-right: auto; border-right: 0px" title="safra78" border="0" alt="safra78" src="http://lh5.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TUHAr4NAxNI/AAAAAAAAAYQ/s-ANRSeQ1sA/safra78_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="500" height="698"&gt;&lt;/a&gt;   &lt;div style="text-align: center; line-height: 140%; font-size: 12px"&gt;&lt;em&gt;A capa do convite-jornal&lt;/em&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;br&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sosseguem, não vai doer. Vai tudo bem, obrigado.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Estamos vivendo num mundo em que as coisas só acontecem lá fora, os males só aparecem para os outros: na India estão passando fome; no Irã não querem mais Xá; no Líbano estão em guerra. Nós estamos em paz, vai tudo bem, obrigado. Aqui, além da tranquilidade, é tudo muito bonito. E muito prático também. Desenvolvimento altamente tecnológico, progresso... Progresso. Vejam as comunicações, por exemplo: aconteceu lá na Tailândia, segundos depois estamos sabendo aqui. Seja o que for, aonde for, somos informados na hora, via-satélite. Micro-ondas, lasers e outras ondas cruzam sobre nossas cabeças em intermináveis monólogos eletrônicos. Todos nós sabemos de tudo sobre o mundo, principalmente o que está na TV, no rádio, nos jornais e revistas. Tudo o que se possa imaginar sobre o mundo que nos rodeia. Mas tem uma coisa que nem todos sabem ou do que sabem muito pouco: a realidade brasileira.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; É claro que o mundo nos interessa — estamos nele — mas, em primeiro lugar, deveríamos saber sobre nossas coisas. Você sabe, realmente, como é a vida do brasileiro?&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; É tudo muito claro: temos dois partidos políticos para escolher, temos dirigentes pra não escolher, temos pacotes pra nos encolher... E por falar em escolha, como vai o nosso irmão nordestino? E o seu primo do Amazonas? E o seu tio do Mato Grosso? Como vão nossos empregos e nossos salários? Vai tudo bem, obrigado... &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Obrigado a ir tudo bem!&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; É... Todo mundo pensa que sabe de tudo e não dói nem um pouco. Será que vai doer em vocês se souberem que a opinião pública é habilmente manipulada por minorias privilegiadas?&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Que, nos últimos anos, no Brasil, a censura impediu a denúncia de medidas que intensificaram a exploração econômica, a dominação política e a marginalização de segmentos preferenciais da sociedade?&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mas vai tudo bem, obrigado. Itaipu, carnaval, energia nuclear, futebol, pólos petro-carbo-químicos, obrigado...&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Todos sabemos que o direito social à informação é conquista dos povos e não pode ficar nas mãos do arbítrio governamental ou privado. Todos sabemos que a propaganda pode e deve ter um papel formador e não deformador, que tem o dever de enriquecer e dignificar o ser humano. Todos sabemos que relações públicas é a preocupação com a integração de uma empresa ou instituicão com seu público.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sendo assim, dói em nós, jornalistas, saber da existência de uma estrutura montada para impedir o acesso da população às informações básicas necessárias à compreensão e transformação da realidade. Dói em nós, publicitários, saber que existe certa propaganda mentirosa, usada como forma de alienar pessoas, desinformar, anestesiar e imbecilizar em massa. Dói em nós, profissionais de relações públicas, saber que falsos profissionais manipulam o público com brindes e sorrisos e que vai tudo bem, obrigado.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Hoje, vamos sair daqui com o grave compromisso de não sermos instrumentos passivos desse poder devastador.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nós, jornalistas, nos propomos a protestar contra a violação de um dos direitos fundamentais da sociedade, que é o de informar e ser informada. Nos propomos a defender a liberdade de manifestação, não como prerrogativa para nós, mas sim como um direito de toda a sociedade de manifestar suas aspirações e debater suas opiniões.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nós, publicitários, seremos co-responsáveis por tudo aquilo que a propaganda fizer ao nosso povo, à nossa cultura, ao nosso país. Nossos compromissos não devem se esgotar apenas na venda de um produto, serviço ou ideia. Nos propomos a participar ativamente pela expansão do mercado interno e, consequentemente, por um maior número de consumidores, que são o objeto do nosso trabalho&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nós, de relações públicas, nos propomos a orientar a conscientização dos públicos internos das organizações estatais ou privadas, para que realmente prestem seus serviços em favor de uma coletividade e que possam, assim, garantir a verdadeira integração da empresa na comunidade a que pertence. Nos propomos a fazer valer o processo de troca de ideias e do diálogo entre público e empresa, visando o bem comum.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nós todos, jornalistas, publicitários e relações públicas sabemos que estamos entrando num sistema alheio aos nossos ideais, um sistema preocupado apenas com o capital, custe o que custar aos trabalhadores. E, como trabalhadores da comunicação, reconhecemos o papel estratégico que temos no processo de transformação social. Por isso, até agora, temos sido alvo de castrações. Apesar de nossas especializações diferirem um pouco na forma, mantêm o mesmo conteúdo.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Até hoje, estivemos unidos, mas e daqui pra frente? Será que conseguiremos permanecer juntos na luta pela construção de uma sociedade democrática, onde não existam fantasmas, onde não haja medo disfarçado de tranquilidade, desemprego, fome e forças ocultas?&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Se conseguirmos, aí sim, estará tudo bem, obrigado.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; ... mesmo que doa.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TUHAsgVVgbI/AAAAAAAAAYU/oE_giouc410/s1600-h/charge%5B5%5D.jpg"&gt;&lt;img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; border-top: 0px; margin-right: auto; border-right: 0px" title="charge" border="0" alt="charge" src="http://lh4.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TUHAtchBaPI/AAAAAAAAAYY/aLW_fhlWPxc/charge_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="200" height="463"&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;A charge da página 7&lt;/em&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-3085665698385324440?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/3085665698385324440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=3085665698385324440&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/3085665698385324440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/3085665698385324440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/01/vai-tudo-bem-obrigado.html' title='Vai tudo bem, obrigado.'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh5.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TUHAr4NAxNI/AAAAAAAAAYQ/s-ANRSeQ1sA/s72-c/safra78_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-6119404390011596660</id><published>2011-01-25T18:21:00.001-02:00</published><updated>2011-01-25T18:21:39.845-02:00</updated><title type='text'>Vai levanu!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt; &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Achei mais alguns escritos perdidos. Dessa vez não foi numa gaveta, mas sim numa caixa que está em cima do guarda-roupa. Fui procurar o discurso que fiz para a minha formatura e, além dele, achei este texto, que é uma brincadeira com a onomatopeia. Procuro reproduzir nele os sons dos coletivos da década de 70 — época em que eu ainda andava de ônibus — e o jeito de falar de seus tripulantes e passageiros.&lt;/p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TT8wzyaCy-I/AAAAAAAAAYE/SU_HLKB7bFE/s1600-h/vai_levando%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="vai_levando" border="0" alt="vai_levando" src="http://lh3.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TT8w0dGqGKI/AAAAAAAAAYI/cHcxdleQ8LE/vai_levando_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="504" height="379"&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Num ponto qualquer, a caminho do centro da cidade, ele chegou estabanado. Um guincho pré-histórico fin&amp;shy;cou-se nos ouvidos dos que ali estavam. Uma fumaça preta espalhou-se por todos os lados. Pela janela saiu uma cabeça vermelha e uma voz de alto-falante de quermesse berrou:  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Ai ô centro, olhaí! Subinu! Sobi mais! Sobiaína! Lieva!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Se fora, com o barulho e a fumaça era ruim, dentro estava pior. A porta traseira se fechou com um estrondo metálico e ficou mordendo minha camisa.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Ei, abre atrás!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Vaum cheganu à roleta!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Abre atrás!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Favor facilitá o troco.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Abre atrás, pô!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; PRÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉ  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Diesce!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Abre a porta de trás que eu fiquei preso!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — PFSSSSHSHSHSHHHH.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Finalmente se abriu. Mas não foi porque berrei. Já era outra parada. Fui empurrado degrau acima. Quando consegui virar a cabeça, vi a man&amp;shy;cha de graxa que tinha ficado na camisa.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Podi subi que aína há lugares! Ai ô centro!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Com licença?  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Com licença?  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Subinu! Um passinho à frente a fila do meio!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Com licença?  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Passa por cima, pô! Não vê que eu tô, trancado!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Cavalo...  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Vaum subinu e passanu à frente! Quem não qué passá que dá o lado aí, oh! Pode levá  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O calor aumentava a cada nariz que entrava. As janelas estavam todas abertas, mas era não adiantava. Quem estava dentro só saía a muito custo. Quem estava fora só entrava por descuido. E lá ia ele. Buraco dentro, buraco fora, uma apertada num táxi, um palavrão de lá, outro palavrão daqui, — só podia sê muié —, uma travada de seco, uma arrancada também, bura&amp;shy;co dentro, buraco fora.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Cheganu à porta!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Vai pará! Não precisa se pindurá na campainha!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Com licença?  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Vaum dexá passá na porta. Vaum dá o ladinho. Óia a fila do meio, um passinho mais à frente do carro!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Falta dez, moço.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Não tem troco. Aguarda num cantinho aí. Vaum facilitá as passage!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Ô, Foguinho! Vamu lá-com essa roleta aí que tá muito amarrado!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Coperanu e passanu à frente da roleta. Vaum dexá livre a subida! Sobiaína! Lieva!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Segura!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Desci mais! Fiiiuuuu.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A batalha estava formada. Narizes contra sovacos, dedões contra calcanhares, cotovelos contra nucas. Traseiros contra mãos-bobas. Ombros con&amp;shy;tra pernas. Joelhos contra braços.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O suor abundando, as sacolas atra&amp;shy;palhando, o cobrador berrando. O sol não dava folga. Atirava seus raios pelas janelas e frestas. O veículo parecia uma frigideira que fritava nossos miolos. Os vidros dos edifícios brincavam de sol e mandavam reflexos contra os olhos de quem estava do lado da sombra.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Uma curva pra esquerda; uma pra direita. Um buraco. Uma sinaleira. Mais uma parada.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Uí-Uí-Uí-Uí-Uí-Uí-Uííí. PFSSSSSHHHH:  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Sobi! Ai ô centro, ao mercado e há lugares.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Ai!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Desculpe...  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Cheganu rápido à saída. Passanu à frente a fila do meio, olhai!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Segura, moço!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Diesce! Tem vinte aí?  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Ainda falta um cruzeiro.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Quanto é que eu te dei aí?  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Sete e oitenta.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Não, eu te dei oito. Tenho certeza.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Então conta aqui, animal!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Animal, não! Pede com modos que eu dô! Tomaí!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Não quero esse teu dinheiro imundo. Tu já sabe o que fazer com ele!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Ô, Foguinho, tá misquecendo?  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Lieva! Dieu! Fiiiiiuuuu.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não sei como sempre cabia mais um naquela coisa. Pra cada um que saía, subiam três. O ar não era mais de oxigênio. Era só morrinha de sovaco, gás carbônico, micróbios e muito calor.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; As velhas gordas, de pé, queriam sentar. As sentadas queriam descer. No corredor, três filas, às vezes quatro. A ladainha do cobrador nunca parava e ainda faltava a metade do caminho.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Foi numa curva pra direita que o sol ficou de frente e começou a zombar de nossos olhos. Me arrependi de ter sentado. Não podia olhar pra frente, pois não enxergava. E o pior, o motorista também estava de frente pro sol.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pra terminar logo esta situação chata, aumentou a velocidade. Uma incrível trepidação tomou conta de tudo. Pelas frestas da tampa do motor saía um calor que, dançando, vinha juntar-se ao já existente. Como consequência, aumentou o suor dos corpos. E o resto também.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Vaum lá que só fica de fora quem qué! Há lugares no corredor.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Com licença, meu filho?  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Pô, estas velha. A senhora vai descer agora?  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Não.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Então aguenta aí.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Maliducado...  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Ai, ai! Calma! Não se pede mais licença?  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Um passinho mais no corredor óia aí. Sóbimais! Subinu! Vai levanu!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Momentinho que eu vô descê!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Se&amp;shy;gura!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O sol rasteiro atravessava o empoeirado para-brisa, varava a retina e não nos deixava olhar em frente. Não sabíamos quantos indefesos automó&amp;shy;veis já haviam sido fechados, quantos sinais vermelhos cruzados, quantos pedestres apavorados.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Deu uma chance e olhei para os santinhos colados na cabine do motorista. Infelizmente não me alentaram esperança alguma. Mais umas poucas paradas e estaríamos no centro. Tomara.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Moço, não dá pra abrir atrás pra mim descer com o meu marido que não está se sentindo bem?  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Não posso fazê nada, minha senhora.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Mas eu pago. Aqui está o dinhei&amp;shy;ro. Não vou conseguir passar pra frente.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Não dá. Se tem um fiscal da se&amp;shy;cretaria por aí, vai multá a gente&lt;i&gt;.&lt;/i&gt;  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Mas que barbaridade.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Pô! Abre atrás, o sem-vergonha!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Cumé quié, cara? Excesso de lotação pode, sair da fila indiana pode, correr desta ma&amp;shy;neira pode. Pra isso não tem fiscal, né?  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Não posso fazê nada. Pede pro motorista. Cheganu à porta e descenu rápido!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Lá fora talvez não estivesse muito diferente. Quem arriscava pôr o nariz pra fora da janela, mudava logo de idéia. A grande capital respirava mal. Os odores industriais insinuavam-se narinas adentro dos cidadãos.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Aqui, do pequeno executivo engravatado ao operário todo suado, espremiam-se, misturando temperaturas e vapores, formando uma massa disforme e fedorenta. Judeus, cristãos, ateus, brancos, negros, crianças, homens e mulheres... animais, quem sabe...  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Ai ô centro, ao mercado:  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; PFSSSSHSHSHSHHHHH.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Aimbora:  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Agonia das agonias. Parecia nunca terminar. Condições sociais levemente diferentes, mas a expressão nos rostos era a mesma. Socialismo forçado. Calor — comum de todos. Aperto — comum de todos. Suor — comum de todos. Calor, aperto, suor — transporte co letivo.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Diesce mais. Vaum aproveitá que é a última parada! Fecha atrás que não entra mais nada!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Com licença que eu desço nesta.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Diescenu aína! Lieva! Dieu!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; PFSSSSHSHSHSHSHHHH! CLANG! BROOOMMBROOOMMMMMMM!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Última parada, a primeira coisa sensata que o Foguinho disse. Só mais uns segundos e seria o fim da linha.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Vaum aproveitá e ir passanu a ro&amp;shy;leta. Óia o trocado na mão.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Cume que eu vô passá com tudo trancado?  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Pobrema teu, cara. Cheganu à frente do carro a fila do meio, é favorrrrr!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Fechou o sinal. Um tempo a mais para que pés, braços e cabeças pudessem se desvencilhar. Olho para o lado e vejo situações semelhantes. Estavam todos eles, os ônibus, cheios. Um pouco abaixo, os táxis. O ronco e a fumaça invadiram célula por célula do meu corpo.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Abre o sinal e todos arrancam ao mesmo tempo. O medo de uma colisão me faz suar a última gota. Ao meu redor, com as caras distorcidas, os passageiros buscando, cada um, ser o primeiro a cair fora.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Uí-uí-uí-uf-uí-uí-uíííí. PFSSHSHSHSHHH.  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Decenu rápido é favorrrr!  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Fui levado pelos corpos que se atiravam em direção à porta. Na parada, filas estendiam-se e gente que entrava misturava-se a gente que saía que misturava-se a gente que simplesmente passava.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Corri aproveitando o sinal vermelho e peguei o outro ônibus que já arrancava. Bati com a cabeça no cara que subira na minha frente. A porta se fechou com um estrondo metálico e ficou mordendo minha camisa.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-6119404390011596660?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/6119404390011596660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=6119404390011596660&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/6119404390011596660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/6119404390011596660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/01/vai-levanu.html' title='Vai levanu!'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TT8w0dGqGKI/AAAAAAAAAYI/cHcxdleQ8LE/s72-c/vai_levando_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-8788627851728335429</id><published>2011-01-24T16:23:00.001-02:00</published><updated>2011-01-24T16:23:26.391-02:00</updated><title type='text'>A geometria da vida</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O que é a vida de um indivíduo senão um segmento de reta na reta da existência humana?&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O “pai da geometria”, Euclides de Alexandria, deixou escrito em sua obra &lt;i&gt;Os elementos&lt;/i&gt; que “um segmento de reta é o conjunto dos pontos da reta que ficam entre dois outros pontos”. Ora, se a reta é um objeto geométrico infinito a uma dimensão, pode ser comparada à existência humana. A vida de um indivíduo, portanto, é o segmento determinado por dois pontos demarcados entre outros dois pontos infinitos.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um dos preceitos de Euclides, no entanto, o preocupava: um segmento de reta pode ser prolongado indefinidamente para construir uma reta. No caso dele — e de qualquer indivíduo — isso não seria possível. O segmento vida tem um ponto de início e um de fim; estes sempre estarão entre outros dois pontos, sem começo nem fim, indefinidos.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Esse era o pensamento do professor Geraldo naquele momento, na sacada de seu apartamento, enquanto esperava esquentar a água para o chimarrão. O sol recém surgido de trás do morro feria-lhe os olhos recém saídos do sono, pois eram recém seis e meia da manhã de uma quinta-feira de verão.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De retas, segmentos e pontos seu pensamento voltou-se para o tempo: a sucessão dos anos, dos dias, das horas, etc., que envolve, para o homem, a noção de presente, passado e futuro; período contínuo no qual os eventos se sucedem.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Naquele exato momento, pensava que tudo que é recém é um momento presente, foi futuro e será passado. E que assim ocorre com todos os momentos que se sucedem na vida. Professor de matemática recém aposentado, enxergava os momentos como pontos. Se o ponto é uma configuração geométrica sem dimensão, que se caracteriza por sua posição, assim o são, também, os momentos.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ouviu o barulho da chaleira chiando, espreguiçou-se e foi até a cozinha. Derramou a água aquecida na garrafa térmica, pegou a cuia que havia deixado sobre o balcão com a erva inchando e delicadamente serviu-se o primeiro mate matutino. Sorveu os primeiros goles, ainda mornos, olhando para o nada.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Voltou à sacada. Ajeitou a cadeira de praia de lado para a rua, sentou-se e serviu-se do segundo mate. Agora estava no ponto. Ponto? Apesar de ser outro tipo de ponto, determinante de uma circunstância, uma situação, um estado, a palavra o fez pensar de novo na geometria, no ponto, retas, segmentos de reta, semirretas; e no tempo...&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Como segmento de reta que era, Geraldo teve seu ponto A definido no momento de seu nascimento. Desde lá, vários momentos — ou seja, um conjunto dos pontos — haviam passado: a infância, a adolescência, a maioridade e, agora, a terceira idade. Como um turbilhão, vários momentos vieram-lhe ao pensamento, do passado até o presente momento, que foi futuro e será passado.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Lembrou-se da reação dos alunos quando lhes tentava ensinar, por exemplo, o Teorema de Pitágoras. &lt;i&gt;Em qualquer triângulo retângulo, o quadrado do comprimento da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos comprimentos dos catetos&lt;/i&gt;. — Putz! O que eles vão fazer com isso? Mas têm que aprender! Tá no currículo... — acrescentava conformado.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; É. Além do ponto, retas, segmentos de reta e semirretas, em seus momentos também houve planos, como o triângulo do tal teorema. Por falar nisso, tinha também o Teorema de Tales, afirmando que &lt;i&gt;se A, B e C são pontos em uma circunferência cuja reta AC é o diâmetro, então os pontos ABC formam um triângulo retângulo&lt;/i&gt;. E o Teorema de Laplace, então (que não é geometria mas é chato pra caramba): &lt;i&gt;o determinante de uma matriz quadrada de ordem &lt;/i&gt;&lt;b&gt;n&lt;/b&gt;&lt;i&gt; é dado pela soma dos produtos dos elementos de uma fila qualquer, linha ou coluna, pelos seus respectivos co-fatores&lt;/i&gt;. — Meu Deus! O que eu fui fazer? — pensava.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Enquanto a garrafa térmica se esvaziava, o movimento na rua aumentava. O sol já havia saído da altura dos olhos do professor. Cada recém daqueles — do sol surgido de trás do morro, dos olhos saídos do sono, das seis e meia da manhã — era passado, foi presente e foi futuro. A única coisa que ainda continuava presente era a quinta-feira de verão.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Geraldo já começava a se entristecer, a pensar no futuro incerto, no ponto B que fecharia o segmento de reta que era, quando ouviu aquela suave voz rouca produzida por pregas vocais que recém faziam seus primeiros movimentos do dia:&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Bom dia, meu amorzinho!&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Era sua nova mulher. Uma mulata sensual que conhecera meses antes, num cruzeiro marítimo que fez quando saiu sua aposentadoria. Apaixonou-se perdidamente. Não era uma reta ou um segmento de reta, mas um conjunto de várias curvas, arcos, círculos, circunferências, elipses, esferas, cones e cilindros.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Geraldo deixou seus maus pensamentos na sacada, levantou-se, abraçou a mulher e beijou-a demorada e libidinosamente. Excitado, levou-a de volta para a cama para demonstrar a ela com quantos catetos se faz uma hipotenusa. Agora só queria saber do ponto &lt;b&gt;G&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt; &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TT3DmseddBI/AAAAAAAAAX8/yJyh4SyX6uw/s1600-h/mulata%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="mulata" border="0" alt="mulata" src="http://lh3.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TT3DnYx0aAI/AAAAAAAAAYA/XY8griA9V1g/mulata_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" width="504" height="379"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-8788627851728335429?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/8788627851728335429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=8788627851728335429&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/8788627851728335429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/8788627851728335429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/01/geometria-da-vida.html' title='A geometria da vida'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TT3DnYx0aAI/AAAAAAAAAYA/XY8griA9V1g/s72-c/mulata_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-3332520112411788526</id><published>2011-01-18T16:33:00.002-02:00</published><updated>2011-01-18T17:02:41.206-02:00</updated><title type='text'>Mais um texto antigo encontrado numa gaveta</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; TRÊS leitores deste modesto blog — um número incrível — postaram comentários ao texto “Atropelamentos”. Eu dizia que esse post finalizava a famosa série “textos antigos encontrados numa gaveta”. Um dos leitores questionou: “— Como assim, ‘finalizando a série’”? Além disso acrescentou um comentário: “A gaveta está na tua cabeça, tu és a gaveta.” Outra leitora disse que “Estas crônicas do quotidiano estão cada vez melhores, boas do começo ao fim”. Por fim, a terceira lascou: “Adorei, adorei,adorei. Continues escrevendo tá?”.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Tenho que concordar: em time que tá ganhando não se mexe. Então lá vai mais um. Antes, porém, uma explicação de como surgiu o texto.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Logo que casei pela segunda vez, em 1978, por três anos morei em São Leopoldo, mas continuei trabalhando em Porto Alegre. Fazia o trajeto diariamente de ônibus. Todos os dias estava na mesma parada, na mesma hora da manhã, esperando o mesmo ônibus, com o mesmo motorista e os mesmos passageiros. Era uma rotina infernal. Naquele tempo se podia fumar nos ônibus que faziam as viagens entre os municípios da Região Metropolitana. Numa dessas viagens ocorreu-me escrever sobre uma de tantas coisas que poderiam acontecer nessas viagens, com qualquer um dos passageiros. Quando mostrei o texto para minha mulher, logo depois de escrevê-lo, ela chegou a ficar com ciúme, acreditando ser um fato que pudesse ter acontecido comigo.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O título tem dois sentidos: um pela escrita, outro pelo som. O primeiro, vai no próprio título; o segundo, ao final.&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt; &lt;h4&gt;A deusa do ônibus&lt;/h4&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TTXc8FoMoLI/AAAAAAAAAX0/wfAlyNZfK9E/s1600-h/a%20deusa%20do%20onibus%5B6%5D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right-width: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin-left: auto; border-left-width: 0px; margin-right: auto" title="a deusa do onibus" border="0" alt="a deusa do onibus" src="http://lh5.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TTXc9Sy6sqI/AAAAAAAAAX4/88lbFvsBf6Y/a%20deusa%20do%20onibus_thumb%5B4%5D.jpg?imgmax=800" width="500" height="500"&gt;&lt;/a&gt; &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Lá vem ele. Vou chegar bem na beira da calçada pra ser o primeiro a entrar. Bah! Hoje é segunda-feira, acho que vem mais cheio. Taí. Com licença. Até que nem tá tão cheio. Tá lá meu lugarzinho de sempre. Agora, boto a bolsa no outro banco e ninguém senta. São mais duas paradas. Na terceira ela entra e senta do meu lado. Hoje eu falo com ela. Não dá mais pra ficar nesta placidez.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Já a estou vendo na parada. Tomara que seja a primeira a subir. Parou. Opa! Não enxergo quase nada. Subiu! Putz... Aquele alemão subiu na frente. Ela vem atrás. Linda, linda... Roupa nova, bolsa nova. Hum! Grandes festas no fim-de-semana. O cabelo ainda guarda vestígos do que foi um penteado diferente. Bacana, hein! Acho que li essa expressão em algum lugar: “guarda-alguns-vestígios-do-que-foi...” Tenho que ler mais. Quando falar com ela tenho que dizer que já li isso, já li aquilo, gosto de Fulano... Ela sempre traz um livro pra ler na viagem. Ai, aquele corpinho sob meus braços. Ih! O alemão vem olhando pro meu lado. Não, não, sai, sai! ...azar. Fica pra amanhã. Ô, alemão desgraçado.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ela deve conhecer todo mundo. Cumprimenta todo mundo. Lá tá ela, do outro lado, bem pertinho, conversando com aquele cara. Bem que eu podia ser ele... Que sorriso... Aqueles dentes mordendo a pontinha da minha orelha e eu dizendo: “Clarice, Clarice, meu amor... Ela tem cara de Clarice. Poderia ser Cláudia também. Sei lá, não quero me iludir quanto ao nome, pode ser que até seja um nome feio. Isso não interessa. O que vale é que ela é linda. Gostosa!&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Hoje ela nem tá lendo, só fica de papo com aquele cara. Acho que é só amigo dela. Nunca vi! Todo mundo se conhece nesta cidade. Só eu que não conheço ninguém. Não conheço esta coisa linda. Mas amanhã eu vou conhecer. Quando ela sentar do meu lado, se estiver lendo, pergunto sobre o livro, digo que queria comprar mas achei que blá-blá-blá, etc. Se quiser fumar, acendo o cigarro dela, peço licença pra fumar ao mesmo tempo, olho bem dentro daqueles olhos mansos, fico desejando aquela boca úmida... Ou então começo a falar da chatice de ter-se que viajar todos os dias — ida e volta — do engarrafamento, dos acidentes, do cobrador, da velocidade. Bem...&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pô! Acabei dormindo e não pude prestar atenção na conversa dela com o cara. Estamos chegando — que saco! — agora ela desce e vai pra outro lado depois de acender um cigarro... E se eu for atrás e falar com ela na rua? Não. Isso é meio baixo nível. Ela não ia topar. Tem que ser aqui mesmo, amanhã.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Poderia ter sido ontem. Pena que perdi o ônibus das sete. Ela deve ter ido nele. Subiu com aquele sorriso branco, cumprimentando todo mundo. Se eu estivesse naquele ônibus, bem que ela poderia ter sentado do meu lado. Mas eu sou um babaca mesmo, devia ter aproveitado na primeira vez que a vi. Tava ali, sentadinha do meu lado e eu só olhei pra ela duas vezes: quando entrou e quando saiu. Devia ter fixado meu olhar nos olhos dela quando pediu licença pra sentar. Ah, se fosse agora... Eu deveria ter sabido antes que o amor só existe à primeira vista. Lá vem o ônibus. Deixa eu chegar pra frente pra subir primeiro.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Hoje eu vou trocar de lado. Vou sentar do lado direito pra ver se dá sorte. Droga! Ta meio vazio. Tem muito lugar sobrando. A chance é de que ela sente noutro banco. Tenho que confiar na sorte.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ué... Não tá na parada. Peraí, deve estar, eu é que não vejo. Não, o ônibus nem vai parar, não tem ninguém, não, não... Saco! Mais um dia perdido, dois seguidos. Quantos ainda vou ter que esperar, dois ou até mais. E se ela não vier nunca mais? E se mudou de emprego? E se mudou de horário? Ou mudou de endereço? Não. Deve estar doente. Com esse tempo ninguém agüenta. E ela é tão delicada, tão indefesa. Amanhã é outro dia e, se Deus quiser, ela vai estar na parada, vai pegar o ônibus e sentar do meu lado. Então não precisarei mais curtir esta paixãozinha platônica, que nem quando a gente tava no primário e dizia: “tô namorando a Fulana, mas ela não sabe.”&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não poderia ser melhor, hein! Todos os dias juntos: a gente saía de manhã cedo, viajava junto e passava o dia trabalhando. Depois, à tardinha, voltava junto, ia pra casa dela, jantava, curtia um sofazinho com televisão e velhos na varanda e, finalmente, quando eles fossem dormir, beijos e abraços, carícias e promessas, gemidos e esperanças... Não quero nem pensar.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Por que será que a gente nunca se encontra na volta? Será que ela sai mais cedo do trabalho? Ou mais tarde? Não. Deve estar na faculdade. Tem cara de quem estuda comunicação, relações públicas. É, relações públicas. Fica bem: Clarice, Relações Públicas, morena, olhos pretos, cabelos lisos — não muito compridos — mais ou menos um metro e setenta, sessenta quilos, tudo na medida e tudo pra mim. Só pra mim. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Outro dia que começa cheio de esperança. Hoje há algo mais do que esperança: é quase certeza. Tem que ser hoje. Não vou nem deixá-la respirar: quando sentar ao meu lado vou fazer que já conheço e perguntar o que houve, por que não veio ontem, fiquei surpreso, pois, sendo tão bonita, sua ausência se fez notar e patati-patatá, etc. e tal. Hoje é quinta-feira e tem que dar certo.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Lá tá ela, na parada. Vou espichar o pescoço pra ela notar que estou interessado. Oba! Hoje ela foi a primeira a subir. Sorrindo como sempre, distribuindo sorrisos. Quando ela me olhar vou arriscar um sorriso. Ai... Ai... Enxergou algum conhecido lá atrás... Vou ver quem é. Não conheço. Vem vindo. Olha! Olha pra mim, boneca. Olha pro titio aqui que tá louco por ti. Vem, vem, senta aqui... Não, não, não... Merda! Foi lá pra trás.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mal me olhou. Nem me deu oportunidade de sorrir. Não me dá chance. E eu cada vez mais tarado, mais louco. Tenho que ficar nessa passividade a vida toda? Tenho que esperar que a sorte a traga pro meu lado? Até quando? Não agüento mais. Amanhã, juro, se ela não sentar ao meu lado, espero que desça do ônibus e vou atrás. Chego e explico tudo.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E se eu falar tudo e ela disser que é noiva? Não, noiva não é, nem tem aliança. E se tiver namorado? Aí to ralado. Vou ter que mudar de horário, sair ou mais cedo ou mais tarde, sei lá... Se for assim, tô perdido. Já pensou, depois de eu gastar o meu papo ela dizer: “Sinto muito. Desculpe se provoquei tudo isso em você. Foi sem querer, não tive intenção alguma. Além do mais, acho que houve uma certa presunção de sua parte, pois eu só lhe conheço de vista.” Já pensou com que cara eu fico? Depois vai contar pra todos os conhecidos do ônibus o que aconteceu. Vai até rir da minha cara. Não, nunca mais vou poder pegar o ônibus neste horário.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mas isto tudo é bobagem. Vou esperar que ela sente ao meu lado e, quando acontecer, vou falar com ela e as coisas vão-se encaminhar. De mais a mais não é a primeira vez que dou em cima de alguém sem conhecer. E quase nunca me dei mal. Devagar se vai ao longe. Depois que ela me conhecer, vai querer sentar ao meu lado todos os dias. Daí pra frente é em dois toques. Amanhã a gente vê como as coisas vão ficar. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Faz duas semanas que estou nesta batalha. Sexta-feira é dia de o ônibus vir mais cheio. Lá vem ele. Sempre no horário. Dentro dele eu e, daqui a pouco, ela.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; É, tá bem cheio. Mas meu lugarzinho ainda tá sobrando. Meu lugar não: nosso lugar! Se Deus quiser, não passa de hoje.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Já a estou vendo na parada. Tá de vestido! Nunca tinha visto suas pernas descobertas. E que vestido legal. Realça suas curvas. Como caminha lindo esta mulher, mexe com tudo, inclusive e especialmente comigo. Linda, linda, linda! Só falta eu ali do lado dela. Os braços em volta da sua cintura, pressionando seu corpo levemente contra o meu, fazendo-a sentir que tem um Homem com ela. Sinto o calor, o perfume do seu corpo. Roço meu rosto nos cabelos dela, caminho com os lábios pelo seu rosto e encontro sua boca úmida, de hálito morno, desejosa por meus beijos. Ai, Deus! Que loucura!&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Subiu! Subiu a rainha! Clarice, Cláudia, Relações Públicas, Advogada, noiva ou namorada, não interessa nada, subiu e vem vindo. Cada passo é uma tortura. Olha em volta, troca sorrisos, parece comercial de televisão, propaganda de cigarro, deusa dos meus dias, vem vindo, vem vindo, deixa eu me ajeitar, cada vez mais perto, vem, vem meu amor, tô pronto pra ti, te amo, te amo, olhou! Ela olhou pra mim, vai sentar do meu lado, olhou de novo, olhou pro outro lado, parou aqui, vai sentar, vai sentar...&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Po... Pois não...&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — O senhor tem fogo?&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; — Te... Tenho sim. Cla... Claro. Po... Pois não. Tava bem aqui... Achei! Co... Com licença. Ih! Droga de isqueiro! Tava bom até agora... Só um momentinho. Já vai funcionar. Nã... Não quer acender. Ma... Mas não faz mal, não. Eu... Eu te amo, eu te amo, eu te amo assim mesmo!&lt;br&gt;&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E, assim, dei &lt;strong&gt;adeus à deusa do ônibus...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-3332520112411788526?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/3332520112411788526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=3332520112411788526&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/3332520112411788526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/3332520112411788526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/01/mais-um-texto-antigo-encontrado-numa.html' title='Mais um texto antigo encontrado numa gaveta'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh5.ggpht.com/_M9LF5NrXkiQ/TTXc9Sy6sqI/AAAAAAAAAX4/88lbFvsBf6Y/s72-c/a%20deusa%20do%20onibus_thumb%5B4%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-2566571447585426127</id><published>2011-01-17T12:46:00.005-02:00</published><updated>2011-01-17T17:21:57.759-02:00</updated><title type='text'>Virgem!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 14px"&gt;&lt;br&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TTSWAkkRLUI/AAAAAAAAAXo/mbAJ9KLcGBs/s1600/virgem.jpg"&gt;&lt;img style="text-align: center; margin: 0px auto 10px; width: 500px; display: block; height: 368px; cursor: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563236376269368642" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TTSWAkkRLUI/AAAAAAAAAXo/mbAJ9KLcGBs/s400/virgem.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Estou arrasado. Passei seis décadas pensando que minhas características cognitivas, afetivas e volitivas determinavam meu espírito, minha índole e meu caráter e, agora, descobri que tenho outra personalidade, que não sou o que fui até hoje.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Isso tudo tem a ver com os signos do zodíaco, vejamos.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Há cerca de 10 mil anos, devido à necessidade de planejar o plantio, o homem pré-histórico começou a observar os astros. Percebeu, então, que alguns formavam padrões fixos, enquanto outros se moviam. Passou a chamar os primeiros de estrelas fixas; aos outros, os gregos chamaram de planeta. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Logo, os homens perceberam que o Sol percorria anualmente um círculo de 360º em relação ao fundo de estrelas fixas. A esse caminho deram o nome de eclíptica que, hoje, sabe-se que é a projeção da órbita da Terra em torno do Sol. Notaram, também, que o movimento da Lua e dos demais planetas, em relação às estrelas fixas, se dava nas proximidades da eclíptica, e que, em seu trajeto, passavam em frente a algumas constelações. O trajeto foi dividido em 12 partes e recebeu o nome de zodíaco. Os antigos acompanhavam o movimento do Sol sobre o zodíaco e tentavam identificar regularidades. Surgiram, então, os conceitos dos signos, cujos nomes correspondiam às constelações que os designaram.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Como bons observadores, perceberam um fenômeno conhecido como precessão. O que seria isso? A Terra não é perfeitamente esférica, sendo achatada nos pólos. Isso faz com que se forme, na região do equador, uma “barriga”, sobre a qual atua a gravidade do Sol e da Lua, provocando uma alteração no movimento do planeta sobre seu eixo. A ação dessa gravidade sobre a Terra faz o eixo terrestre descrever um movimento semelhante ao de um pião, que leva 25.800 anos para completar uma volta. Isso é a precessão. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pois a precessão vai afetar as datas dos equinócios. O movimento de pião do eixo da Terra vai fazer com que, a cada ano, o instante em que o Sol cruza o equador celeste aconteça cerca de 20 minutos mais cedo, em relação ao ano anterior. Acumulados ao longo de dois mil anos, esses minutos anuais correspondem a aproximadamente um mês. É por isso que hoje, quando acontece o início da primavera, o Sol está passando pela constelação de Peixes, e não mais pela de Carneiro, como acontecia antigamente. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Resumindo: descobriram que não dá mais para se basear naqueles signos do zodíaco de milhares de anos atrás para determinar como é ou como será a personalidade de um indivíduo de acordo com o dia e a hora de seu nascimento. Os astros não estão mais no mesmo lugar que estavam na antiguidade. Além disso, aqueles 20 minutos anuais determinaram o surgimento de mais um signo, que é o Ofiúco.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quanto a mim, nasci num 04 de setembro, às três da madrugada. Desde então, os horóscopos diziam que quem nascia entre 23 de agosto e 23 de setembro pertencia ao signo de Virgem. A principal característica dos nascidos sob esse signo é a vontade de fazer sempre melhor. Suas qualidades são o capricho, a humildade e o aperfeiçoamento constante. Também têm defeitos: são críticos, excessivamente meticulosos e têm mania de perfeição. Cresci assim, com essa característica, essas qualidades e esses defeitos. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Uma das explicações para que os virginianos sejam, em geral, perfeccionistas, é porque observam os detalhes. Percebem que, muitas vezes, as coisas não dão certo devido a um pormenor. Como o virginiano também tem medo da crítica, os detalhes devem ser minuciosamente trabalhados para que o resultado final seja perfeito.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No trabalho dão o melhor de si se sentem mais satisfeitos. Sendo perfeccionistas por natureza, estão constantemente buscando aperfeiçoamento. Extremamente ordeiros, detestam que sua organização seja desfeita ou alterada, porque lhe deu muito trabalho chegar a ela. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Enfim, são muitas as qualidades e defeitos de um virginiano. Não vou citar tudo neste texto, que não pretende ser um mapa astral. Têm coisas na personalidade desses indivíduos, no entanto, que não se encaixam na minha. Por exemplo: dizem que o virginiano é hipocondríaco e tem medo de doenças, que teme se apaixonar porque as coisas fogem do seu controle, que tem mania de limpeza... Não sou assim.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Agora é que vem o choque. De acordo com a ciência, que descobriu que as coisas não estão no mesmo lugar desde que “inventaram” os signos, as datas a que eles se referem mudaram totalmente. O signo de Virgem, que abrigava os nascidos entre 23 de agosto e 23 de setembro, passou a ser contado, agora, de 16 de setembro a 30 de outubro. Como nasci num 04 de setembro, não sou mais Virgem, agora em todos os sentidos. Sabem o que sou? Leão! Sim, porque leoninos são os que nascem entre 10 de agosto a 15 de setembro.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Vou ter que mudar minha personalidade para me encaixar com a de um leonino. Pesquisei aqui e ali e descobri que a principal característica desse signo é a alegria. Entre suas qualidades estão a dignidade, a generosidade e a extroversão. Como defeitos, carrega o egocentrismo, o autoritarismo e a teimosia.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Posso dizer que sou alegre, digno e generoso, mas não sou extrovertido; sou um pouco egocêntrico e teimoso, mas não autoritário. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Leão é signo de liderança, de força criativa, entusiasmo e afetividade expansiva. Símbolo de segurança frente ao meio exterior. O leonino busca o reconhecimento e, por isso, pode se expressar de forma firme, dramática ou arrogante e autoritária. Tem brilho e criatividade. &lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Dizem que os homens de Leão são bonitos e agradáveis, possuem um charme arrebatador que atrai as mulheres. Aí é que a porca torce o rabo: não sou nada bonito... Será que vou ter que procurar ajuda de um cirurgião plástico pra me adaptar a meu novo signo?&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Fiquei arrasado com a descoberta. Vou fazer terapia, de preferência com algum astrólogo, mas sem revelar-lhe a verdadeira causa, porque, para essa categoria profissional, nada mudou.&lt;br&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Veja as novas datas dos signos e pense a respeito&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 200%; font-size: 13px"&gt; &lt;table border="1" cellspacing="0" cellpadding="2" align="center"&gt; &lt;tbody&gt; &lt;tr&gt; &lt;td width="96" align="middle"&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Signo&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt; &lt;td width="270" align="middle"&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Nova data&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td width="96"&gt; &lt;p&gt;Áries&lt;/p&gt;&lt;/td&gt; &lt;td width="270"&gt; &lt;p&gt;19 de abril a 13 de maio&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td width="96"&gt; &lt;p&gt;Touro&lt;/p&gt;&lt;/td&gt; &lt;td width="270"&gt; &lt;p&gt;14 de maio a 19 junho&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td width="96"&gt; &lt;p&gt;Gêmeos&lt;/p&gt;&lt;/td&gt; &lt;td width="270"&gt; &lt;p&gt;20 junho a 20 julho&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td width="96"&gt; &lt;p&gt;Câncer&lt;/p&gt;&lt;/td&gt; &lt;td width="270"&gt; &lt;p&gt;21 de julho a 9 de agosto&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td width="96"&gt; &lt;p&gt;Leão&lt;/p&gt;&lt;/td&gt; &lt;td width="270"&gt; &lt;p&gt;10 de agosto a 15 de setembro&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td width="96"&gt; &lt;p&gt;Virgem&lt;/p&gt;&lt;/td&gt; &lt;td width="270"&gt; &lt;p&gt;16 de setembro a 30 de outubro&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td width="96"&gt; &lt;p&gt;Libra&lt;/p&gt;&lt;/td&gt; &lt;td width="270"&gt; &lt;p&gt;31 de outubro a 22 novembro&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td width="96"&gt; &lt;p&gt;Escorpião&lt;/p&gt;&lt;/td&gt; &lt;td width="270"&gt; &lt;p&gt;23 de novembro a 29 de novembro&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td width="96"&gt; &lt;p&gt;Ofiúco&lt;/p&gt;&lt;/td&gt; &lt;td width="270"&gt; &lt;p&gt;30 de novembro a 17 de dezembro&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td width="96"&gt; &lt;p&gt;Sagitário&lt;/p&gt;&lt;/td&gt; &lt;td width="270"&gt; &lt;p&gt;18 de dezembro a 18 de janeiro&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td width="96"&gt; &lt;p&gt;Capricórnio&lt;/p&gt;&lt;/td&gt; &lt;td width="270"&gt; &lt;p&gt;19 de janeiro a 15 de fevereiro&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td width="96"&gt; &lt;p&gt;Aquário&lt;/p&gt;&lt;/td&gt; &lt;td width="270"&gt; &lt;p&gt;16 de fevereiro a 11 de março&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr&gt; &lt;td width="96"&gt; &lt;p&gt;Peixes&lt;/p&gt;&lt;/td&gt; &lt;td width="270"&gt; &lt;p&gt;12 de março a 18 de Abril&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify; line-height: 140%; font-size: 13px"&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;________________&lt;br&gt;Fonte: &lt;a href="http://http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT900784-1941-2,00.html" target="_blank"&gt;http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT900784-1941-2,00.html&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-2566571447585426127?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/2566571447585426127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=2566571447585426127&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/2566571447585426127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/2566571447585426127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/01/virgem.html' title='Virgem!'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TTSWAkkRLUI/AAAAAAAAAXo/mbAJ9KLcGBs/s72-c/virgem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-8114249627784390736</id><published>2011-01-16T20:05:00.003-02:00</published><updated>2011-01-16T20:11:52.928-02:00</updated><title type='text'>Atropelamentos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-size:13px; line-height:140%"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Finalizando a série “textos antigos encontrados numa gaveta”, um texto triste e curto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TTNswGa68mI/AAAAAAAAAXg/c4PhEbEP8DA/s1600/atropelamentos.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 500px; height: 529px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TTNswGa68mI/AAAAAAAAAXg/c4PhEbEP8DA/s400/atropelamentos.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5562909538345742946" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Para Bebeto, a repressão não era mais sentida. Era visível. Trancado no quarto, obrigado a estudar, viu pela janela chegarem os guardiões da liberdade e da segurança. Capacetes brancos e cacetetes. Começou a chorar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Entre a multidão que passava na rua, uns paravam para olhar; outros, simplesmente olhavam. As gotas da umidade de agosto escorregavam pelos muros e telhados, fazendo jogos malabares até, atônitas, estatelarem-se no chão.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;As árvores quase desfolhadas, plantadas nas lajes, não se importavam com o que muitos diziam a respeito delas: bem que poderiam haver postes no lugar dessas árvores frias. Eles carregariam fios. Elas, o que fazem?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Alheio ao movimento que se formava, um cão sarnoso tentava expulsar algumas das pulgas que furtavam os últimos glóbulos do seu sangue. E Bebeto só espiava. Do seu quarto não enxergava a rua principal. Continuava chorando.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Um policial – bigode, costeletas, cabelos com brilhantina, óculos escuros, casaco marrom, calça verde e camisa floreada — um verdadeiro uniforme de quem costuma andar à paisana seria correto dizer — chamou um padre que passava. O reverendo olhou para os automóveis engarrafados que buzinavam e foi até onde o policial lhe levara. O dono da mercearia, de guarda-pó branco, falava, à porta da loja, com uma cliente gorda. Quase todas o eram. Ninguém entrava. Ninguém comprava nada.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Na rua do lado parou um carro. Trazia um repórter e um fotógrafo. Bebeto os viu de seu obscuro posto. Ficou excitado e soluçou.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Já era tarde na tarde cinza. O movimento parecia ter normalizado. Os automóveis buzinavam menos. O carro da imprensa e o da polícia estavam saindo. Bebeto viu, em sentido contrário, passar uma ambulância de sirena aberta, com o sinal fechado. Já tinha parado de chorar, mas seus olhos ardiam.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ouviu o silêncio por uns instantes. Sua mãe não estava mais costurando. O ruído da máquina havia cessado. Caminhou devagar até a porta do quarto e abriu-a. Não estava mais chaveada por fora. Passou silenciosamente pelo corredor e alcançou a porta do apartamento. Sua mãe não estava por perto. Não o vira sair. Estava ansioso para saber o que acontecera.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Desceu correndo os dois andares que o separavam da rua. Sem parar de correr, atravessou em direção à pequena multidão ociosa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A mãe de Bebeto foi ao seu quarto. Não encontrando o filho, olhou pela janela e viu chegar o carro da polícia e o da imprensa, pouco antes de passar uma ambulância de sirena aberta, com o sinal fechado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-8114249627784390736?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/8114249627784390736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=8114249627784390736&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/8114249627784390736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/8114249627784390736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/01/atropelamentos.html' title='Atropelamentos'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TTNswGa68mI/AAAAAAAAAXg/c4PhEbEP8DA/s72-c/atropelamentos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-8953709645695190863</id><published>2011-01-08T16:03:00.003-02:00</published><updated>2011-01-08T16:05:48.262-02:00</updated><title type='text'>Insônia</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TSinHHTxLlI/AAAAAAAAAXY/sLFRiMaCv1E/s1600/insonia.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TSinHHTxLlI/AAAAAAAAAXY/sLFRiMaCv1E/s400/insonia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5559877480651763282" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-size:13px; line-height:140%"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Estou de volta com mais um episódio da série “textos antigos encontrados numa gaveta”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ele já havia assistido ao último filme velho que passara na televisão. Os capítulos finais do livro de ficção foram devorados em pouco tempo. As luzes da casa estavam todas apagadas. A mulher de seus anos passados dormia a seu lado, profundamente. Atirou a cabeça contra o travesseiro que supunha lhe fosse aprazível. Fechou os olhos. Dois a dois, os tique-taques foram sendo contados.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A quietude do sono não vinha buscá-lo. A viagem para a terra da fantasia, do sonho, custava a anunciar-se. O tique-taquear do carrilhão explodiu numa melodia imponente que veio despejar-lhe nos ouvidos alguns quinze minutos. Poderiam ser quaisquer quinze minutos. As horas já se tinham perdido e ele as queria procurar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Cansado de lutar contra os lençóis e de cabecear o travesseiro, sentou-se e tateou a mesa de cabeceira até encontrar o maço de cigarros e os fósforos. O clarão do fósforo aceso berrou para a escuridão enquanto durou a sua curta vida. Recostou-se. Agora, só uma ponta vermelha do cigarro apenumbrava o ambiente. A cada tragada, as curvas da gorda mulher apareciam, avermelhadas, e desapareciam. Ela ressonava.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tudo aquilo lhe estava sendo muito penoso: a mulher ressonante, o escuro, os espaços de silêncio. Acabou-se o cigarro e a fumaça da última tragada envolveu um espectro claro e disforme que lhe chamou a atenção. Não sabia o que era, como era, mas estava ali e parecia chamá-lo. Era um espectro faceiro, que dançava contorcendo-se ao embalo do ar tépido. Poderia até estar rindo. E rindo dele, o insone.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tirou o lençol de cima do corpo molenga, estirou as pernas para baixo e ficou sentado na cama. Meteu os cotovelos nos joelhos e a cabeça confusa entre as mãos. Impelido por um desejo desconhecido, calçou os chinelos e precipitou-se na escuridão. Perseguiu o fantasma que atravessara o vão escuro da porta, o corredor e a sala. Parou para ao som daquela melodia que novamente saía devagar e preguiçosamente do carrilhão. As notas saltavam da parede e iam cair aos seus pés, dizendo lhe que valiam por alguma hora certa. Mas ele não sabia qual delas, pois não as contara.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Parou de cara para a porta. Girou a chave duas voltas para a direita. A porta abriu-se e seus olhos, desacostumados à luz, contraíram-se. A lâmpada de mercúrio do poste plantado à frente da casa lançou-lhe, insistentemente, seus raios azulados. Esperou um pouco. Vencido o súbito clarão, saiu e olhou a rua, para cima e para baixo. Desceu-a desviando-se dos buracos da calçada. Não fechou a porta e nem reparou que usava seu velho e desbotado pijama de todas as noites. Já não pensava da mulher, no escuro e no espectro.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Na esquina com a avenida principal ficou em dúvida: pra que lado ir? Parecem iguais. O lado esquerdo ele conhecia bem, passava por ali todas as manhãs quando ia ao trabalho. O direito parecia ser melhor. Convicto de que era, seguiu para lá.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Algumas casas de comércio, muitos bares, umas boates e letreiros luminosos compunham a multidão daquela hora. Um canteiro de cimento com árvores que nunca cresciam dividia a avenida em dois riscos pretos que desapareciam numa curva.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ouviu, por trás, o ronco abafado de um automóvel que se aproximava e que passou por ele. Jovens algazarreiros lotavam o lento veículo. Segundos depois, suas vermelhas lanternas traseiras sumiam na curva, fundindo-se com a avenida que também desaparecia lá. Não fosse o rastejar de uma cortina de ferro, o silêncio seria completo. As luzes coloridas dos letreiros acendiam e apagavam, lançando raios matizados no chão, nas vitrinas, nos seus olhos. Caminhava com as mãos nos bolsos, os chinelos xaque-xaqueavam no chão.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Achava estranho aquelas vitrinas abertas, expondo mil bugigangas, os luminosos piscando e ninguém na rua. Ninguém passando ou saindo, ou entrando, nos bares, nas boates. Ele queria uma noite especial. Nesta hora, nas outras noites, estava sempre dormindo. Continuou a caminhar para não sabe onde, desgostoso com as vitrinas, os luminosos, bares e boates, com as noites e suas pessoas ausentes, desgostoso consigo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;As luzes coloridas que brincavam com o asfalto iam, aos poucos, apagando-se. Os luminosos animados tornavam-se raros, deixando lugar a outros mais simples. O asfalto ganhava sua cor natural a cada lâmpada que deixava de brilhar. Dos vidros saíam arco-íris de reflexos. Parou e olhou para trás. Não tinha noção do que já caminhara e do quanto ainda lhe faltava para chegar nem sabe aonde.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;De repente voltou a pensar na mulher, no filho que ela pôs fora e no seu quase mofo casamento. Como seria bom poder chegar ao fim desta avenida da vida, cheia de luminosos artificiais, de ninguém nas ruas e vitrinas morrinhentas. Quisera voltar e recomeçar tudo, ir para outro lado. Já estava envelhecido e alienado. Sempre fora um desligado. Fez tudo da maneira mais simples e que não lhe desse trabalho: nasceu de cesariana, jogava de goleiro com a gurizada, estudou em colégio pago, namorou a primeira que lhe acompanhou ao cinema sem levar junto a mãe, casou com aquela que lhe deu os lábios no primeiro encontro, estudou Direito e trabalha há muitos anos com o velho tio, no escritório de advocacia. Agora, pela primeira vez, tenta uma coisa nova: na avenida seguiu para a direita por não conhecê-la. Continuou seu caminho. Estava convicto de que algo mudava.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Encontrou um guarda-noturno dormindo sentado. Tinha um relógio pendurado no ombro e o chão estava cheio de pontas de cigarro. Queria pedir-lhe um cigarro, mas resolveu não incomodá-lo. Logo seria manhã e ele acordaria. Afinal, por que um guarda-noturno teria de ser diferente das outras pessoas que dormem à noite?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Parou para ler os cartazes que envolviam os postes. Eram cartazes de bailes, deputados, vereadores, loções e teatros. Um cartaz de uma peça teatral chamou sua atenção, dizia: NÃO ADIANTA FUGIR, A AMEAÇA ESTÁ DENTRO DE VOCÊ! Apesar de não lhe ter faltado vontade, ele não correu. Seguiu no seu passo arrastado, vadio. O asfalto dera lugar a paralelepípedos irregulares.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Entre as casas, agora, havia espaços maiores, terrenos vagos. As pedras do chão falhavam e, em poucos passos, ele pisava em terra vermelha. Logo, a trilha desapareceu. As casas não tinham mais um lugar certo. Umas estavam de frente, outras de lado e até havia algumas de costas. Caminhava entre jardins e quintais, sentia-se um intruso. Parou à frente de uma sepultura de criança. Rezou aos pés daquele monumento ao fracasso da vida.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Levantou-se e olhou para os lados. Não viu mais o clarão da avenida. Sentiu-se em meio a um grande deserto. Um vulto assanhado, faceiro, veio dançando ao seu encontro.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Lembrou-se do seu quarto escuro, da falta de sono. Não sabia o que era aquele vulto, mas o foi seguindo até os raios do sol entrarem pelas fendas da veneziana.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-8953709645695190863?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/8953709645695190863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=8953709645695190863&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/8953709645695190863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/8953709645695190863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2011/01/insonia.html' title='Insônia'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TSinHHTxLlI/AAAAAAAAAXY/sLFRiMaCv1E/s72-c/insonia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-650628739558833921</id><published>2010-12-29T17:12:00.002-02:00</published><updated>2010-12-29T17:30:28.000-02:00</updated><title type='text'>Ié-Ié-Ai!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-size:13px; line-height:140%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TRuMHAJiFNI/AAAAAAAAAXE/C5qCRS61D7o/s1600/ieieai.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 311px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TRuMHAJiFNI/AAAAAAAAAXE/C5qCRS61D7o/s400/ieieai.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5556188617218594002" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mais uma postagem da série “textos antigos encontrados numa gaveta”. Já que falei de novo nos Old Stones, abaixo, aproveito a oportunidade pra mostrar este texto, que fala daquela época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A Rua da Praia, desde a sua criação, sempre teve fases definidas de acordo com a moda e os modos de seus frequentadores. Comecei a frequentá-la a partir de 1967. Era a época da Beatlemania, também conhecida como do IÉ-IÉ-IÉ, e seus cabeludos, entre os quais eu me incluía. Que barra ser cabeludo quando poucos o eram. “Vai cortá'sê cabelo, veado” era a expressão mais ouvida. Daí para o palavrão e o soco não custava nada. Cabeludo, para os que se julgavam “normais”, era sinônimo ou de bicha ou de maconheiro (qualidades, aliás, também muito criticadas na época).&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Como todo cabeludo que se prezava, eu tocava em um conjunto. Era o baterista, naqueles anos, do “The Old Stones”. Curtição total. Festa-e-festa todos os fins-de-semana.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Qual o porto-alegrense com cerca de 60 anos não se lembra do Aimoré – ali na Ponte de Pedra – ou do Dinamite, ou da Sociedade Espanhola, ou das reuniões na LABRE, ou da Casa de Portugal, do Caminho do Meio, do Independente e de tantos outros clubes e salões? Lembram como era a maioria das reuniões dançantes, quando um conjunto tocava uma ou duas horas até a chegada de outro, depois outro, até a manhã do dia seguinte? E dos programas do Daltro Cavalheiro, nos sábados à tarde, na TV Piratini, canal 5? E das basdas “The Cleans”, “The Coyners” (que virou Impacto), “Liverpool” (com Foguete Luz, Mimi, Marcão, Pecos e Edinho), “The Dazles”, “Som 4” e de tantas outras bandas não menos importantes que pintaram nos anos sessenta e poucos?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Essas, no entanto, são outras histórias. As que quero contar dizem respeito a cenas que vivi na Rua da Praia e no centro de Porto Alegre, naquela época. Eu morava em Higienópolis, mas um dos caras que tocava comigo morava na Rua da Praia. À tarde, éramos assíduos frequentadores de alguns pontos-chave da Rua da Praia: em frente à Sloper ou em frente à galeria Malcon ou em frente às lojas Ultralar e outros. Era por ali que nos reuníamos com outros “canalhas”, vespertinamente.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não sei o que pensam ou o que conversam os que ali se reúnem hoje. Nós pensávamos e falávamos de músicas, das reuniões dançantes em que tocávamos, das gatas com quem transávamos e dos porres que tomávamos. Também paquerávamos habituais transeuntes e, não raro, “a gente dava em cima e ganhava umas-que-outras”. Era legal.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Outro ponto que eu e meu colega de banda costumávamos frequentar era o da esquina da Marechal Floriano com a Duque de Caxias, na frente do Colégio Sevigné, onde estudavam as duas irmãs dele e suas coleguinhas interessantes.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Às vezes, pra nos sentirmos (talvez) mais machos ou mais malandros ou mais modernos ou mais sei-lá-o-quê, bebíamos cachaça. Se não com Coca-Cola, pura mesmo. Num daqueles dias, eu e meu amigo (a partir de agora vou passar a chamá-lo de X para preservar sua reputação) fomos para a frente do Sevigné com uma garrafa de Três Fazendas comprada no Bar Leão. Era verão. Bebíamos direto da garrafa, em doloridos goles no início e suaves logo depois. A gente costumava ficar cantando músicas dos Beatles e do Renato e Seus Blue Caps.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;De repente, passa um padre daqueles de batina e chapéu preto, em direção à Catedral Metropolitana. Ah! Não tive dúvidas: lasquei um “fala, urubu” pra ninguém botar defeito. O padre parou, virou-se lentamente pra nós e perguntou-me se tinha falado com ele. X não sabia se ria ou se corria. As duas coisas ele já não podia fazer ao mesmo tempo. Quando parei de rir, percebi que não era um, mas sim dois padres, iguais, gêmeos, com a mesma expressão, com o mesmo cheiro de sacristia. Respondi que “sim, falei contigo, seu padreco filho-da-...”, e continuei rindo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Vi, então, o brigadiano que cuidava do trânsito em frente ao Sevigné caminhando em nossa direção. Pisquei os olhos e já não era mais um, mas dois brigadianos, iguais, gêmeos, com o mesmo passo, a mesma gana de cassetear de cabeludos, o mesmo cassetete. Aí, vi que os dois brigadianos falavam com os dois padres... Opa! Eram três de cada espécie agora!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Imaginei que seríamos presos, que cortariam nossos cabelos e que, depois, chamariam nossos pais. E a explicação?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Que nada. Como bom cristão, o padre parece ter entendido e, depois de conversar qualquer coisa com o Pedro e Paulo (assim eram conhecidos os PMs naquele tempo), foi-se embora. O brigadiano, por sua vez, aproximou-se e, para espanto nosso, apenas aconselhou-nos a sair dali porque já estávamos nos tornando inconvenientes. E, com todo o respeito — sim, senhor —, saímos, ainda que cambaleando, pra voltar noutro dia qualquer, com outra garrafa de Três Fazendas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E não é que voltamos mesmo! Dessa vez comemorávamos(?) a fossa de X, que tinha brigado com a gata que curtia, ou coisa parecida. Não houve, no local, maiores incidentes. Naquele dia tinham ido junto dois amigos comuns. Não lembro se já tínhamos terminado com a garrafa, ou melhor, com o que tinha dentro dela, quando X alegou uma dor-de-barriga. Precisava ir rápido pra casa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Bem que tentamos caminhar ligeiro. Foi difícil, no entanto, descer a Marechal Floriano até a Rua da Praia e seguir por ela até o edifício em que morava. Eram umas cinco da tarde. Às vezes, nós quatro tentávamos passar por dentro das pessoas, como se fossem fantasmas. Noutras ocasiões, queríamos passar no meio daqueles pares de gêmeos que caminhavam em sentido contrário.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Enfim, chegamos. No térreo daquele edifício tinha (não sei se ainda existe) um sanitário. X decidiu que não daria tempo pra subir até o nono andar. Foi taxativo (com “x” mesmo): “vou neste aqui!” O sanitário tinha uma porta que dava para o corredor do edifício. Abrindo-a, via-se uma pia e outra porta, atrás da qual estava o vaso. Não tranca, recomendamos. Mas não adiantou, o cara entrou e trancou-se.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Apesar de relógio de bêbado não ter ponteiros, o nosso tinha. Só o dele que não. O tempo foi passando. Impacientes, começamos a chamar o desaventurado. E nada de resposta. “Bodeou” pensamos. Um de nós, então, pulou sobre a parede interna do sanitário – que acima era aberta para ventilação – e de lá disse que X tinha apagado. “Aqui não tem nem papel e o cara cagou um monte” – completou.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E agora, o que fazer? O terceiro companheiro não teve dúvidas: comprou uma Folha da Tarde (extinto jornal vespertino de circulação diária). A porta foi aberta por dentro e, enquanto eu e o terceiro segurávamos X pelos braços, o quarto, sem muita cerimônia, passava-lhe as páginas policiais da Folha da Tarde naquele local sem dono. Pobre do X, a cada passada do papel jornal murmurava entre dentes: “ai”, sem nem abrir os olhos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pra disfarçar o meu constrangimento, eu ficava cantando mentalmente She loves you, dos Beatles. Sempre que chegava na estrofe She loves you, Ié, Ié... “Ai!” gemia X.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-650628739558833921?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/650628739558833921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=650628739558833921&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/650628739558833921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/650628739558833921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2010/12/ie-ie-ai.html' title='Ié-Ié-Ai!'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TRuMHAJiFNI/AAAAAAAAAXE/C5qCRS61D7o/s72-c/ieieai.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-6331223968552863280</id><published>2010-12-24T16:21:00.005-02:00</published><updated>2010-12-24T16:44:30.931-02:00</updated><title type='text'>The Old Stones rides again!</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-size:13px; line-height:140%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;em&gt;"Depois de algum tempo você aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias, e o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida."&lt;/em&gt; (William Shakespeare)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Em 24 de outubro de 2009 postei neste blog o texto &lt;strong&gt;The Old Stones&lt;/strong&gt;. &lt;a href="http://coisasdoaldo.blogspot.com/2009/10/old-stones.html" target="_blank"&gt;Confira aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Se não estiver interessado ou não tiver tempo agora, reproduzo o final daquele texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;The Old Stones cresceu e ficou conhecido em Porto Alegre e algumas cidades do interior. Durou alguns anos e, depois, cada um seguiu seu rumo, tocando em outros “conjuntos“.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Em 1996, para comemorar os 30 anos de que havíamos tocado pela primeira vez, o Buffalo promoveu um jantar dançante e os Old Stones se reuniram de novo.&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pois bem, na noite passada, os Old Stones reuniram-se novamente. Não pra tocar, mas pra celebrar a velha amizade de 44 anos. Na verdade, 244 anos estavam ao redor de uma mesa. Se somarmos a idade do proprietário do bar, que também foi parte daquele círculo, teremos, então, 302 anos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Calma. Somos do século passado, mas o atual só tem nove anos, portanto... Explico melhor. Quando nos conhecemos, eu e o Júlio tínhamos 16 anos, o Buffalo, 17, o Português, 15 e o Tonho, proprietário do bar, 14. Hoje estamos, respectivamente, com 61, 62, 60 e 58.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A história dos Old Stones você já leu (se ainda não leu, faça o favor). Nela, contudo, não falei do Tonho. O João Antônio era um guri que morava na minha rua, onde ensaiávamos. Como também curtia música, estava sempre junto e era um dos que carregavam instrumentos e amplificadores quando íamos tocar (hoje em dia é uma profissão e chama-se &lt;em&gt;roadie&lt;/em&gt;). Uma vez a banda ia viajar para o interior e o Português não poderia ir. De tão entrosado que era com o grupo, nem pestanejamos em convidar o Tonho pra substituir o Portuga na excursão. Mas ele era tão guri que a mãe dele não deixou. O Português acabou indo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Os Old Stones terminaram. Eu e o Buffalo seguimos tocando em outras bandas. Primeiro juntos, nos Hooligans, depois para lados diferentes: ele para os Invencíveis; eu para a Banda do Pentágono da Paz e, finalmente para o Caos. O Português ainda tocou numa banda chamada Nômades, na qual acabou substituído pelo Tonho. O Júlio, por sua vez, não tocou mais, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, casou-se, foi morar em Tubarão — onde mora até hoje — e tornou-se um profissional da área financeira, aposentando-se pela extinta RFFSA. O Buffalo trabalhou e se aposentou pela Caixa Federal. O Português é engenheiro, tem uma empresa de engenharia e ainda trabalha. Eu trabalhei alguns anos com publicidade, formei-me em jornalismo e, desde 1979, trabalho na UFRGS. Não me aposentei. O Tonho seguiu carreira no meio artístico, trabalhando em rádio, tocando em grupos famosos como a Banda dos Corações Solitários, que é banda do pub Sgt Peppers — do qual era sócio —, e no grupo musical humorístico Discocuecas. Ficou conhecido como garoto propaganda das lojas Tevah e suas jaquetas reversíveis e, atualmente, ainda aparece em comercial da Jimo. Tonho é proprietário do John's Pub, local em que os Old Stones se reuniram ontem.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Voltando ao encontro de ontem. Foi uma oportunidade de matar a saudade de um tempo que, se voltasse, com certeza nós cinco faríamos tudo exatamente como fizemos. Se não fosse assim, não teríamos sobre o que falar nem o que comemorar 40 anos depois.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A memória é uma coisa estranha. Algumas passagens eram lembradas por todos, em uníssono. Chamou-me a atenção, no entanto, o fato de cada um lembrar-se de acontecimentos que, apesar de vividos por todos, permaneciam apenas na memória de um ou de alguns, respectiva e vice-versamente (putz, essa foi braba!). Outras coisas se perderam no tempo e se embaralharam de tal modo que alguns lembravam de um pedaço, outros, de outro. No somatório, contudo, acabamos enriquecendo nosso repertório de lembranças.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quero ver repeti-las no próximo encontro.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Muito eu teria para contar sobre a trajetória desses guris cabeludos que, na década de 60, se juntaram com o objetivo de fazer sucesso com a música e “ganhar” todas as gurias que pudessem. É coisa pra livro, mas que, com certeza, só interessaria aos &lt;strong&gt;The Old Stones&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; font-size:11px; line-height:100%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/SuN643YGfaI/AAAAAAAAAIQ/JE1hufz9mlA/s1600-h/OldStones.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 302px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/SuN643YGfaI/AAAAAAAAAIQ/JE1hufz9mlA/s200/OldStones.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5396291895876287906" /&gt;&lt;/a&gt;Júlio, Buffalo, Portugês e eu, na década de 60&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TRTlU9zXcdI/AAAAAAAAAWw/T5sLDLppEl8/s1600/The%2BOld%2BStones%2B-%2B23%2Bdezembro%2B2010%2Bblog.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TRTlU9zXcdI/AAAAAAAAAWw/T5sLDLppEl8/s400/The%2BOld%2BStones%2B-%2B23%2Bdezembro%2B2010%2Bblog.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5554316388804817362" /&gt;&lt;/a&gt;Em sentido horário: Júlio, Buffalo, eu, Português. Agachado: Tonho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-6331223968552863280?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/6331223968552863280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=6331223968552863280&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/6331223968552863280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/6331223968552863280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2010/12/old-stones-rides-again.html' title='The Old Stones rides again!'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/SuN643YGfaI/AAAAAAAAAIQ/JE1hufz9mlA/s72-c/OldStones.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-5634082558111436121</id><published>2010-12-23T11:09:00.003-02:00</published><updated>2010-12-23T12:55:33.712-02:00</updated><title type='text'>A matança do porco</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-size:13px; line-height:140%"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Fim de ano, invariavelmente, a gente remexe em armários e gavetas, em busca de coisas antigas que se guardou pra nunca usar. E quanta coisa se guarda sabendo que não vai usar. Quanto papel!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Fiz isso e encontrei textos que escrevi em meados da década de 70. Estavam numa velha pasta de um congresso que nunca fui. Dei uma lida, uma revisada e, não contente em tê-los guardado por tantos anos em papel, vou deixá-los aqui, a partir de hoje, para guardá-los também neste meio virtual. Pelo menos não ocupam espaço na gaveta...&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Começo com este texto que fiz depois de ouvir música homônima de um grupo mineiro chamado “Som Imaginário”. A música é “A matança do porco”. Ouça-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align=center&gt;&lt;object classid="clsid:6BF52A52-394A-11D3-B153-00C04F79FAA6" id="WindowsMediaPlayer1" width="160" height="35" align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="URL" value="http://www.centrosaintgermain.com.br/aldo/A matança do porco.mp3" ref="" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="rate" value="1" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="balance" value="" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="currentPosition" value="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="defaultFrame" value="value" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="playCount" value="19" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="autoStart" value="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="currentMarker" value="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="invokeURLs" value="-1" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="baseURL" value="" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="volume" value="100" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="mute" value="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="uiMode" value="mini" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="stretchToFit" value="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="windowlessVideo" value="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="enabled" value="-1" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="enableContextMenu" value="-1" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="fullScreen" value="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="SAMIStyle" value="" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="SAMILang" value="" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="SAMIFilename" value="" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="captioningID" value="" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="enableErrorDialogs" value="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="_cx" value="4075" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;param name="_cy" value="4366" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Se você se interessa pelo assunto, clique &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Som_Imagin%C3%A1rio" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Caso contrário, passe de imediato à leitura do texto.&lt;/p&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TRNiWxxXq_I/AAAAAAAAAWo/lxr5q_XVWw4/s1600/a%2Bmatanca%2Bdo%2Bporco.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TRNiWxxXq_I/AAAAAAAAAWo/lxr5q_XVWw4/s400/a%2Bmatanca%2Bdo%2Bporco.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5553890908935007218" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A matança do porco&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Vi quando eles saíram da velha casa de madeira plantada na coxilha verde e de raízes entrelaçadas às da figueira que lhe faz sombra. Desceram os trêmulos degraus que gemiam ao peso do ar morno. O mais gordo, que poderia ser o patrão, ficou no vestíbulo. Olhava para o nada a procura de tudo. Procurava um modo de medir tudo sem fazer nada. Atirou o chapéu desbeiçado acima da testa e largou sua gordura num caibro carunchado que ainda sustentava a varanda de telhas desbotadas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Os outros, sem demonstrar alguma vontade, caminhavam para cá, trazendo o mormaço nos olhos, covas profundas que davam a impressão de estarem cheias de vermes. Suas roupas, rotas, poucas, não tinham cor. Eram amontoados de remendos que pareciam viver há mais tempo do que quem as vestia. Todos ainda usavam as botinas que ganharam no quartel, há muito tempo, quando, nas horas vagas, o velho patrão era coronel. Nada faltava aos seus naquela época. Agora, já estava morto e esquecido, mas as botinas ainda serviam àqueles pés fiéis.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Chegaram ao portão do curral e soltaram os seus sovacos nos tocos horizontais que o formavam. Dentro, uns cavalos magros apoiavam-se uns nos outros e duas vacas velhas arrancavam os últimos tufos de pasto que restavam.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Viraram-se automaticamente sem tirar o corpo do portão e fixaram silenciosamente a longínqua serra. Por um momento, pareceu-me que eles pensavam. E com certeza era nas mulheres da cidade. Há quanto tempo não visitavam aqueles quartos perfumados onde havia uma mistura de loções masculinas. Cada cheiro era de um homem diferente que ali entrava. E isso era de meia em meia hora, o dia todo, a vida toda. E cada homem tocava em outro e saía com o cheiro de todos. Todos iguais, como as mulheres que lhes cheiravam.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Dois urubus que passaram voando baixo fizeram com que despertassem e caminhassem um pouco. Vieram na minha direção e um súbito vento trouxe o cheiro que talvez tivesse atraído os pássaros carniceiros. O odor saía deles como os vapores saem do chão nos dias quentes. As galinhas que ciscavam por ali correram cacarejando, assustadas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Perto havia pequenas árvores, crianças ainda. Pegaram nos seus facões e começaram a cortá-las como se estivessem em mais uma batalha, numa guerra contra os indefesos galhos verdes. Seus ramos, débeis e perfeitos, saltavam para os lados sangrando. Se tivessem voz chorariam. Cada um cortou uma. Restaram outras de sorte duvidosa, futuro incerto. Rasparam os troncos até ficarem lisos. Agarravam e apertavam nas mãos aquelas novas armas. Para mim eram armas. Para eles talvez fossem lápis. Lápis que os ignorantes usam para escrever com o sangue dos outros a afirmação de seu machismo. Giravam-nas e davam golpes no ar quente. Nos poucos dentes que tinham, via-se um sorriso de ódio. As coroas de ouro brilhavam ao sol que fugia para oeste.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Meteram-se numa brincadeira de imbecis. Batiam os cacetetes uns nos outros e gritavam como demônios, correndo em roda. Às vezes um caía ao chão o os outros se punham a rir e a jogar-lhe terra com os pés. Assim ficaram por algum tempo até repararem na minha amedrontada presença.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Falaram qualquer coisa. Combinaram algo sinistro, como pude ver pelo brilho dos seus olhos. Não sei se por isso ou por que, afastei-me devagar. Olhei para trás e vi que me seguiam. Apressei o passo das minhas pequenas pernas. Eu estava gordo e não podia correr muito. Cercaram-me. Cada um de um lado e sempre chegando perto. Bradavam as armas e soltavam grunhidos que se perdiam pelos campos virgens. Não sabia pra qual lado ir. Virei para trás e o sol caído ardeu-me nos olhos. Tinha que haver um modo de fugir. Estava com medo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quantas vezes maldisse aquela terra crua, aquele ambiente sem chances para mim. Naquele lugar só se comia para sobreviver. Eu queria mais, um pouco mais. Um lugar seguro onde dormir. Uma comida melhor, não só restos. Uma fêmea. Talvez com uma companheira eu até ficasse por ali. Eu viveria em qualquer pocilga. Quando cheguei, nos tempos do coronel, havia muita esperança. Ainda era pequeno. Nunca mais soube de meus pais. O lugar era mais decente, a comida era melhor. Tinha um canto só para mim. Era bom.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Em relâmpagos voltava o meu passado. Não havia muita coisa para recordar. Foi tudo uma sucessão de esperanças. Algum dia haveria de ser melhor que o anterior.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E os porcos com seus porretes acercavam-se, acuavam-me. Comecei a berrar não sei por quê. Talvez para ganhar forças ou para atrair a atenção de alguém. Mas quem me ouviria naquele fim de mundo deste mundo sem fim? Eu berrava e corria em círculos. Parei um pouco e vi, em cima da cerca, os urubus que passaram antes. Tinham um olhar estranho aquelas bestas fétidas. E que pressentimento: sabiam que sobraria algo para eles ou foi o cheiro dos porcos de porrete que os atraiu?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Senti nas costas uma pontada quente. E outra. Rolei para o lado grunhindo. Um deles escorregou e caiu ao meu lado. Era uma chance. Pisoteei-o e escapei pelo buraco que se formou na barreira. Não fiquei só por muito tempo. Em seguida comecei a sentir novamente as pancadas. Os seus berros agulhavam-me os ouvidos. As pancadas ardiam-me na carne e nos ossos. Fiquei tonto, mas não parei de correr e berrar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Bem que eu poderia parar e esperar calmamente a presença da morte. Em pouco tempo, então, eu seria apresentado a ela e não haveria mais pauladas, agulhadas, dores e odores. Mas restava a esperança. Eu, que vivi até aquele momento com ela, não poderia abandoná-la. Continuaram as pauladas. Meus grunhidos diminuíram, os deles aumentaram. A força começou a me fazer falta e a dor era insuportável. Tombei.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ao longe ouvia as risadas desdentadas. Abri os olhos com esforço e o que vi fez-me fechá-los de novo. Um deles largara o porrete o desembainhava a sua faca suja. Recomecei a berrar quando senti várias mãos grandes tocarem o meu corpo moribundo. Foi o mesmo que nada. A esperança, a velha companheira, foi-se embora. Num último grunhido senti meu corpo cansado ser perfurado abaixo da pata dianteira esquerda por uma lâmina com gosto de terra e cheiro de carne seca. Agora eu poderia conhecer a morte. Sem mais dor, sem mau cheiro, sem restos e sem frustrações. Agora eu teria um lugar só para mim.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas qual não é minha decepção, meu corpo pendurado no gancho frio do açougue. Qual não é minha frustração estar ao lado de bois, vacas e galinhas que se renovam diariamente. E eu sempre aqui, esperando, sentindo o mau cheiro destas carnes velhas e gordas. Pelo pouco que devo ter rendido — talvez meia hora com uma das mulheres do bordel —, bem que poderia ter sido deixado aos urubus. Enfim, dói-me mais do que as pauladas saber que espírito de porco não tem lugar algum em outro mundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-5634082558111436121?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/5634082558111436121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=5634082558111436121&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/5634082558111436121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/5634082558111436121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2010/12/matanca-do-porco.html' title='A matança do porco'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TRNiWxxXq_I/AAAAAAAAAWo/lxr5q_XVWw4/s72-c/a%2Bmatanca%2Bdo%2Bporco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-7357331922432440653</id><published>2010-12-14T09:20:00.003-02:00</published><updated>2010-12-14T09:33:47.297-02:00</updated><title type='text'>Cartões de Natal</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-size:13px; line-height:140%"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Houve um tempo, do qual ainda lembro, que as pessoas costumavam trocar cartões de Natal. Meu pai, sujeito muito organizado, mantinha uma lista de parentes e famílias de amigos à qual recorria nessa época, todos os anos. Para cada um, além do texto que vinha impresso nos cartões, mandava uma mensagem personalizada de poucas palavras. Ele escrevia alguns; minha mãe, outros. Lembro-me até da letra de cada um: a do meu pai, elegante e legível, com jeito de quem se debruçava sobre os cadernos de caligrafia; a da minha mãe, também legível, mas bem simples, de alguém que se alfabetizou lá por 1917, em Caxias do Sul.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Havia um fato que me chamava a atenção: só mandavam cartões a quem, no ano anterior, os tinha retribuído. Aquela lista de parentes e amigos tinha uma marca ao lado do nome de quem não respondia com iguais votos de Feliz Natal e Próspero Ano Novo. A cada ano, essa relação de nomes ficava menor. Havia duas implicações nesse ato: uma moral, de “não lembrar” de quem não se lembrava de nós; outra financeira, pois era menos despesa com cartões e remessa pelos correios.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mais tarde, quando eu já tinha meus filhos, procurei manter esse costume. Não tinha uma lista de nomes, mas mandava cartões a parentes e a amigos mais íntimos. Mantinha, também, o hábito de só mandar a quem respondera aos votos do ano anterior. Essa troca de cartões, contudo, não durou muito. Eram tão poucas as respostas que acabei deixando esse costume de lado. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Com o advento da informática, mas antes da internet, passei a confeccionar e a imprimir os poucos cartões que enviava. Apelava pra criatividade e montava belas (e modestas) mensagens com fotos da família e textos personalíssimos, que não seriam lidos em nenhum cartão comprado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Foi então que a internet se popularizou. As pessoas e os carteiros passaram a ter menos trabalho. As pessoas porque não precisam mais ir a uma livraria comprar os cartões, escrever nome e endereço do destinatário, etc.; os carteiros porque não têm mais aquele volume grande de correspondências para entregar nos finais de ano. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Agora, os que ainda mantêm a tradição de trocar cartões de fim de ano recorrem à internet em busca de imagens bregas de papais noéis, renas, guirlandas, pacotes de presentes ou, então, de apresentações em &lt;em&gt;Power Point&lt;/em&gt; (os famigerados arquivos “pps”) com textos igualmente bregas e quilométricos, com imagens que levam horas pra trocar e com aquelas musiquinhas de Natal muito chatas de fundo, que levam um tempão pra carregar no computador da gente. Encontrado o objeto, o trabalho que têm é encaminhá-lo à lista de contatos eletrônicos, todos de uma vez. Pronto, cumprida a “obrigação”.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Confesso que faço quase o mesmo. Repito os passos das duas últimas frases do parágrafo anterior: mando a mensagem a minha lista de contatos e me sinto com o dever cumprido. Passo longe, no entanto, da primeira fase, de procurar desenhos e mensagens bregas. Faço as minhas próprias mensagens cafonas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Neste ano, antes de mandar minha mensagem, havia recebido apenas uma, de um velho amigo, que também se valeu de sua criatividade escreveu um belo texto e acrescentou o &lt;em&gt;link&lt;/em&gt; para um vídeo do &lt;em&gt;Youtube&lt;/em&gt;. Depois que mandei a minha, recebi alguns agradecimentos e retribuições, muitas em forma de arquivos “pps” sem criatividade alguma.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Só de raiva, fiz em &lt;em&gt;Power Point&lt;/em&gt; a mensagem deste ano. Não tive coragem, entretanto, de fazer como aquelas apresentações demoradas. É apenas uma página com um texto e uma foto que compartilho com vocês (claro que não em “pps”, mas adaptada ao formato desta página). Quero ver se alguém vai responder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Fantasia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Nos imaginamos como um casal bonito e famoso. Tipo assim: Richard Burton e Elizabeth Taylor; Tom Cruise e Katie Holmes; Michael Douglas e Catherine Zeta-Jones, enfim, qualquer um dos tantos. Escolhemos ser Brad Pitt e Angelina Jolie. Graças ao Photoshop, isso foi possível, mesmo que virtualmente, visível no monitor do computador, no porta retrato digital, num álbum de fotos reproduzido na TV ou até impresso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TQdVVpNMLpI/AAAAAAAAAWg/0owgee1-CzM/s1600/cartaoNatal.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 289px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TQdVVpNMLpI/AAAAAAAAAWg/0owgee1-CzM/s400/cartaoNatal.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5550498896084217490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Isso é uma coisa puramente ideal ou ficcional, sem ligação com a realidade. É o que chamamos de fantasia&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Que bom se fantasia e realidade trocassem de lugar. Isto, claro, é mais uma fantasia. Pra citar um exemplo mais atual, imagine traficantes entrando em delegacias e se entregando pacificamente; imagine a polícia invadindo casas humildes para entregar cestas básicas; imagine uma cesta básica com filé mignon, picanha, foie gras; imagine todas as ruas de Porto Alegre asfaltadas e sem congestionamentos; imagine ar puro, sacolas de papel, garrafas de vidro... Imagine o contrário de tudo que você acha ruim. Fantasie. Seja criativo. Não se deixe levar pela realidade, mas, com os pés no chão. Enfrente o futuro. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Esteja pronto pra 2011.&lt;br /&gt;&lt;p align=right&gt;Clara e Aldo&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-7357331922432440653?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/7357331922432440653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=7357331922432440653&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/7357331922432440653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/7357331922432440653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2010/12/cart%C3%B5es-de-natal.html' title='Cartões de Natal'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TQdVVpNMLpI/AAAAAAAAAWg/0owgee1-CzM/s72-c/cartaoNatal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-8415618144659965441</id><published>2010-11-30T17:15:00.002-02:00</published><updated>2010-11-30T17:17:14.063-02:00</updated><title type='text'>A "formidável" carga tributária</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-size:13px; line-height:140%"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Cá estou de novo pra falar da “formidável” carga tributária aplicada a todos nós, brasileiros. Antes, contudo, quero explicar por que escrevi formidável entre aspas. Antigamente, o termo significava “que inspira grande temor; que é perigoso; que tem aspecto terrificante”. Esta definição consta nos dicionários como obsoleta. Mas há outras acepções. De acordo com o brasileirismo — palavra ou locução própria de brasileiro —, formidável significa “muito bom, muito bonito; admirável, excelente, magnífico”. As acepções usuais, por sua vez, dizem que formidável é aquilo “que é acima do comum pela força, pela intensidade; descomunal, colossal”; ou “que desperta respeito, admiração ou entusiasmo”.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O meu formidável entre aspas, por óbvio, não se refere ao brasileirismo, nem a algo que seja muito bom, muito bonito, admirável, excelente ou que desperte respeito, admiração ou entusiasmo. Diz respeito à definição obsoleta e, também, ao primeiro dos significados atuais. Pra mim, a carga tributária brasileira inspira grande temor, é perigosa, tem aspecto terrificante, é acima do comum pela força, pela intensidade, é descomunal e colossal.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Visitei o site do &lt;a href=http://www.ibpt.com.br/home/ target=”_blank”&gt;Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário&lt;/a&gt; (IBPT), que é uma entidade de difusão do planejamento tributário como instrumento empresarial, visando a demonstrar as várias modalidades de redução legal da carga tributária empresarial. Fiquei sabendo que a arrecadação de impostos no Brasil chegará a R$ 1,2 trilhão até o fim do ano. Isso quer dizer que cada brasileiro estará desembolsando R$ 6,7 mil até 31 de dezembro de 2010. Se levarmos em conta, por exemplo, que 12 milhões de brasileiros estavam desempregados (dados de outubro) e que 44,5 milhões têm até 14 anos, o desembolso mensal do brasileiro produtivo subirá para R$ 8,9 mil. Isso, é claro, em números gerais. Se dividirmos a população produtiva em salários percebidos, teremos uma classe média pagando uma verdadeira fortuna de impostos por ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TPVNgsnHhAI/AAAAAAAAAWQ/tLEy2aZOgIU/s1600/impostometro.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 288px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TPVNgsnHhAI/AAAAAAAAAWQ/tLEy2aZOgIU/s400/impostometro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5545423740303016962" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O IBPT mantém no ar o &lt;a href=http://www.impostometro.com.br/ target=”_blank”&gt;Impostômetro&lt;/a&gt;, que registra em tempo real o que o brasileiro está pagando em impostos para união, estados e municípios. No exato momento em que escrevo este texto (16h00min de 30/11), o Impostômetro revela que &lt;strong&gt;R$ 1.130.109.977.541,86&lt;/strong&gt; estão sendo arrecadados no Brasil. Desde que olhei, pela manhã, exatamente às 10h08min38s, o montante arrecadado de tributos já aumentou &lt;strong&gt;R$ 900.092.204,72!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E não tem que chega! Estão pensando em recriar a CPMF com novo nome: Contribuição Social para a Saúde (CSS). Segundo o Instituto, se o imposto for reeditado nos moldes anteriores, com uma alíquota de 0,38% sobre qualquer movimentação financeira, poderá representar um acréscimo de R$ 65 bilhões na arrecadação federal.  “A grande massa da população brasileira está no sistema financeiro e terá que pagar o tributo. Mas os mais prejudicados serão os consumidores da classe média emergente, que estão entrando agora no mercado de consumo”, diz Silvânia Araújo, economista-chefe da Federação do Comércio do Estado de Minas Gerais (Fecomércio), em entrevista ao Correio Braziliense. Segundo ela, essa camada da sociedade já paga altas taxas de juros para ter acesso ao crédito e verá a renda disponível para o consumo ou para a poupança reduzida.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ainda de acordo com a matéria, nas empresas, quanto maior o número de elos da cadeia produtiva, maior será a arrecadação final com a contribuição. Segundo cálculos do IBPT, o tributo aumenta os custos dos produtos no país, na média, em 1,5%. O preço de um automóvel Gol 1.0 total flex, quatro portas, que custa R$ 29.640 na tabela Fipe, poderá subir para R$ R$ 31.122 com a recriação da CPMF. Do mesmo modo, uma calça jeans de R$ 160 passará a custar R$ 162,40. O impacto sobre o preço final é maior do que a alíquota porque o cálculo é feito de maneira embutida e incide, em cascata, em todas as etapas de produção.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;“Esse é um tributo medieval, porque não é aplicado sobre a geração de riquezas e sim sobre a circulação do dinheiro. Por isso, distorce a economia e reduz a eficácia do sistema tributário”, avalia o economista Cláudio Gontijo, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas não é só em arrecadação que o Brasil é “generoso”. Estudo do IBPT revela que são editadas 46 normas tributárias por dia útil no Brasil. Do total de 4.155.915 normas gerais editadas nos 22 anos da atual Constituição Federal, 541.100 (13,02%) estão em vigor, enquanto que das 249.124 normas tributárias editadas neste período, o número chega a 18.409 (7,4%).&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Desde a promulgação da Constituição foram editadas 154.173 normas no âmbito federal, uma média de 19,19 por dia ou 28,72 normas federais por dia útil, enquanto os estados editaram 1.095.279 normas, o que dá 5,05 norma/dia ou 7,56 norma/dia útil. Já os municípios são responsáveis pela edição de 2.906.463 normas, considerando que existem 5.567 municípios no Brasil, cada um deles editou, em média, 522,09 normas neste período.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Do total de normas editadas no Brasil nestes 22 anos, cerca de 6% se referem à matéria tributária. São 28.591 normas tributárias federais (11,5% das normas tributárias), 83.516 normas tributárias estaduais (33,5% das normas tributárias) e 137.017 normas tributárias municipais (55% das normas tributárias).  Em média foram editadas 31 normas tributárias/dia ou 1,3 norma tributária por hora e 46 normas tributárias/dia útil ou 5,8 normas por hora/útil. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Segundo o coordenador de estudos do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, a legislação brasileira é um emaranhado de temas. “É um conjunto desordenado de assuntos, tornando praticamente impossível que o cidadão conheça e entenda o seu conteúdo.”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Voltando aos impostos. Há pouco mais de um ano, tive um problema com a Receita Federal: não estava recebendo a restituição do Imposto de Renda Retido na Fonte. Depois de muita pesquisa, descobri que não poderia declarar o que pagava de plano de saúde para meus filhos porque eles já não eram mais meus dependentes para fins de imposto de renda. Um absurdo, uma vez que a gestora do plano estava pagando imposto pelo recebimento daquele valor.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Classifico como absurdo porque, pela lógica, com o que pago de imposto anualmente não deveria bancar um plano de saúde privado para a família, meus filhos poderiam ter estudado em boas escolas públicas. Se houvesse uma contrapartida justa, eu — e acredito que a grande maioria — pagaria impostos com prazer; não seria necessário haver um Impostômetro para “denunciar” a festa arrecadatória; haveria menos analfabetos, menos criminalidade e melhor tratamento aos doentes. Resumindo: teríamos retorno dos impostos pagos em investimentos, no mínimo, em saúde, educação e segurança pública.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Entre os 26 países com maior tributação direta sobre, por exemplo, salários, o Brasil está em segundo lugar (42,5%), ficando atrás apenas da Dinamarca, com carga tributária de 42,9%. Na Argentina, os tributos sobre salários somam 27,7% e nos Estados Unidos, 24,3%. Mas há uma diferença: os tributos incidentes sobre os salários na Dinamarca revertem em excelência nos serviço de saúde, educação e segurança. Já no Brasil, devido à precariedade do atendimento em hospitais públicos, grande parte dos trabalhadores precisa pagar planos de saúde privados; para ter boa educação, precisa pagar escola particular. Além disso, como o teto de aposentadoria do INSS é muito baixo, quem quiser uma renda melhor no futuro tem que pagar previdência privada.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não estou aqui criticando esse ou aquele partido nem um ou outro político, mas sim um sistema podre que, me parece, não tem solução.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-8415618144659965441?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/8415618144659965441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=8415618144659965441&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/8415618144659965441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/8415618144659965441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2010/11/formidavel-carga-tributaria.html' title='A &quot;formidável&quot; carga tributária'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TPVNgsnHhAI/AAAAAAAAAWQ/tLEy2aZOgIU/s72-c/impostometro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-5522833156188601153</id><published>2010-11-27T16:21:00.002-02:00</published><updated>2010-11-27T16:24:08.797-02:00</updated><title type='text'>Culpa, remorso e arrependimento</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-size:13px; line-height:140%"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Aconteceu no dia 17 passado. Douglas perdeu a bola no meio do campo. Ela sobrou para Messi, que correu em direção a gol sem ser parado por ninguém da seleção brasileira. Resultado: Argentina 1 x 0 Brasil, aos 46 do segundo tempo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Imediatamente, especialistas, comentaristas e entendidos em geral decretaram que a culpa da derrota era de Douglas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não se assuste. Este texto não é sobre futebol. É sobre culpa, aquilo que os dicionários definem como “conduta negligente ou imprudente, sem propósito de lesar, mas da qual proveio dano ou ofensa a outrem; falta voluntária a uma obrigação, ou a um princípio ético; atitude ou ausência de atitude de que resulta, por ignorância ou descuido, dano, problema ou desastre para outrem”, entre outras acepções em rubricas específicas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No caso da seleção brasileira em seu amistoso com a Argentina, é muito fácil criticar Douglas e culpá-lo pelo fracasso. Ocorre que qualquer um poderia ter perdido a bola e deixá-la sobrar para Messi carimbar a rede brasileira. Eu me arrisco a dizer que a culpa foi de quem deveria estar dando cobertura na eventualidade de a bola ser roubada no meio de campo; poderia dizer que a culpa foi do treinador, por não ter alertado sobre esse perigo ou, noutra hipótese, ter colocado em campo um jogador que não estivesse à altura da seleção. Dizem que a melhor defesa é o ataque. Pois então a culpa é do ataque, que não foi eficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TPFMeWFTp_I/AAAAAAAAAWI/Hb0eAM9ThVg/s1600/culpa.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 186px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TPFMeWFTp_I/AAAAAAAAAWI/Hb0eAM9ThVg/s400/culpa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5544296700477417458" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A culpa atribuída à Douglas pelos entendidos se dá no plano objetivo ou intersubjetivo, que é quando um grupo, ao avaliar atos que resultaram em prejuízo a outros, atribui a responsabilidade a um indivíduo. No sentido subjetivo, a culpa é um sentimento que assume a consciência de um sujeito quando este avalia negativamente seus atos e sente-se responsável por falhas, erros e imperfeições. Não foi este o caso em tela, uma vez que Douglas não se sentiu culpado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A culpa também é tratada pela psicologia, pela religião e pelo direito. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No direito penal, culpa refere-se a ato voluntário, proveniente de imperícia, imprudência ou negligência, de efeito lesivo ao direito de outrem; fato, acontecimento de que resulta um outro fato ruim, nefasto; consequência, efeito. É, portanto, um erro não proposital. Diferencia-se do dolo porque, neste, o agente tem a intenção de praticar o fato e produzir determinado resultado: existe a má-fé. Na culpa, o agente não possui a intenção de prejudicar o outro, ou produzir o resultado. Não há má-fé. Para o direito civil, culpa é falta contra o dever jurídico, cometida por ação ou omissão e proveniente de inadvertência ou descaso.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No sentido religioso, a culpa advém de um ato da pessoa que recebe avaliação negativa da divindade, por se constituir na transgressão de um tabu ou de uma norma religiosa. A sanção religiosa é um ato social, e pode corresponder a repreensão e pena objetivas. De outra parte, a culpa religiosa compreende também um estado psicológico, existencial e subjetivo, que propõe a busca de expiação de faltas ante o sagrado como parte da própria experiência religiosa. Neste sentido, o termo pecado está geralmente ligado à culpa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A psicologia, por sua vez, examina a culpa como sentimento de culpa ou remorso. O sentimento de culpa é o sofrimento pelo qual passa o indivíduo depois de reavaliar um comportamento tido como reprovável por si mesmo. Para esta ciência, a culpa é um sentimento como qualquer outro, que pode ser tratado terapeuticamente.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Na mesma trilha da culpa andam o remorso e o arrependimento (que não são a mesma coisa). &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Remorso é um sentimento praticado por alguém que acredita ter cometido um ato que infringe um código moral ao qual obedece. Dessa forma, torna-se (ou acredita ter se tornado), por isso, passível de alguma condenação e punição. Como não quer sofrer tal punição, pune-se, então, de alguma maneira mais suportável. Quem sente remorso, no entanto, não está verdadeiramente arrependido do mal que causou a terceiros. Está apenas motivado pelo medo da punição do meio social em que vive ou de uma entidade superior, punindo a si mesmo de alguma maneira. Uma forma de autopunição é, por exemplo, forçar-se a se entristecer, que é a manifestação mais comum do remorso. Alguém com remorso entende que ao se autopunir terá seu erro redimido, fugindo de uma punição que seria ainda mais severa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Arrependimento, por sua vez, quer dizer mudança de atitude, ou seja, atitude contrária àquela tomada anteriormente. O arrependido verdadeiramente percebe e se sensibiliza das consequências ruins que seus atos causaram para outras pessoas. Essa sensibilização à dor alheia leva o arrependido a uma tristeza verdadeira pelo dano sofrido pelos que prejudicou. E, como consequência, o arrependido toma a firme decisão de não mais cometer o mesmo erro, para não mais causar mal a outros. O arrependimento pode também ser considerado como a dor sentida por causa da dor causada.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ao falar em culpa, remorso e arrependimento, lembrei que num dos textos judaicos encontra-se a citação: “a própria consciência é o mais feroz acusador do culpado”. Ao falar em citação, lembrei de outras:&lt;p&gt;“A maior punição do homem é o remorso." (Miguel Couto)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;“Existe, sem dúvida, um remédio para cada culpa: reconhecê-la”. (Franz Grillparzer)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;“Da primeira vez que me enganares, a culpa será tua; já da segunda vez a culpa será minha”. (Provérbio Árabe)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;“O culpado que se arrepende não está perdido”. (Demócrito)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;“A vigília é a penitência maior; por isso foi escolhida a insônia para companheira do remorso”. (Coelho Neto)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;“Quando se culpa os outros, renuncia-se à capacidade de mudar”. (Douglas Adams)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;“O remorso é a única dor da alma que o tempo e a ponderação não conseguem nunca acalmar”. (Delphine)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;“Errar é humano. Botar a culpa nos outros, também”. (Millor Fernandes)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;“É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro”. (Raul Seixas)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;“Todos são culpados mas ninguém tem culpa”. (Bob Hoffman)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;“Todo o homem é culpado do bem que não fez”. (Voltaire)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;“O homem superior atribui a culpa a si próprio; o homem comum aos outros”.  (Confúcio)&lt;p/&gt;&lt;p&gt;“Quando ficam uns a atirar a culpa para os outros, a culpa, podem crer, é de todos”. (Mário Negreiros)&lt;p/&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Como se vê, muitos já trataram do tema. Mas essas citações e pensamentos foram proferidos, na maioria dos casos, por pessoas ilustres. O que eu gostaria de saber é como age a consciência de quem pratica um crime bárbaro, um homicídio por motivo fútil, como uma briga no trânsito, uma rusga familiar, etc. A culpa, salvo raras exceções, é provada. O improvável é se o criminoso arrependeu-se ou se sente remorso.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-5522833156188601153?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/5522833156188601153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=5522833156188601153&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/5522833156188601153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/5522833156188601153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2010/11/culpa-remorso-e-arrependimento.html' title='Culpa, remorso e arrependimento'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TPFMeWFTp_I/AAAAAAAAAWI/Hb0eAM9ThVg/s72-c/culpa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-5900398807387994293</id><published>2010-11-21T12:39:00.007-02:00</published><updated>2010-11-21T13:57:44.876-02:00</updated><title type='text'>Monstrengos tinhosos</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-size:13px; line-height:140%"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A notícia não é nova. Saiu em todos os jornais e noticiários de rádio e TV. Reproduzo a notícia publicada no Estadão, em 09 de novembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;CNJ afasta juiz que classificava Lei Maria da Penha como ‘monstrengo tinhoso’&lt;/p&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;em&gt;BRASÍLIA - O juiz Edilson Rumbelsperger Rodrigues, de Sete Lagoas (MG), acusado de machismo no julgamento de processos relacionados à Lei Maria da Penha, foi posto em disponibilidade pelo Conselho Nacional de Justiça por 9 votos a 6. Por pelo menos dois anos, ele ficará afastado do trabalho, recebendo vencimentos proporcionais ao tempo de serviço.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No caso que levou à abertura do processo, em 2007, o juiz dizia ver “um conjunto de regras diabólicas” e afirmava que “a desgraça humana começou por causa da mulher”. Além disso, o magistrado considerava a Lei Maria da Penha absurda e a classificava como um “monstrengo tinhoso”.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;“Ora, a desgraça humana começou no Éden: por causa da mulher, todos nós sabemos, mas também em virtude da ingenuidade, da tolice e da fragilidade emocional do homem (...) O mundo é masculino! A ideia que temos de Deus é masculina! Jesus foi homem!”, afirmava o juiz em sua decisão. “Para não se ver eventualmente envolvido nas armadilhas dessa lei absurda, o homem terá de se manter tolo, mole, no sentido de se ver na contingência de ter de ceder facilmente às pressões”, acrescentava.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No julgamento, os conselheiros colocaram em dúvida, além da imparcialidade e cumprimento funcional, a sanidade mental do magistrado. Alguns dos seis conselheiros, que votaram apenas pela censura ao magistrado, propuseram que o juiz fosse submetido a exames de sanidade mental. A decisão do Conselho levou em consideração, mais do que os termos da decisão do juiz, as declarações feitas à imprensa e a divulgação dos argumentos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Por conta da decisão do CNJ, depois dos dois anos que ficar afastado, o magistrado terá de provar estar “curado do machismo” ou do suposto desequilíbrio mental. “Esse magistrado não tem equilíbrio, seja pelo preconceito que demonstrou nas suas decisões, seja pelos debates que travou (sobre a Lei Maria da Penha) pela imprensa”, afirmou o conselheiro Felipe Locke. “Lamento muito que um magistrado pense dessa forma do gênero que lhe deu a vida. É lamentável que o magistrado pense dessa forma das mulheres”, acrescentou o conselheiro Marcelo Nobre.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O vice-presidente do CNJ, ministro Carlos Ayres Britto, afirmou que o juiz, nas suas decisões, incitou o preconceito contra a mulher, o que é vedado pela Constituição. “A decisão toca as raias do fundamentalismo. Foi uma decisão obscurantista”, criticou. “O juiz decidiu de costas para a Constituição”, acrescentou.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Vozes, ou melhor, textos repercutiram o fato na internet. Destaco um, a favor do juiz punido, que encontrei num site chamado “&lt;a href="http://www.textosterona.com.br/2010/11/19/juiz-e-suspenso-por-ser-machista/" target="_blank"&gt;textosterona&lt;/a&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Juiz é suspenso por ser machista&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;em&gt;Não estou sozinho. Descobri que tenho mais um companheiro nessa luta para reestabelecer a ordem mundial. O juiz Edilson Rodrigues, da Comarca de Sete Lagoas (MG), foi suspenso por 2 anos por proferir sentença machista. Em uma sentença dada, em 2007, em processo que tratava de violência contra a mulher, ele utilizou declarações machistas para criticar a Lei Maria da Penha. O juiz afirmou, por exemplo, que “o mundo é masculino e assim deve permanecer”. E também manifestou a mesma posição em seu blog na internet e em entrevistas à imprensa.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Veja, agora, o que propõe o “textosterona”.&lt;/p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;em&gt;O Blog Textosterona surgiu com o intuito de quebrar alguns mitos. Dentre os principais, o de que homem também sabe escrever, PORRA! E mulherzinhas machinhas também sabem. Como a maioria das boas ideias surgem em botecos, esta também não poderia ser diferente. Formado por um grupo de amigos altamente suscetíveis à cachaça, transmitiremos um pouco dos assuntos debatidos em meio a total embriaguez. Então, não espere grande coisa, mas espere se identificar bastante com os temas abordados. Se você não se identificar, certamente você não tem uma turma foda ou não bebe. E na boa? Não confiamos em quem não bebe.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Leia quem são e como se descrevem os espermatozoides autores do “textosterona”:&lt;/p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;em&gt;Renatto Neves - O mais completo paradoxo perfeito. Sou o protótipo da confusão. Uma mistura sutil de valores que intrigam a todos, inclusive a mim. Dono de opinião e cabeça dura. Ouvido e ombro de várias amigas, o que me rendeu grandes conhecimentos no âmbito feminino, pronto pra ser despejado em caracteres.&lt;br /&gt;Viktor Medeiros - Um jovem com boas intenções. Rá! Pegadinha do malandro. Mas, podem contar comigo farei de você um verdadeiro RESENHA.&lt;/em&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;.::o::.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Até aí morreu Neves. Coisa de guri com sérios problemas emocionais relacionados à homossexualidade. Apenas mais dois “monstrengos tinhosos”. O que considerei mais grave foi a opinião do desembargador Carlos Cini Marchionatti, do Tribunal de Justiça do RS, publicada na coluna &lt;em&gt;In verbis&lt;/em&gt;, do Correio do Povo de 21 de novembro (domingo), que reproduzo abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;As mulheres, deusas da beleza e o direito de defesa e de opinião&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;em&gt;Sério acontecimento não está sendo devidamente observado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Assisti à recente sessão do Conselho Nacional de Justiça que afastou magistrado mineiro por ter cometido excesso de linguagem preconceituoso à mulher em sentença judicial datada de 2007. Foi ele afastado da jurisdição.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Após a defesa, o presidente do Conselho Federal da OAB pediu a palavra e pronunciou-se pela punição exemplar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Este pronunciamento caracteriza exorbitância em relação às finalidades estatutárias da OAB e grave ofensa ao direito de ampla defesa como garantia fundamental da Constituição da República.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A defesa é a última a se pronunciar antes do julgamento, e adveio a condenação pela opinião considerada incitação ao preconceito, porque a prova demonstrou a correção pessoal do representado, sua imparcialidade e a admiração dos jurisdicionados.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Aí está a segunda gravidade, a ênfase do julgamento da opinião ou do excesso de linguagem. Deve-se dizer uma opinião infeliz, desgraçada, incabível numa sentença, uma reles opinião, ainda assim uma opinião.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O sagrado direito de defesa foi aviltado e o julgamento foi da opinião como preconceito. É isso que a Constituição da República preconiza?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Poetas dizem que a mulher é obra-prima da criação divina. As mulheres são deusas da beleza e do amor. São opiniões ou sentimentos aplaudidos por muitos, mas não por todos. É a minha opinião, da qual não abro mão, embora não fique falando dela nas minhas sentenças.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Um exagero? Ainda assim uma opinião, à semelhança da infeliz generalização feita na sentença em relação à mulher.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pode o CNJ penalizar quem expressou em sentença opinião sobre a mulher, mesmo que lastimável, fato ocorrido em 2007? Em que medida pode punir, por censura da linguagem ou afastamento da jurisdição? O quanto isso importa para o futuro das opiniões independentes que as sentenças representam? Atinge-se a independência das sentenças que garantem ao povo o seu direito? O juiz estará obrigado a julgar conforme a opinião dominante do CNJ, sob pena de afastamento da jurisdição?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O acontecimento é grave demais para solução neste pequeno artigo, compreensível na sua essência e finalidade: é um alerta e uma crítica em repúdio à decisão do CNJ ao aviltar o direito de defesa e afastar da jurisdição quem expressou mera opinião, ainda que preconceituosa e censurável, porque o direito de defesa garantido a todos e o de opinião, indispensável às sentenças judiciais, são conquistas da humanidade incorporadas na nossa Constituição da República.&lt;/em&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;.::o::.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Que bonito, ó, senhor deus onipresente e onipotente! Quer dizer que se trata de “mera opinião” asseverar em sentença judicial que “a desgraça humana começou por causa da mulher”, considerar a Lei Maria da Penha absurda e a classificar como um “monstrengo tinhoso” e outros disparates?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Agora vai a minha opinião: esse senhor deus onipresente e onipotente é mais um “monstrengo tinhoso”!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E não queira, senhor desembargador, punir-me por essa opinião. O senhor mesmo diz que, apesar de lastimável, exagerada e com excesso de linguagem preconceituosa, uma opinião não pode ser punida. E, veja bem, isto não é uma sentença judicial, mas apenas uma infeliz e desgraçada opinião postada em um obscuro blog.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O senhor veio de uma mulher, desembargador. Por acaso, tem esposa? Tem filha? O que pensa delas? Qual seria sua opinião se algum juiz fosse penalizado por opiniões contra a lei Afonso Arinos? O que o senhor pensa sobre o &lt;a href="http://www.naohomofobia.com.br/lei/PROJETO%20DE%20LEI%20plc122-06.pdf" target="_blank"&gt;Projeto de Lei PLC 122/2006&lt;/a&gt;, que aborda as mais variadas manifestações que podem constituir homofobia?&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Desculpe-me, senhor desembargador, mas mantenha suas opiniões na sua roda de amigos, não as publique num jornal dominical.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-5900398807387994293?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/5900398807387994293/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=5900398807387994293&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/5900398807387994293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/5900398807387994293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2010/11/monstrengos-tinhosos.html' title='Monstrengos tinhosos'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-7904443800062590165</id><published>2010-11-14T16:14:00.005-02:00</published><updated>2010-11-18T10:04:45.614-02:00</updated><title type='text'>Casamento</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-size:13px; line-height:140%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TOAn-IlKbFI/AAAAAAAAAWA/snv8QAFwq5I/s1600/casamento.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TOAn-IlKbFI/AAAAAAAAAWA/snv8QAFwq5I/s400/casamento.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5539471490074438738" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Casamento é uma coisa de ações, vontades e sentimentos opostos, que assusta a muitos, ao mesmo tempo em que outros o encalçam desesperadamente. Tem gente que foge dele assim como de um cachorro brabo, especialmente homens, ou por serem muito galinhas ou por não serem muito homens; por outro lado, tem gente que o procura em agências matrimoniais e até na internet.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Os dicionários brasileiros dizem que casamento é “ato solene de união entre duas pessoas de sexos diferentes, capazes e habilitadas, com legitimação religiosa e/ou civil” ou “união voluntária de um homem e uma mulher, nas condições sancionadas pelo direito, de modo que se estabeleça uma família legítima”. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Estão ultrapassados esses pais dos burros. Nas próximas edições terão de incluir na principal acepção que casamento é ato solene ou união voluntária entre &lt;strong&gt;duas ou mais pessoas&lt;/strong&gt;, etc. etc. Sem essa de “duas pessoas do mesmo sexo” ou “união de um homem e uma mulher”. Isso já era.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A sociedade cria diversas expressões para classificar os diversos tipos de relações matrimoniais existentes. As mais comuns são:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;strong&gt;casamento civil&lt;/strong&gt; - celebrado sob os princípios da legislação vigente em determinado Estado (nacional ou subnacional); &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;casamento religioso&lt;/strong&gt; - celebrado perante uma autoridade religiosa ;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;casamento aberto&lt;/strong&gt; (ou liberal) - em que é permitido aos cônjuges ter outros parceiros sexuais por consentimento mútuo &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;casamento branco&lt;/strong&gt; ou celibatário - sem relações sexuais; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;casamento arranjado&lt;/strong&gt; - celebrado antes do envolvimento afetivo dos contraentes e normalmente combinado por terceiros (pais, irmãos, chefe do clã etc.) ;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;casamento de conveniência&lt;/strong&gt; - que é realizado primariamente por motivos econômicos ou sociais; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;casamento misto&lt;/strong&gt; - entre pessoas de distinta origem (racial, religiosa, étnica etc.); &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;casamento morganático&lt;/strong&gt; - entre duas pessoas de estratos sociais diferentes no qual o cônjuge de posição considerada inferior não recebe os direitos normalmente atribuídos por lei (exemplo: entre um membro de uma casa real e uma mulher da baixa nobreza); &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;casamento nuncupativo&lt;/strong&gt; - realizado oralmente e sem as formalidades de praxe; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;casamento putativo&lt;/strong&gt; - contraído de boa-fé mas passível de anulação por motivos legais; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;casamento poligâmico&lt;/strong&gt; - realizado entre um homem e várias mulheres (o termo também é usado coloquialmente para qualquer situação de união entre múltiplas pessoas); &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;casamento poliândrico&lt;/strong&gt; - realizado entre uma mulher e vários homens, ocorre em certas partes do himalaia; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;casamento homossexual&lt;/strong&gt; ou casamento gay - realizado entre duas pessoas do mesmo sexo.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Em sentido figurado, casamento é “aliança, união, combinação, harmonia”, “combinação harmoniosa de duas ou mais coisas; união estreita e íntima”, ou seja, praticamente o oposto do que é o casamento em sentido restrito para muitos casais. Metaforicamente podemos dizer, por exemplo, que os pés de Pelé eram casados com a bola. Os de Maradona também, se bem que a bola teve um famoso &lt;em&gt;affair&lt;/em&gt; com a mão dele. Essa “pulada de cerca” da mão de Maradona tirou a Inglaterra da Copa de 86. Os pés dos Ronaldinhos também se casaram com a bola. Ultimamente andam um pouco às turras, mas, ainda assim, é um casamento. Os de Neymar, por sua vez, estão em lua de mel com a gorduchinha.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Deixando os argentinos e o sentido figurado de lado, confesso que não me incluo entre os que fogem (ou fugiram) do casamento como de cachorro doido, mas também não o procurei aflitamente. Eles simplesmente aconteceram na minha vida. Sim: “eles”! Estou no terceiro e, garanto, último.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O primeiro veio cedo. Eu tinha 23 anos, ela, 19. Não foi por necessidade, pois nem filhos tivemos em quatro anos e meio. Eu tinha um bom emprego, tínhamos onde morar sem pagar aluguel e uma vontade tremenda de ficarmos juntos. Foi bom enquanto durou. Pelo menos é o que eu acho. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Durante a vigência desse casamento, me senti incentivado a continuar a estudar e comecei a fazer jornalismo. Um ano antes do final do curso já estava separado e, pasme, namorando outra mulher, que conheci uma semana depois de sair de casa. Menos de um ano depois, fui morar com ela, que já estava grávida por ocasião da minha formatura. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Nossa filha nasceu em junho. Depois de um ano e três meses nasceu nosso filho. Esse casamento durou 27 anos, dos meus 28 aos 55, justamente o auge da minha vida até agora. Nem preciso salientar a importância dessa união que, assumo, terminou por culpa minha.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Foi então que, sem procurar muito, acabei encontrando na internet minha atual mulher. Faz cinco anos que estamos juntos. Antes de me conhecer, ela teve um relacionamento de 21 anos. Não éramos mais — nem somos — marinheiros de primeira viagem. Pelo contrário, já conhecíamos — e conhecemos bem — os mares por onde devemos navegar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Longe de mim classificar a minha idade como sendo de “terceira”. Em países em desenvolvimento, por exemplo, alguém é considerado de terceira idade a partir dos 60 anos. Para a geriatria, somente após alcançar 75 anos a pessoa é considerada de terceira idade. Vamos dizer, então, que estamos na maturidade, que, em sentido figurado, quer dizer “perfeição, excelência, primor, firmeza, precisão, exatidão”. Quando conheci minha mulher tinha 55 anos, mas com corpinho de 54 e meio. Já cheguei aos 61, mas o corpinho continua de “segunda idade”, não sou aposentado e toco bateria em duas bandas de rock. Vou me classificar, portanto, de acordo com a geriatria: só vou ficar velho depois dos 75. E olhe lá!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O que eu queria dizer é que começar uma relação amorosa nessa fase, a maturidade plena, é bem diferente do que quando se é jovem. As coisas já estão nos seus devidos lugares. A pessoa madura sabe que o amor se constrói dia após dia, tenta corrigir defeitos, contornar dificuldades, evitar atritos e sempre manifestar afeição e carinho. As experiências vividas nos ensinam a sermos serenos, livres, tolerantes, generosos, sábios e a termos discernimento. Nessa fase enxergamos a realidade natural, temos uma visão aberta e realista das coisas que realmente importam na vida. Na maturidade percebemos intuitivamente as coisas do espírito e da alma, que nem sempre os olhos enxergam.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Um relacionamento iniciado nessa etapa da vida não é como casamentos que duram cerca de 50 anos. Apesar de duradouros, percebe-se nesses uma espécie de ranço de convivência. Um bom exemplo disso é o casal Antero e Brígida, da novela Passione. Que não se ofendam os que já estão ou os que estejam chegando lá: toda regra tem exceção.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Enfim, não é porque esteja no terceiro casamento que vá condenar aqueles que fogem dele, tampouco os que, mesmo querendo, não o conseguem facilmente e o procuram em agências matrimoniais. O casamento acaba acontecendo na vida das pessoas naturalmente, seja qual for a definição que o termo tiver, seja qual for a classificação dada pela sociedade para a relação matrimonial.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Afinal, a Bíblia diz que Deus falou a Adão e Eva que era para eles crescerem e se multiplicarem e não para “casarem“ e se multiplicarem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left; font-size:13px; line-height:140%"&gt;_______________&lt;br /&gt;Fontes&lt;br /&gt;CIFUENTES, Rafael Llano. &lt;strong&gt;A Maturidade&lt;/strong&gt;. São Paulo: Quadrante, 2003.&lt;br /&gt;Assumpção, Wanda. &lt;strong&gt;Maturidade&lt;/strong&gt;. Disponível em http://www.wandadeassumpcao.com.br/artigos/maturidade.htm&lt;br /&gt;Wikipedia. &lt;strong&gt;Casamento&lt;/strong&gt;. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Casamento&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-7904443800062590165?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/7904443800062590165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=7904443800062590165&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/7904443800062590165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/7904443800062590165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2010/11/casamento.html' title='Casamento'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TOAn-IlKbFI/AAAAAAAAAWA/snv8QAFwq5I/s72-c/casamento.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-8443479702621390886</id><published>2010-11-10T11:53:00.003-02:00</published><updated>2010-11-10T12:01:13.325-02:00</updated><title type='text'>Fogo na guarita</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-size:13px; line-height:140%"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Já falei várias vezes neste blog sobre o bairro que moro. Em 85% delas falei mal. Assim foi em &lt;a href="http://coisasdoaldo.blogspot.com/2009/10/galos-de-despachos.html" target="_blank"&gt;Galos de Despacho&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://coisasdoaldo.blogspot.com/2009/11/o-leste-e-o-norte.html" target="_blank"&gt;O leste e o norte&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://coisasdoaldo.blogspot.com/2009/12/pichacao.html" target="_blank"&gt;Pichação&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://coisasdoaldo.blogspot.com/2010/01/o-pequeno-infrator.html" target="_blank"&gt;O pequeno infrator&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://coisasdoaldo.blogspot.com/2010/03/as-arvores-do-partenon.html" target="_blank"&gt;As árvores do Partenon&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://coisasdoaldo.blogspot.com/2010/04/to-brabo-com-o-padre.html" target="_blank"&gt;Tô brabo com o padre&lt;/a&gt;. Só falei uma vez de coisa boa, que foi em &lt;a href="http://coisasdoaldo.blogspot.com/2010/08/furnarius-rufus.html" target="_blank"&gt;&lt;em&gt;Furnarius Rufus&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Cá estou pra aumentar a estatística ruim, falando mal novamente. Neste canto distante 7,5 Km de carro (15 minutos) do marco zero de Porto Alegre, ocorreu, ontem, mais uma barbárie.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eram mais ou menos três e meia da tarde. Eu estava deitado, quase dormindo, quando um ruído diferente sobressaiu-se ao do vento que soprava por entre as frestas das persianas, sacudindo-as. Sonolento, fiz uma pergunta retórica a minha mulher:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Que barulho é este?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Sem atentar para o ineditismo do ruído, respondeu-me que seria alguém arrastando alguma coisa na rua. Discordei. Era um ruído forte, de algo que crepitava.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Acho que não – disse –, barulho de coisa sendo arrastada passa. Este barulho tá ficando! &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ela se levantou, foi a janela e me chamou:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;— Vem ver!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Vi e fotografei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TNqkGZGOUdI/AAAAAAAAAV4/tvRN37z8MTQ/s1600/fogo_guarita.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TNqkGZGOUdI/AAAAAAAAAV4/tvRN37z8MTQ/s400/fogo_guarita.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5537919121528607186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tacaram fogo na guarita do guardinha!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ficamos apenas observando. Duas gurias de uns 12 anos estavam por ali, meio assustadas. Transeuntes passavam e ficavam olhando. Logo chegou um brigadiano. Ficou olhando de longe, conversou qualquer coisa com a vizinha do apartamento abaixo do meu e fez uma ligação do celular. Imagino que tenha sido para os bombeiros.&lt;br /&gt;As meninas disseram pro “seu guarda” que “tinha uns cinco guri ali dentro”, referindo-se à guarita, e que “saíram tudo correndo e começou a pegá fogo”.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A guarita, de madeira, fazia um belo fogo. O barulho crepitante era das folhas da árvore sob a qual ela estava. Pobre árvore. Mais uma bela árvore do Partenon sofria pela má ação dos homens (no caso, guris, segundo as gurias).&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Os bombeiros chegaram em seguida, quando o fogo já estava baixo. Jogaram água sobre o que restou da guarita e na árvore, que ficou pela metade.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;À noite, chegou seu Eduardo, o guardinha. Desolado, me cobrou a mensalidade e comentou ironicamente que aquilo era obra de quem muito o amava. Disse que, apesar do infortúnio, permaneceria no posto, mesmo com a fina chuva que caía.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não sei se ficou. Levantei de madrugada, espiei pela janela e não o vi.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quando vim morar neste fim de mundo pertinho do começo da cidade, o guarda era seu João e a guarita era outra, meio descaída. Além de guarda noturno, seu João fazia uns trocos a mais molhando jardins à tarde. Era um tipo bonachão, gordo, desdentado e risonho. Trabalhava para uma “empresa” de segurança. Tinha um chefe que passava no fim do mês pra recolher a “féria”.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Certo dia, um caminhão de porte médio perdeu os freios na descida da rua, subiu na calçada, pegou de raspão na guarita descaída e parou na parede da casa em frente. A guarita ficou ainda mais desbeiçada. Teve que ser substituída por outra, que seu João pintou com todo carinho, como se fosse sua própria casa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A tal “empresa” de segurança acabou desistindo do negócio, tendo em vista que muitas pessoas da redondeza também desistiram de pagar pelos serviços que prestava. Espertos. Se dois ou três pagavam o guarda, certamente este cuidaria de todas as casas da vizinhança, né?!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Seu João, no entanto, continuou a zelar pelo patrimônio da vizinhança por conta própria. Envolveu-se emocional e, acredito, sexualmente com uma viúva que morava um pouco mais abaixo. Passava os dias com ela e, à noite, vinha para seu posto. Um belo dia, contudo, a viúva resolveu ir para o interior e levou junto seu João. No seu lugar ele deixou o Eduardo, um amigo que ficava de guarda nas suas folgas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não sei se foi a ausência do seu João ou se o Eduardo não tinha o mesmo carisma. Um dia, a guarita apareceu pichada, e assim permaneceu até ontem, quando foi queimada.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não sei o que vai ser, agora, da “segurança” do pedaço. Imagino que o Eduardo vá querer fazer uma vaquinha entre os que o pagavam até ontem, pra erigir nova guarita. Eu fora. Acho que não precisamos de segurança. Apesar da aparência assustadora das noites por aqui, o canto fica há duas quadras de uma das mais conhecidas e famosas bocas de fumo de Porto Alegre. Se depender do Paulão, chefe do tráfico da Vila Maria da Conceição e que, atualmente, cumpre pena, no seu território não tem espaço pra bandidagem.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-8443479702621390886?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/8443479702621390886/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=8443479702621390886&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/8443479702621390886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/8443479702621390886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2010/11/fogo-na-guarita.html' title='Fogo na guarita'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TNqkGZGOUdI/AAAAAAAAAV4/tvRN37z8MTQ/s72-c/fogo_guarita.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-3480504544533759291</id><published>2010-11-06T18:41:00.002-02:00</published><updated>2010-11-06T18:46:37.424-02:00</updated><title type='text'>Aurélio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-size:13px; line-height:140%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Aurélio não era bem um dicionário, mas quase. Sabia um monte de coisas: previsão do tempo, cotação do dólar, as capitais de todos os estados brasileiros e de inúmeros países, a escalação atual e de todos os plantéis que foram campeões pelo Grêmio, que existe a palavra presidenta e, entre um sem fim de coisas, com quantos paus se faz uma canoa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tinha duas coisas que Aurélio não sabia: relacionar-se bem com outras pessoas e usar computadores.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Aurélio foi abandonado pela mãe biológica ainda bebê. Acharam-no num terreno baldio, numa cidade do interior gaúcho em que a maioria dos habitantes era de origem germânica. Junto dele estava sua certidão de nascimento sem nome do pai. O nome da mãe, por sua vez, estava riscado, assim como o número do registro e em que livro fora feito. Só se sabia que se chamava Aurélio.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Um casal estéril, com idade acima do limite para ter filhos biológicos, recolheu-o no abrigo para menores, adotou-o, refez o registro e, em respeito, manteve o primeiro nome. Aurélio Becker passou a se chamar aquele bebê pardo de poucos meses.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Os pais adotivos de Aurélio, de classe média, lhe deram todo o conforto. O menino usava boas roupas e estudou na melhor escola privada da cidade, desde o ensino fundamental até o médio (naquela época era outra classificação). Não sei se devido à origem germânica, no entanto, o casal não lhe proporcionava muito afeto. Em razão disso, o rapaz era solitário. Arredio, não tinha amigos na escola e até sofria um pouco de bullying.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quando terminou o ensino médio, Aurélio manifestou o desejo de transferir-se para a capital, onde faria vestibular, sem saber ainda para o quê. Os pais abriram-lhe uma conta no banco e providenciaram um pequeno apartamento, modestamente mobiliado, no Bom Fim. Trazendo na mala poucas roupas, alguns livros, um rádio portátil e a máquina de escrever com que fazia seus trabalhos escolares, desembarcou na rodoviária de Porto Alegre em 1982. Tinha, então, 17 anos, prestes a completar 18.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Depois de instalar-se, deu uma volta pelo bairro. Na revistaria comprou um mapa da cidade e um jornal de concursos. Leu que em poucos meses haveria um concurso para agente administrativo na Inspetoria da Receita Federal de Porto Alegre. A exigência era segundo grau completo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Aurélio desistiu de fazer vestibular sabe se lá para o que e, desde os 18 anos, é funcionário público federal: agente administrativo. Seus pais adotivos, já falecidos, não se alegraram nem contestaram sua opção profissional. Nesses últimos 27 anos sua vida não tinha sido, até então, muito diferente do que era nos tempos do colégio, quando morava no interior. Não se casou, continuava sem amigos, era tratado com desconfiança e, por sua taciturnidade, motivo de chacota por parte dos colegas. De sua intimidade só se sabia o nome: Aurélio Becker.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Trabalhava sozinho numa pequena sala que nem vista para a rua tinha. Além dos tradicionais bons dias, boas tardes e até logos, só falava com os colegas para responder-lhes como seria o tempo no fim de semana, qual era o número do telefone da Delegacia da Receita Federal em Roraima, como se chamava o responsável pelos suprimentos, de Brasília, quanto valia o dólar no dia, etc. Vivia grudado no rádio de pilha e sua diversão era ir aos jogos do seu glorioso tricolor, o Grêmio.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quando a repartição se informatizou, Aurélio negou-se peremptoriamente a aceitar um computador. Disse que preferia continuar fazendo o que fosse necessário na grande Remington que tinha na mesinha auxiliar, e a qual tratava com tanto cuidado que, ainda hoje, parecia nova, como um objeto de decoração. Quando havia necessidade de distribuir eletronicamente algum memorando ou comunicado, datilografava o texto na Remington e ordenava que um dos estagiários “passasse a limpo” no computador.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas eis que um dia não deu mais pra fazer esse esquema. Uma ordem superior determinou, também peremptoriamente, que Aurélio não poderia mais usar a Remington na execução das tarefas e sim um computador. E foi instalada na sua sala uma máquina com processador Intel Core i7 930 2.8GHz, 4GB de memória, HD 1TB, DVD-RW, Placa de vídeo ATI Radeon HD5770 1GB DDR5... Coisas que Aurélio não tinha a menor ideia do que seriam, mas que constavam da nota que teve que assinar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pediu que um dos estagiários lhe ensinasse a usar tudo aquilo, e foi atendido. O estagiário, prevendo que algum desastre poderia acontecer, instalou no computador um moderno antivírus. Como o programa se atualizaria sozinho cada vez que o computador fosse ligado, achou que nem precisava avisar Aurélio. Mostrou a ele os passos básicos para manuseio da máquina e uso do processador de textos, prometendo avançar aos poucos nos ensinamentos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Nos dias que se sucederam, Aurélio já estava frente ao computador quando o estagiário chegava. Um tropeço aqui, outro ali, mas o compenetrado estudante ia aprendendo a lidar com a máquina. Depois de uma semana, Aurélio perguntou ao estagiário quem era o fabricante daquilo que chamavam de antivírus. O rapaz informou o nome, mas nem se importou em saber por que o chefe queria saber. No dia seguinte, perguntou como poderia entrar em contato com o tal fabricante. O estagiário disse que Aurélio deveria entrar no programa que no item Ajuda, na opção Sobre, encontraria um telefone, um email ou, ainda, o endereço de um site.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Certo dia em que Aurélio estava fora da sala, o estagiário entrou. O programa de email estava aberto e na tela estava escrito o seguinte:&lt;/p&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TNW-bxMkuvI/AAAAAAAAAVw/G4jErmBLy2o/s1600/aurelio.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 348px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TNW-bxMkuvI/AAAAAAAAAVw/G4jErmBLy2o/s400/aurelio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5536540701193714418" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="left" style="font-family: Courier New"&gt;Prezados Senhores&lt;/p&gt;&lt;p align="left" style="font-family: Courier New"&gt;Meu nome é Aurélio Becker, sou servidor da Receita Federal e, em primeiro lugar, venho, por este meio, cumprimentá-los pelo excelente programa antivírus fabricado por Vossas Senhorias.&lt;br /&gt;Em segundo lugar, devo deixar registrado um problema de saúde que estou manifestando, justamente devido a vosso programa. O problema a que me refiro é a insônia. Tenho passado as noites e madrugadas praticamente acordado, pensando. Em meus devaneios, viajo até a sede de vossa companhia, que nem sei onde fica, e vasculho todas as salas em busca de uma mulher. Eu não a conheço, apenas imagino como seja sua aparência. Por isso, procuro-a em algum ambiente que, na minha ideia, concebo como sendo uma sala não muito grande, acarpetada, com uma mesa sobre a qual há um microfone. Assim passo as noites, procurando-a, sem encontrá-la. Nunca passei por isso, insônia, com tanta intensidade, assim como também nunca experimentei apaixonar-me.&lt;br /&gt;Finalmente, para tentar acabar com minha angústia, gostaria que os senhores me informassem o nome e uma forma de contato com a mulher cuja voz macia e determinada me diz todas as manhãs, quando ligo o computador:&lt;/p&gt;&lt;p align="left" style="font-family: Courier New"&gt;&lt;em&gt;— As definições de vírus foram atualizadas.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-3480504544533759291?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/3480504544533759291/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=3480504544533759291&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/3480504544533759291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/3480504544533759291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2010/11/aurelio.html' title='Aurélio'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TNW-bxMkuvI/AAAAAAAAAVw/G4jErmBLy2o/s72-c/aurelio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-2210502193669909515</id><published>2010-11-02T19:17:00.003-02:00</published><updated>2010-11-02T19:20:30.171-02:00</updated><title type='text'>Sem comentários</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TNCAIDdxHMI/AAAAAAAAAVo/xHP3VLlCLtM/s1600/mulher+no+poder.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 603px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TNCAIDdxHMI/AAAAAAAAAVo/xHP3VLlCLtM/s400/mulher+no+poder.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5535064817895808194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-2210502193669909515?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/2210502193669909515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=2210502193669909515&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/2210502193669909515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/2210502193669909515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2010/11/sem-comentarios.html' title='Sem comentários'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TNCAIDdxHMI/AAAAAAAAAVo/xHP3VLlCLtM/s72-c/mulher+no+poder.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-4775162305482816730</id><published>2010-10-23T11:13:00.004-02:00</published><updated>2010-10-23T11:28:55.358-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Serra'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lula'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dilma'/><title type='text'>O caso da “bolinha de papel”</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-size:13px; line-height:140%"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quarta-feira, dia 20, noticiou-se que o candidato José Serra havia sido atingido numa confusão entre militantes petistas e tucanos, durante caminhada em Campo Grande, no Rio de Janeiro. A notícia dizia que Serra fora atingido por um objeto que, segundo o Jornal Nacional, seria uma bobina de fita adesiva. O candidato teria ficado estonteado e, por isso, procurado um hospital onde passou por um exame de tomografia cerebral.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Com certeza, a maioria dos telespectadores, inclusive os que não gostam do Serra, ficaram revoltados com a confusão beligerante e com a agressão ao candidato tucano.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Na quinta-feira, no seu telejornal matinal, no entanto, o SBT exibiu a sequência dos fatos e mostrou que Serra fora atingido por uma bolinha de papel na parte posterior da cabeça, e não por algo que o levasse a ficar estonteado e a fazer uma tomografia. A reportagem foi para a internet e a comoção daqueles telespectadores da noite anterior mudou de lado. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Nessa mesma manhã, em Rio Grande, o presidente Lula, que não consegue ficar quieto, abriu a bocarra pra condenar a atitude do candidato, classificando-o, inclusive, como mentiroso.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;À noite, contudo, a coisa mudou de novo. O Jornal Nacional exibiu imagens — de péssima qualidade — obtidas pelo celular de um repórter do “imparcial” e “isento” jornal Folha de São Paulo, que mostram Serra sendo atingido por um objeto circular e transparente. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A casa caiu! Perdeu! Perdeu!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Serra, que era vítima, passou a ser mentiroso e voltou a ser vítima. Lula, que se sentira enganado, passou a ser caluniador.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;É claro que o assunto não iria parar aí. A Globo contratou os serviços do perito Ricardo Molina, da Unicamp, para analisar os vídeos. Em entrevista, disse que o objeto — que parecia ser um rolo de fita adesiva — bateu na região superior da cabeça, frontal superior. Ocorre que o médico Jacob Kligerman — ex-secretário de Saúde da administração Cesar Maia (DEM) e nomeado por Serra a cargo de confiança quando foi ministro da Saúde —, que atendeu o paciente, disse que o objeto que teria estonteado o candidato teria lhe atingido na parte posterior da cabeça.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A casa caiu de novo! Perdeu! Perdeu!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Os dois, perito e médico, divergem quanto ao local onde a bolinha de papel e o outro objeto teriam atingido a cabeça de Serra. Resumindo: conforme as imagens, a bolinha de papel atinge Serra por trás; o tal rolo, no alto da cabeça (tanto que é ali que ele passa mão logo em seguida); o perito garante que o que causou o ferimento superficial atingiu a região superior da cabeça, frontal superior; o médico, por sua vez, diz que o objeto que causou o ferimento atingiu a região occipito-parietal (isso fica atrás...).&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas o tro-lo-ló ainda não terminou! Novos fatos surgiram. O vídeo feito com o celular do repórter Ítalo Nogueira, da Folha de São Paulo, foi impiedosamente manipulado e editado pela Globo. Não sou eu que estou dizendo. Isto está documentado num vídeo postado no Youtube, ao qual o leitor eleitor deve assistir, clicando &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=CwcIELvBCXA" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;, para tirar suas conclusões..&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E então, a casa caiu de vez?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;E agora, José (Serra)? Onde dói? No coco ou no occipito-parietal? Como fica o câmbio flutuante no teu programa de governo? Afinal, o que pode mais: o Brasil, uma bolinha de papel, uma bobina de fita adesiva ou a Rede Globo?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Como é que o famigerado perito Ricardo Molina não viu que o vídeo da Globo fora manipulado? Será que é porque foi contratado pela empresa para “peritar” as imagens?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Como é que fica a cabeça do eleitor de acordo com o desenrolar dos fatos ou das “montagens”, sendo ele serrista ou não? Serra foi vítima de militantes petistas? Serra é um farsante mentiroso e Lula um caluniador? A Globo é uma farsante mentirosa, Serra concorda com isso e Lula não é caluniador?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Você decide.&lt;/p&gt;&lt;p align=center&gt;&lt;strong&gt;.:: o ::.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Vamos, entretanto, dar uma pausa e relaxar um pouco.&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TMLhqZ6cDvI/AAAAAAAAAVg/k-xvxNvhpRY/s1600/tomografia.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 242px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TMLhqZ6cDvI/AAAAAAAAAVg/k-xvxNvhpRY/s200/tomografia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5531231410991140594" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A todas essas, a criatividade, a oportunidade e a agilidade dos caras que fazem animações e joguinhos pra computador andam a mil por hora, mais rápido do que o avanço tecnológico de hoje em dia. Diria até que, se derem mole, a gurizada é mais ágil do que a divulgação dos fatos na internet.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mal se começou a comentar nas esquinas, nos bares, bolichos e baladas, nas paradas de ônibus, nas filas do SUS e do INSS, nas igrejas fundamentalistas e nas progressistas, nos consultórios médicos, nas camas das alcovas e nos sofás das salas de estar sobre o episódio da bolinha de papel, ou melhor, do rolo de fita adesiva, já apareceu um joguinho em que jogador tem que acertar bolinhas de papel na cabeça do Serra. Seja você ou não um daqueles indignados com o que aconteceu ao candidato, que depois se indignou com o que teria feito o candidato, que voltou a se indignar com o que aconteceu ao candidato, e que tornou a se indignar com o que fez a Globo, atire umas bolinhas virtuais de papel na cabeça dele clicando &lt;a href=" http://www.emoticonscrap.com/bolinhadepapelserra.swf" target=”_blank”&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6328852850505135914-4775162305482816730?l=coisasdoaldo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/feeds/4775162305482816730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6328852850505135914&amp;postID=4775162305482816730&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/4775162305482816730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6328852850505135914/posts/default/4775162305482816730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://coisasdoaldo.blogspot.com/2010/10/o-caso-da-bolinha-de-papel.html' title='O caso da “bolinha de papel”'/><author><name>Aldo Jung</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05457372921162098295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TMLhqZ6cDvI/AAAAAAAAAVg/k-xvxNvhpRY/s72-c/tomografia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6328852850505135914.post-4759631693489155549</id><published>2010-10-18T17:49:00.002-02:00</published><updated>2010-10-18T17:53:33.562-02:00</updated><title type='text'>Uns e outros</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-size:13px; line-height:140%"&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Todos concordam que a campanha eleitoral deste ano está uma baixaria. Ao mesmo tempo em que “um” denuncia que a “outra” é a favor da descriminalização do aborto, aparece uma voz na multidão dizendo que a mulher do “um” praticou aborto; enquanto “um” fala das supostas trampolinagens do filho de Erenice, amiga e substituta da “outra”, esta fala da suposta sacanagem de Paulo Preto, correligionário e amigo do “um”, que desviou uma grana preta do partido. E por aí afora. “Uma” defendendo-se do que insinua o “outro” e vice-versa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Até a CNBB envolveu-se na baixaria. Uma tal de Comissão em Defesa da Vida distribuiu, ainda antes do primeiro turno, um “Apelo a todos os brasileiros e brasileiras”, assinado por alguns bispos da Regional Sul 1 da CNBB (São Paulo).  O texto relaciona o PT e a presidenciável Dilma Rousseff à defesa da legalização do aborto e recomenda “encarecidamente a todos os cidadãos brasileiros e brasileiras” que, “nas próximas eleições, deem seu voto somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminalização do aborto”. Agora, dois meses depois, o presidente dessa mesma Regional da CNBB condenou a nota. Segundo o texto, o grupo “desaprova a instrumentalização de suas declarações e notas e enfatiza que não patrocina a impressão e a difusão de folhetos a favor ou contra candidatos”. Não é o que pensa, entretanto, o vice-presidente da entidade, que diz que a nota (e o manifesto pensamento nela contido) é legítima. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Em todas essas, por ordem do Tribunal Superior Eleitoral, a Polícia Federal apreendeu um milhão de panfletos com o conteúdo produzido pela Comissão em Defesa da Vida, em uma gráfica no bairro Cambuci, em São Paulo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Vejam até que ponto a igreja está envolvida: terminou em tumulto uma missa na tarde de sábado, dia 16, na Basílica de São Francisco das Chagas, em Canindé, no Ceará, em que estava presente o candidato José Serra. No final de celebração, o padre condenou a distribuição dos panfletos sobre o aborto.  Afirmou que as mensagens estavam sendo atribuídas a igreja, mas que ela não havia autorizava este tipo de publicação em seu nome. O senador Tasso Jereissati, que acompanhou a missa ao lado de José Serra, se exaltou e afirmou que era um “padre petista” como aquele que estava “causando problemas à igreja”. Outros partidários do tucano também se exaltaram. O padre saiu escoltado por seguranças.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Na saída houve um princípio de tumulto entre militantes do PT e do PSDB.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Do que menos se ouve falar, porém, são de propostas, a não ser nos debates, em dois ou três minutos de resposta e mais um de tréplica, entremeado por uma réplica, entre uma acusação e outra, de parte a parte. E tudo muito bem alimentado pela imprensa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Baixaria em campanha eleitoral, contudo, não é novidade. Pra citar uma da era atual: no último debate da primeira eleição livre pós-ditadura, Collor “denunciou” que Lula tinha uma filha fora do casamento e um aparelho 3 em 1. O eleitor, ingênuo, deu crédito a Collor, provocando, no mínimo, 12 anos de atraso político, econômico e social ao Brasil e aos brasileiros. Atraso esse que se reflete na atual eleição. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Desta vez, quem acabou sendo a estrela do primeiro turno foi a terceira colocada, Marina Silva, que se manteve alheia a ataques denuncistas. No segundo turno, uns e outros passaram a disputar os votos dados a Marina no primeiro. Mas ela ficou em cima do muro, alegando que a posição do PV não é de “neutralidade, mas de independência”. Para Marina, os dois candidatos deveriam privilegiar a discussão sobre propostas.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_M9LF5NrXkiQ/TLylCoD31hI/AAAAAAAAAVY/2esX-it6oqU/s1600/marina
