Coisas que me dão na telha, de vez em quando, e que quero deixar registradas, nem que seja num blog.







segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Vaidades e bundas


     Sei que o assunto já está pra lá de batido, mas vou ter que falar. Ao assistir na TV (Fantástico, Rede Globo, 15/11/2009) à entrevista de Geysa Arruda — aquela que quase foi linchada por usar um vestido curto na faculdade — fiquei pensando sobre a vaidade. A primeira coisa que fiz foi recorrer aos dicionários pra ver o que dizem sobre essa "qualidade". O Aurélio diz que o substantivo feminino vaidade é: "1. qualidade do que é vão, ilusório, instável ou pouco duradouro; 2. desejo imoderado de atrair admiração ou homenagens; [...]; 4. presunção, fatuidade; 5. coisa fútil ou insignificante; frivolidade, futilidade, tolice." O Houaiss segue a mesma linha: "1. qualidade do que é vão, vazio, firmado sobre aparência ilusória; 2. valorização que se atribui à própria aparência, ou quaisquer outras qualidades físicas ou intelectuais, fundamentada no desejo de que tais qualidades sejam reconhecidas ou admiradas pelos outros; 3. avaliação muito lisonjeira que alguém tem de si mesmo; fatuidade, imodéstia, presunção, vanidade; 4. coisa insignificante, futilidade; vanidade."
     Concordo com eles, em todas as acepções e, também, com o duque François de La Rochefoucauld, um pensador francês do século XVII, segundo o qual "a vaidade, embora não destrua totalmente as virtudes, desordena-as todas." Ao mesmo tempo, concordo com Leon Tolstoi, para quem "a vida sem vaidade é quase insuportável." Enquanto isso, Céline (Louis-Ferdinand Destouches), médico e escritor francês falecido em 1961, dizia que "não existe vaidade inteligente."
     E agora? Acho que vou ficar com uma quarta opinião, a de Augusto Cury: "vaidade é o caminho mais curto para o paraíso da satisfação, porém ela é, ao mesmo tempo, o solo onde a burrice melhor se desenvolve."
     Voltando ao tema Geysa e seu vestido curto usado na faculdade. A Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo), onde se deram os fatos que transformaram Geysa em "celebridade", tem uma das piores médias do país entre 173 universidades pesquisadas pelo MEC para compor o IGC (Índice Geral dos Cursos das Instituições). Vendo na TV o ambiente em que Geysa vive e as roupas que gosta de usar deduzi que a loirosa(?) — uma entre os 60 mil estudantes da Uniban —, pertence a uma classe social média baixa e deve ter uma das piores médias culturais do país; presumi que a vaidade exacerbada de Geysa tem origens na sua classe social e anda próxima do orgulho, que a faz vestir-se de um modo exuberante e esforçar-se em realçar seus supostos dotes físicos, provocando antipatia aos demais. Entre as "atribuições" de um orgulhoso estão a necessidade de ser o centro de atenções, a preocupação exagerada com a sua aparência exterior e a idéia de que todos os seus circundantes devem girar em torno de si. Compreende-se
que o orgulhoso vive numa atmosfera ilusória, de destaque social ou intelectual, criando, assim, barreiras muito densas para penetrar na realidade do seu próprio interior. Na maioria dos casos o orgulho é um mecanismo de defesa para encobrir algum aspecto não aceito de ordem familiar, limitações da sua formação escolar-educacional, ou mesmo o resultado do seu próprio posicionamento diante da sociedade da imagem que escolheu para si mesmo, do papel que deseja desempenhar na vida de “status” (PERES, Ney Prieto. Manual Prático do Espírita. Disponível em: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diver-sos/comportamento/orgulho-e-vaidade.html. Acesso em 15/11/2009).
     Resumindo: na minha cabeça, o orgulho e a vaidade de Geysa originam-se de um complexo de inferioridade, em que a pessoa procura compensar sua insuficiência real ou suposta apresentando-se aos outros com qualidades que realmente não possui. Ela supõe ser gostosa e, para tanto, resolveu mostrar o que considera serem bons atributos aos demais.
     A atitude desses deais, por sua vez, foi deplorável. Conseguiram transformar uma mulher comum em gostosona e, não duvido, hão de colocá-la na Playboy e num Big Brother da vida.

     Vaidade,
     todos temos;
     e bunda também,
     uns mais, outros menos.

4 comentários:

Christian disse...

É como diz a gauchada em tempo de guerra mocotó vira filé!
Tem que ser forte.
Abração!
htp://macfuca.blogspot.com

adriana disse...

Ótimo post, adorei! Concordo em gênero, número e grau.

Clara disse...

Amor, o importante é ser feliz!!

Vaidade,
todos temos;
e bunda também,
uns mais, outros menos.

Beijos com ou sem...

irna disse...

Concordo em genero,número e grau quanto as opiniões filosóficas,mas tem um porém: Se vaidade é o "solo da burrice",onde Geysa reside e a UNIBAN está estre as piores médias do país segundo as pesquisas do MEC, isso já explica o porquê da reação primitiva em massa dos alunos.
Cada um vende aquilo que tem,e compra quem pode.
Se hão de colocá-la na Playboy,certamente estará na mesa do escritório da maioria dos intelectuais desse país.
Se for para o Big Brother, deixará muita menininha de classe média alta morrendo de inveja.
Se a garota atingir o sucesso,eis a questão!
Teremos menos um pobre nesse país!
E será que os conceitos mudam?
Com classe elevada,perderá o seu complexo de inferioridade,sendo apenas uma mulher extravagante, e porque não inteligente!
Só precisamos é arrumar o ser ou não ser.

Abraços